Salmo 144: As Armas da Nossa Guerra Espiritual

Salmo 144 - As Armas da nossa Guerra | JB Carvalho — thumbnail do vídeo

Bendito seja o Senhor, rocha minha, que me adestra as mãos para a batalha e os dedos para a guerra. Minha misericórdia e fortaleza minha, meu alto refúgio, meu libertador, meu escudo, aquele em quem confio e quem me submete o meu povo.

Salmo 144.1-2 (ACF)

O Salmo 144 é um hino de guerra e, ao mesmo tempo, um hino de vitória. Ao que tudo indica, Davi já era rei quando escreveu esse texto, e essa não é uma informação decorativa. É a chave para entender tudo o que vem depois. Martinho Lutero usou esse salmo para encorajar príncipes e fiéis nas guerras e perseguições do tempo da Reforma. Matthew Henry, o grande linguista e comentarista, observa que o salmo é o hino de gratidão de um soldado rei. Um soldado rei. Charles Spurgeon, no Tesouro de Davi, chama esse texto de o cântico do guerreiro adorador. O guerreiro adorador.

Adoração e guerra sempre andaram juntas na Bíblia. No livro de Apocalipse, depois de um período de adoração, vêm os julgamentos de Deus. A adoração traz o juízo contra os inimigos. Esse salmo possivelmente foi composto tanto para a guerra quanto para a celebração da vitória, e Davi exalta o Deus que o ensinou a lutar, a guerrear. Há muitos cristãos que não foram treinados, que não foram preparados para lutar, e por isso estão perdendo, por vezes estão declinando diante do inimigo. Existe uma maneira correta de sair vencedor dessa guerra espiritual que estamos travando, e Davi é esse rei guerreiro que aprende a guerrear com um Deus guerreiro e que reconhece a soberania de Deus em cada uma das suas batalhas.

Os muitos nomes de um só Deus

O salmo começa dizendo: barruc, bendito, celebrado seja o Senhor, rocha minha, que me adestra as mãos para a batalha e os dedos para a guerra. Deus para Davi é tanta coisa. O que Deus é para você? Davi proferiu nomes, títulos para Deus, cada um representando algum aspecto do caráter dele. Deus tem um nome e muitos sobrenomes, e esses nomes representam a sua natureza, os seus atributos, a maneira como ele age, como ele opera. O Espírito Santo é o espírito de graça e de súplicas, é o espírito de sabedoria, entendimento, fortaleza, conselho, conhecimento, temor do Senhor, é o espírito de poder, de moderação e de amor. Existem dezenas de citações sobre manifestações do Espírito Santo. Um é o Espírito e várias são as suas manifestações.

Deus pode ser, para você que precisa de uma cura, Yahvé Rafá. Para você que está angustiado e sem paz, ele é Yahvé Shalom. Para você que está em guerra, ele é Yahvé Sabaoth, o Senhor dos Exércitos. Para você que precisa da presença dele, Yahvé Chamah. Para você que precisa de justiça, Yahvé Tsidquenu. Para você que precisa de vitória, Yahvé Nissi, o Senhor, a sua bandeira. Davi conhecia a ajuda e a presença de Deus de muitas maneiras, não apenas de uma ou de duas. Em uma jornada cristã dedicada a Deus, você vai encontrar Deus muitas vezes, e você vai encontrá-lo com muitas faces, expressões, manifestações. E ele vai ser para você exatamente o que você precisa.

Ele vai ser o Senhor que provê, Yahvé Jiré. Ele é o Senhor dos céus e da terra, Yahvé Elyon. Ele é o Shadai, o mais que o bastante, o mais que o suficiente, o Deus todo poderoso. Ele é o Senhor, o Deus eterno, El Olam. Yeshua Ha Mashiach, ele é o Salvador da nossa alma. Ele é Adonai, ele é o Senhor. Bendito seja o Senhor, Baruc, abençoado, digno de louvor. Rocha minha. Ele é uma rocha firme, uma fortaleza impenetrável, um lugar onde você pode se firmar, que me adestra as mãos para a batalha e os dedos para a guerra. Ele me treina, diz Davi. Ele me ensina, ele me instrui. Ele é o meu instrutor na guerra. Minhas mãos, meus dedos. Fala-se aqui de uma ação militar, de uma habilidade prática.

Você sabe quem você é?

O verso dois segue assim: minha misericórdia e fortaleza minha, meu alto refúgio e meu libertador, meu escudo. Veja o exagero do pronome pessoal meu. É alguém que sabe de quem está falando, que pertence a Deus e que Deus é dele. Eu sou do meu amado, o meu amado é meu. É uma pessoa resolvida. Ninguém disse nada a respeito de si mesmo da maneira tão contundente como Jesus falou. Por vezes ele disse: eu sou, eu sou a ressurreição e a vida, eu sou o caminho, a verdade e a vida, eu sou a porta, eu sou o alfa e o ômega. Jesus é aquele que afirmou ser.

Alguns cristãos parecem achar que, quando você recebe aquilo que é seu, sua herança, as promessas, você está sendo arrogante, soberbo. Uma pessoa insegura vê arrogância e orgulho em tudo. Mas você tem que saber quem você é. Isso é uma questão de identidade. A primeira tentação do diabo foi: se você é filho de Deus, transforma essas pedras em pães. O que o diabo quer fazer é te levar a duvidar de quem você é de fato. E quando você não sabe quem você é, você fica procurando nas pessoas para que elas digam quem você é, porque você mesmo não tem certeza. Jesus não pediu autorização às pessoas para ser quem ele é. Em outras palavras, ele disse: eu não preciso da validação de vocês para ser quem eu sou.

Meu escudo, aquele em quem confio e quem me submete o meu povo. Olha a consciência desse homem, a autoridade dele, de onde ele vem. Primeiro, minha misericórdia, ou minha benignidade, a palavra recebe no hebraico a marca para amor leal e pactual. Davi diz: Deus tem um amor leal para comigo. Davi diz: Deus é alguém que honra o pacto que fez comigo, a parte dele Deus vai cumprir e a minha eu vou cumprir também. Davi é extremamente pessoal ao confessar quem ele descobriu que Deus era. Ele diz: minha rocha, meu Deus amoroso, minha fortaleza, meu libertador, meu escudo, uma torre forte, um refúgio seguro, um reduto, um lugar para se esconder, um lugar para se proteger. Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor, ele é o meu Deus.

Você sabe quantas vezes o nome de Deus aparece só nesses dois versos? Quatro vezes, de maneira diferente. Aquele que habita nos escondidos do Altíssimo é Elyon. À sombra do Onipotente é Shadai. Direi do Senhor, Senhor é Adonai, ele é o meu Deus. Quatro nomes de Deus em dois versos. O que isso está dizendo? Deus opera de diversas maneiras, e nós precisamos saber como invocá-lo a fim de ter os resultados que precisamos. O salmo termina assim: eu o livrarei porque ele conhece o meu nome. Porque ele conhece o meu nome.

Você conhece o nome de Deus? Você conhece a Deus? Jó frequentava, à sua maneira, a religião dos seus dias, não existia igreja como conhecemos hoje, era outra coisa. Mas depois de passar por todo aquele sofrimento, ele confessa: eu te conhecia de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem. Veja um homem que a Bíblia descreve como temente a Deus, que se desviava do mal, um homem influente, um homem sobre quem Deus dá testemunho diante de Satanás, mas que confessa que era um religioso que não conhecia Deus de fato. Cristianismo não é uma filosofia, não é uma religião, é um relacionamento. A Bíblia diz: sigamos e prossigamos em conhecer o Senhor, como a alva a sua vinda é certa. Nós cristãos deveríamos ter uma experiência real com quem Deus é. Deveríamos experimentá-lo, deveríamos ser visitados com visões, com sonhos, com profecias, com experiências, com anjos. Abra a Bíblia e veja que isso é uma normalidade. Não existem dois mundos, existem dois reinos. Não existe um mundo material e outro espiritual, existe um único universo, e Deus quer se manifestar nele. Deus na sua casa. Deus nas suas finanças. Deus quer se manifestar na sua saúde, te dando uma experiência real com quem ele é.

Mas o que nós temos, por vezes, é uma religião. O que nós temos, às vezes, é uma reza que decoramos. Meu alto refúgio, meu libertador, está falando de uma torre, de uma altura inacessível, um lugar onde você pode chegar e ninguém vai te tocar. Meu escudo, se Deus é meu escudo, o que pode me atingir? O que ele deixar passar, ele deixou porque sabe exatamente o que está fazendo. Aquele em quem confio e quem me submete o meu povo, a fonte da minha autoridade, do meu governo. Se nós tivéssemos líderes que soubessem que a fonte do governo deles não é o ego, o eu, mas Deus, nós teríamos justiça se prestássemos contas a ele pela nossa liderança.

Enos: o homem frágil que aprendeu a orar

Até aqui Davi está descrevendo quem Deus é para ele. Agora ele vai descrever quem nós somos. O verso três diz: Senhor, que é o homem para que dele tomes conhecimento, e o filho do homem para que o estimes? É uma citação muito parecida com o Salmo 8. Charles Spurgeon diz sobre esse texto que o Senhor pensa muito no homem e, em conexão com o amor redentor, faz dele uma grande figura. Isso pode ser acreditado, mas não pode ser explicado. Essa é a grande questão da fé cristã. A Bíblia fala sobre o amor de Deus que excede todo entendimento. Se você não abrir mão do seu direito de entender, você não vai ter a graça que excede todo entendimento na sua vida.

Os gregos acreditavam na razão. Os gregos educados não adoravam de fato os deuses do panteão greco-romano, eles adoravam a razão, porque queriam colocar Deus em uma caixa, entendê-lo, compreendê-lo. Eles acreditavam que tudo o que conseguissem entender, conseguiriam dominar. Isso entrou nas faculdades de teologia. Nós colocamos Deus dentro de uma caixa, dentro de uma lata, vendemos uma teologia enlatada para as pessoas e queremos um Deus compreensível, previsível. Sinto dizer que Deus não vai se sujeitar a você. Sinto dizer que ele continua sendo Deus e vai nos surpreender. Sinto dizer que você tem que segui-lo, e ele não vai seguir você. Jesus está no comando. Alguns dizem: eu não entendo. Jesus responde: não é para você entender, simplesmente me siga.

O texto original pergunta: que é Adão? O homem mortal, insignificante. Ou Ben Enosh, o filho do homem frágil, efêmero. A palavra é Enos. A Bíblia diz que quando Enos nasceu foi que o homem começou a invocar o nome do Senhor. Enos era filho de Sete, que era filho de Adão. A Sete nasceu também um filho, ao qual pôs o nome de Enos, e o que quer dizer Enos? Frágil. Diz o texto: daí se começou a invocar o nome do Senhor. A oração surge no momento em que a gente descobre que não tem todas as cartas, que não tem força, que é incapaz de vencer sozinho. A oração surge no momento em que reconhecemos a nossa fragilidade.

O homem frágil aprendeu a pedir ajuda. O problema é que muitos dos nossos ancestrais pediram ajuda aos deuses errados, aos panteões de deuses. George Júnior traça uma linha do tempo mostrando os poderes que dominam nações pela permissão dos homens que os invocaram em momentos de sofrimento. Fizeram pactos com entidades e repetem esses pactos através de procissões, festas sagradas. Essas entidades ganham o direito de dominar sobre determinadas geografias porque o homem continua adorando esses espíritos, e a adoração é a permissão para a manifestação, o domínio, o controle dessas forças. Mas um dia toda a terra entoará um só cântico. Todas as tribos, nações, raças e línguas dirão àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro: seja a honra, a glória, a adoração, o domínio, o louvor, o poder e a glória pelos séculos dos séculos.

Nós achamos que humildade é diminuir a nossa força, mas humildade é entender a nossa fraqueza. Não é dizer que você é fraco naquilo que é bom e forte, é reconhecer que é limitado e que precisa de Deus e das pessoas. Davi sabe que a verdadeira guerra é a oração, mas é oração de guerra, é oração ousada, não é oração de repetição vaga. O salmista conhece o seu Deus e, apesar das deficiências humanas, está convencido de que o Senhor cuida dele. Davi sabe que Deus pensa nele. Ele tem um relacionamento pessoal com Deus.

O verso quatro diz: o homem é como um sopro, os seus dias como a sombra que passa. Temos aqui o contraste entre o Deus eterno e poderoso e o homem efêmero e frágil. A sombra que passa é a imagem da brevidade da vida, da nossa transitoriedade. Nesses dias fomos surpreendidos com o marido de uma irmã da igreja que, de repente, em um minuto estava com a gente e no outro já não estava. E o tanto de pessoas que estão morrendo assim, de repente, e ainda tem gente que se acha eterna. O homem é como um sopro, na linguagem bíblica como vapor ou como a neblina da noite.

Abaixa, Senhor, os teus céus: a oração ousada de Davi

O verso cinco diz: abaixa, Senhor, os teus céus e desce, toca os montes e fumegarão, despede relâmpagos e dispersa os meus inimigos, arremessa as tuas flechas e desbarata-os. O texto pede: inclinai os vossos céus, Senhor, e descei. Parece com o Salmo 18, parece com Isaías 64: oh, se fendesses os céus e descesses, oh, se os montes tremessem diante da tua face. Deus usou frases e imagens da aparição no Sinai para dar uma sensação de admiração e até de terror associada à sua presença. Davi quer que Deus esteja tão presente em seu dia como quando se revelou no Sinai. O monte fumegava. Fumegava.

Vemos então a descrição de uma aparição, uma teofania. Céus se inclinam, montes fumegam, raios dispersam os inimigos. As imagens ecoam o Sinai, o cântico de Débora, o Salmo 18. Inclina os céus, estende os céus, abaixa os céus, é uma aparição. Inclinar, baixar, é um gesto de intervenção, de quando em quando Deus intervém radicalmente na história dos homens. Lembra que eles estavam cativos por quatrocentos anos e Deus ouviu a voz e mandou um libertador. Deus ouviu a oração e fez uma intervenção. Deus está fazendo uma intervenção no planeta Terra. Deus vai fazer algumas coisas nesses próximos dias, semanas e meses no Brasil.

Deus é descrito como um guerreiro celestial, cuja presença abala os céus e os montes. Sua luz é a arma contra os inimigos. Deus se move, ele intervém na história. Tocar os montes, aqui, é ferir, e os montes são os lugares altos. Deus vai ferir lugares altos nesse planeta. Deus vai tocar os montes nesses próximos dias. Que é o homem para que tomes dele conhecimento, o filho do homem para que o estimes? Deus se importa tanto com o ser humano, ainda que ele seja frágil, fraco, pobre, indefeso, que ele toca os montes, que ele os fere. Deus está tocando os lugares altos nesses dias, causando terremotos, causando tremores.

Despede relâmpagos, diz o texto, e dispersa os meus inimigos, arremessa as tuas flechas e desbarata-os. A Bíblia fala sobre as setas do maligno, os dardos inflamados de Satanás. Mas aqui o texto fala sobre os raios de Deus, os relâmpagos de Deus, símbolo do seu poder contra os inimigos. O inimigo joga as suas flechas, mas Deus está lançando as suas flechas, os seus raios, os seus relâmpagos, está disparando terremotos, está liberando tremores. Como disse o autor de Hebreus, uma vez mais farei abalar todas as coisas nos céus e na terra. Sinta o tremor, porque Deus vai fazer tremer os tronos da iniquidade nessa nação. Deus vai fazer tremer os tronos do pecado no mundo inteiro. Deus vai julgar aqueles que estão vivendo inveteradamente no pecado. Aqueles que resistem, que endurecem a sua cerviz, serão quebrados.

Abaixa, Senhor, os teus céus e desce. Veja que oração ousada. Nessa oração, água com açúcar de alguns de nós, ele está pedindo a Deus dramaticamente: desce do céu, toca os montes, os lugares altos, e eles vão fumegar. Despede relâmpagos, dispersa-os, arremessa as tuas flechas e confunde-os. Nos dias de Davi, o estamento burocrático era o reino de Saul. Em um momento, Deus trocou toda a estrutura de governo por uma nova estrutura, onde colocou um homem justo, um homem que o amava e o adorava e prestava contas a ele, e todo o sistema de governo foi trocado. Isso vai acontecer no mundo inteiro. Deus tem os seus dias de guerra. Se você não está feliz, é porque você faz parte do velho, do passado.

A guerra contra a mão de mentira

Estende a mão lá do alto, livra-me e arrebata-me das muitas águas e do poder de estranhos, cuja boca profere mentiras e cuja direita é direita de falsidade. Davi pediu que Deus lutasse por ele. Ele está na nuvem de testemunhas, diz Hebreus 12, e pede que Deus envie relâmpagos como flechas. Senhor, luta com aqueles que lutam contra mim com mentiras, é uma oração inteligente. Deus luta contra aqueles que lutam contra mim com falsidade. Durante os dias em que Davi fugiu de Saul, muitos homens o denunciaram para ganhar o favor do rei. Dava ibope, e as pessoas recebiam vantagens por falar mal de Davi. Ele enfrentou caluniadores, fofoqueiros, que atacaram o seu caráter quando fugia de Saul e depois, já rei, foi frequentemente alvo de mentiras.

Senhor, estende a tua mão, é uma libertação ativa. Liberta-me das muitas águas, do poder de estranhos. A palavra aqui é bene nekar, os filhos do estrangeiro, adversários de fora, da boca que profere mentiras, cuja direita é falsidade. A mão da aliança é a mão direita, mas ela está sendo usada falsamente. A palavra é aqueles que usam de engano. A direita não deveria ser falsa. Deus vai arrebatar você das muitas águas, do poder dos estranhos e da boca dos que proferem mentiras. E, de fato, ele vai pedir conta das mentiras que foram ditas contra os seus servos.

Davi repete essa mesma ideia mais adiante no salmo, no verso oito e de novo no verso onze, e a presença e a obra destrutiva dessa gente mentirosa era de grande preocupação para ele, a ponto de transformar isso em refrão. Não é o descuido de um copista, é uma repetição deliberada com função poética, retórica e teológica. Cuja boca fala falsidade e cuja mão direita é mão de mentira. Você conhece uma mão de mentira? Nos Salmos, a repetição de linhas serve para enfatizar o tema central, e essa técnica é claramente chamada de refrão ou antífona, que reforça a ideia, cria paralelismo, marca a unidade de uma composição.

O que ele quer nos dizer? O salmista quer que o leitor retenha a imagem de um inimigo cuja arma principal é o engano, a falsidade, a mentira. Tem gente que aprendeu a mentir de uma maneira tão clássica que não dá para diferenciar entre ele e a mentira. O mentiroso e a mentira se tornam a mesma pessoa. O inimigo, diz o texto, tem uma mão de mentira. O salmista repete a súplica mostrando que, apesar da fé, a luta continua. A guerra espiritual não termina apenas com a vitória passada. A repetição destaca a natureza de quem ele está enfrentando naqueles dias, e contra quem nós lutamos hoje, a natureza de alguém falso. A mão direita da falsidade é gente que jura enganosamente, desleal, traiçoeira. A guerra do povo de Deus, ontem e hoje, não é só contra espadas, é contra a falsidade, o engano, as alianças traiçoeiras. Estranhos que proferem mentiras que parecem certos, destros, mas que são fake, desleais. Está cheio de gente assim no Congresso Nacional que parece de direita e não é. Cuidado, irmão. Você está votando às vezes em pessoas que afirmam ter os nossos valores, mas que estão vendidas ao jogo, fazem parte do jogo político. Eles se entregam à falsidade, se transformam pelo caminho, e o ambiente político é movediço. E há aqueles que ficam ricos, prosperam, e depois que não servem mais a Deus, tornam-se servos do dinheiro. É terrível pensar que algumas pessoas têm tanto dinheiro para viver e ainda não estão satisfeitas com o que têm. É aquela história da cidade que nunca dorme, quando perguntam ao bilionário qual quantia o deixaria satisfeito, e ele, com sorriso malicioso, responde: um pouquinho mais, um pouquinho mais.

O cântico novo: quando o louvor se torna arma

Davi começa dizendo que Deus o ensinou a lutar, e agora ele descreve como a luta acontece. A ti, ó Deus, entoarei novo cântico, essa é a guerra de Davi. No saltério de dez cordas te cantarei louvores. Ele diz a princípio que o Senhor é aquele que adestra as suas mãos para a batalha, os seus dedos para a guerra. Agora ele está dizendo que as armas que tem na mão não são uma flecha, não é uma lança, não é uma espada, mas um novo cântico e um saltério de dez cordas, uma harpa. A resposta ao livramento divino é o louvor, o louvor novo. Cantai ao Senhor o novo cântico é uma ordem frequente na Bíblia. Pare de cantar essas músicas velhas e ultrapassadas, Deus tem um novo cântico para nós. Novas vitórias e novas libertações exigem um cântico novo.

Davi buscava, junto ao exército, os adoradores do templo. Quando ele foi escolher as pessoas para adorar no templo, reuniu-se com os generais para escolher soldados, porque louvor e guerra são a face da mesma moeda. Louvor e guerra são coisas compatíveis. Quando você pega um instrumento musical para tocar, você está pegando uma espada, uma lança, uma flecha. Instrumentos musicais são armas de guerra contra o inimigo. Josafá colocou o ministério do louvor à frente para desbaratar o exército de Edom, de Amon, de Moabe, porque o louvor, os cânticos de guerra, os cânticos de adoração, são a verdadeira batalha. Davi está dizendo: eu vou te adorar com a harpa, eu vou cantar ao Senhor um cântico novo com o saltério de dez cordas.

Davi via o louvor como uma frente de batalha espiritual. Ambrósio de Milão, que discipulou Agostinho de Hipona, comenta que o cântico novo é o louvor redimido, a substituição das canções de guerra pelo louvor da paz. Mas existe um dito em latim, si vis pacem, para bellum, se queres paz, prepara a guerra. O objetivo é a paz, mas para obtê-la você vai ter que lutar. O Deus de paz em breve esmagará a Satanás debaixo dos nossos pés. Para ter paz, você vai ter que lutar. A gratidão deve ser expressa em louvor.

O cântico novo é a resposta à salvação, ao livramento. É o louvor renovado depois da vitória, o novo cântico do livramento que já não é mais uma promessa ou uma profecia, não é um vaticínio, mas a realidade tangível, palpável, visível e verificável. No saltério de dez cordas te cantarei louvores. Davi era um músico habilidoso, diz Primeira Samuel 16.18. Era um menino impossível, guerreiro, poeta, valente. Ele dizia: o Senhor adestra minhas mãos para a batalha. Antes lutava com a funda, agora sabe manejar uma espada, sabe manejar uma lança. Aprimorou-se naquilo que se propôs a fazer. Agora é um rei, é um juiz. Davi tinha muitos dons, mas tocava a sua harpa da mesma maneira como atirava com a sua funda.

A frase usa mãos e dedos como uma figura poética. Na cultura bélica de Israel, mãos representam força e habilidade no combate corpo a corpo, são usadas para empunhar espada, lança e arco. Já os dedos destacam destreza, precisão, para o manuseio do arco é preciso colocar a flecha, tensionar a corda, e da mesma forma são os dedos que dedilham as cordas de uma harpa. Há uma conexão entre guerra e música. Portanto, cuidado com a música que você está ouvindo. Esse balangandã aí vai baixar sua frequência demais, é por isso que você fica com esses pensamentos derrotistas, esquisitos e estranhos, porque estão tomando o seu coração. A música tem um poder enorme. Platão chegou a dizer na República: não me importa quem faz as leis, me dê quem faz as canções. Não subestime o poder de uma canção, e Deus quer te dar um cântico novo, uma nova canção. Temos dedos para a guerra, arpa, arco, espada, e dedos para as cordas.

O verso dez diz: é ele quem dá aos reis a vitória, e ao mesmo tempo quem livra da espada maligna a Davi, seu servo. O mesmo Deus que dá vitória aos reis livra os seus servos da espada maligna. A espada maligna é uma expressão pesada da salvação, da libertação. Esse verso aparece como parte do louvor que reconhece Deus como a fonte de toda a conquista. Existe gente que de repente começou a achar que era sobre ela mesma, que foi abençoada porque tinha méritos, porque tinha habilidades, porque era especial. Tanta gente quebra a cara quando deixa de entender a fonte do seu crescimento, a fonte do seu progresso. Toda boa dádiva, todo dom perfeito procede do Pai das luzes, em quem não há sombra nem variação de mudanças. Davi, no Salmo 18.50, diz que Deus dá grandes vitórias ao seu rei e usa de misericórdia para com o seu ungido, com Davi e com a sua descendência para sempre. O Deus que concede vitórias aos reis é o mesmo que guarda os seus servos da espada destruidora. Deus vai te guardar da espada destruidora. Toda arma forjada contra você não vai prosperar, toda língua que ousa contra você em juízo, você vai condená-la.

Davi é um homem de guerra e confessa que o seu triunfo não vem do seu braço, mas da graça, do favor de Deus. Você pode achar que tem muitas habilidades, e você as tem, mas não vai vencer se a graça de Deus não operar junto com aquilo que você tem. Como diz o Salmo 127, se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Livra-me e salva-me do poder de estranhos, cuja boca profere mentiras e cuja direita é direita de falsidade, Davi repete a ideia anterior do salmo, transformando o texto em refrão.

A bênção geracional e a visão bíblica da prosperidade

Temos agora um pedido por uma bênção geracional. Diz o texto: que os nossos filhos sejam na sua mocidade como plantas viçosas, e as nossas filhas como pedras angulares, lavradas como colunas de um palácio. Filhos são comparados a plantas viçosas, crescem saudáveis. As filhas fazem parte de algo bonito, sustentável, são como pedras angulares. Temos aqui beleza e solidez, não somente beleza, não somente solidez, mas a arquitetura de um templo ou de um palácio. Filhos têm uma função sustentadora no edifício que Deus está construindo em suas gerações, são relevantes, têm um papel importante, são pedras principais lavradas do palácio. Seus filhos não farão parte de um cortiço, mas serão parte de algo grande que Deus está fazendo no mundo. O Salmo 112 diz: a descendência do justo será poderosa na terra.

Vemos então o retrato ideal da bênção do pacto. Filhos fortes, filhas graciosas, celeiros fartos, rebanhos numerosos, paz nas fronteiras. Que transbordem os nossos celeiros atulhados de toda sorte de provisões, que os nossos rebanhos produzam a milhares e a dezenas de milhares em nossos campos, que as nossas vacas andem pejadas, não lhes haja rotura nem mau sucesso, não haja gritos de lamento em nossas praças. Davi ora por uma série de bênçãos que viriam sobre o povo de Deus quando Deus lidasse com os malfeitores. Precisamos lidar com os nossos relacionamentos, eles podem ser impecilhos para que tudo o que está escrito aqui ocorra. Você tem que ficar ligado. Se Deus quer entrar na sua vida, ele envia pessoas. Se o inimigo quer entrar na sua vida, ele também envia pessoas. Pessoas nunca são neutras, elas sempre são uma bênção ou uma maldição.

Davi ora para que os filhos sejam abençoados, enraizados, prósperos, as filhas sejam estáveis, imponentes, abençoados no trabalho das suas mãos, celeiros cheios, dezenas de milhares de ovelhas e bois sobrecarregados, abençoados com segurança, com paz na comunidade, sem violência ou tumultos por injustiça. Temos, por fim, celeiros cheios que transbordam, depósitos e armazéns que sobejam. Veja a visão judaica do Antigo Testamento, ela não é uma celebração da miséria. Para um judeu com uma consciência bíblica, não existe nobreza na pobreza. Hoje vemos um evangelho que exalta a miséria e a pobreza como algo referente à humildade, mas no pensamento de Davi, e de um judeu do seu tempo e de todos os tempos, eles não poderiam aceitar a miséria, a pobreza, a falta como uma bênção proveniente de Deus. Na verdade, estavam destemidos e lutando contra isso desde o início.

Abraão era rico e Isaque também era rico. Jacó era rico. Em um debate na UnB, uma pessoa de uma determinada religião disse que Deus não gosta dos ricos. A resposta foi: então ele não gosta de Abraão, de Isaque e de Jacó? Só pode. Abraão era amigo de Deus e muito bem-sucedido. Isaque semeou naquela terra e no mesmo ano colheu cem por um. Deus realmente resiste ao soberbo, e aquele que tem a riqueza, na verdade, a riqueza o tem, e ele não possui o dinheiro. Há uma diferença entre você ter dinheiro e o dinheiro ter você. O dinheiro é um ótimo servo e um péssimo senhor. E você sabe quando alguém adora Mamom, quando vive em função do dinheiro e não em função do verdadeiro Senhor.

Sobre esse texto, Clarke observa que a polícia do reino é tão organizada que não há depredações, nem ladrões, arrombadores de casa, nem grupos de saqueadores na terra. Não há incursões repentinas de tribos vizinhas ou bandidos invadindo campos ou casas, levando propriedades, levando consigo as pessoas para vendê-las como cativas. Não há tal arrombamento nem tal saída na nação. Temos então a razão e a consequência de tudo isso. O último verso do salmo, o verso quinze, diz: bem-aventurado é o povo a quem assim sucede, sim, bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor. Feliz o povo que tem o Senhor como Deus, diz Spurgeon. Aqueles que adoram o Deus feliz tornam-se um povo feliz.

Cinco verdades para sair vencedor da guerra

Resumindo tudo: Deus é o instrutor da guerra, e ele está treinando você na guerra. Em Juízes está escrito que Deus deixou os inimigos na terra para treinar o povo na guerra. Às vezes você está lutando contra os inimigos porque Deus está equipando você.

Segundo, a vida é efêmera, transitória, passageira. Viva nesse mundo com o olhar na eternidade.

Terceiro, Deus aparece quando é invocado. A grande estratégia de Davi, e de todos os homens de Deus, é entender: eu não sou capaz, eu não sou suficiente. Você pode ter valor próprio, ter autoestima, mas não é completamente suficiente. Você precisa de Deus, precisa invocá-lo, precisa pedir ajuda a ele e às pessoas.

Quarto, nossas vitórias devem dar a ele um novo cântico. A grande chave de uma vida bem-sucedida é a gratidão. Não subestime gratidão ou ingratidão. O caráter de alguém, em última instância, é definido por gratidão ou ingratidão. Não confie em uma pessoa ingrata.

Quinto, temos a bênção do pacto, e Deus honra a aliança que ele fez. O que ele prometeu, ele vai fazer. Cabe a você cumprir a sua parte. A verdadeira paz nacional não depende simplesmente dos políticos ou da economia, depende do Senhor.

A oração final

A versão A Mensagem desse salmo traduz assim: só existe um lugar forte, seguro e protegido para mim, é somente em Deus que encontro forças para a batalha. Ele é o meu abrigo de amor e minha fortaleza de fé, que se envolve em mim como um escudo seguro. Eu me escondo naquele que subjulga os inimigos diante de mim. Senhor, o que há em nós para que tu nos notasses? Davi está surpreendido de como Deus pode notar-nos, por que ele se importa conosco, pois o homem não é nada além de um leve sussurro, um mero sopro, passamos nossos dias como nada mais do que uma sombra passageira. Desce do céu, Senhor, e desce. Faça as montanhas derreterem ao teu toque, solte seus relâmpagos de fogo e disperse seus inimigos, derrube-os com os seus julgamentos aterrorizantes. Estende a mão desde os teus céus e me resgate desse inferno, livra-me desses poderes obscuros, eles não falam nada além de mentiras, suas palavras são pura falsidade, nada do que dizem é confiável. Meu Deus, eu cantarei para ti um cântico novo, a harpa dentro do meu coração fará música para ti, cantarei sobre ti, que dás vitórias aos reis, aquele que resgata Davi, teu servo amoroso, da espada fatal.

Então nossos lares serão felizes, nossos filhos crescerão como homens fortes e resistentes, e nossas filhas com graciosa beleza, decoradas de forma majestosa como se fossem um palácio. Nossos celeiros ficarão cheios até a borda, transbordando com os frutos da nossa colheita, nossos campos estarão cheios de ovelha e gado, muitos para contar, e nosso gado não abortará seus filhotes. Nossos inimigos não invadirão nossa terra e não haverá nenhuma brecha em nossas paredes. Que felicidade sentimos quando essas bênçãos caem sobre nós. As pessoas que amam e servem ao nosso Deus serão realmente felizes.

Ao encerrar, a oração pede que essa mensagem tenha atingido corações naquela noite e que a igreja possa viver a realidade do céu aqui na terra, a promessa do que o Senhor tem, o escape, o livramento. Que possamos dedicar as nossas vitórias a Deus, como os vinte e quatro anciãos oferecem as suas coroas. Até aqui nos ajudou o Senhor, e aquele que começou a boa obra é também fiel para completá-la. A oração pede que Deus adestre as nossas mãos para a guerra, os nossos dedos para a batalha, que despeje os seus raios e trovões, faça os montes fumegarem ao seu toque, derrube os tronos de injustiça e de impiedade, liberte os cativos e os oprimidos das mãos dos que são mais fortes do que eles. Que sejam dispersos os inimigos, que fujam diante dele os adversários, que seque a boca, a língua maligna que profere mentiras, caluniosa, caluniadora. Que Deus visite todos aqueles que foram injustiçados e restitua a honra, o crédito, a reputação. Que ele invada as circunstâncias e traga o julgamento sobre os maus e ímpios que se recusam a se arrepender, oferecendo antes a chance da curva, do caminho de volta, do arrependimento, mas fazendo os seus planos se cumprirem a seu tempo, visitando especialmente o Brasil, essa nação que tem sido sofrida e machucada, espoliada e roubada.

Palavras finais: restituição, treinamento e bênção geracional

A primeira palavra é restituição. Há coisas perdidas, roubadas, uma sucessão de saques e roubos, coisas que eram suas e não chegaram. Tentaram de todas as formas atrapalhar você. Deus está restituindo honra, reputação, crédito. Deus está devolvendo relacionamentos e chaves que abrem portas. Deus está destravando as portas da riqueza, não para que você seja dominado por ela, mas para que abençoe a muitos com ecossistemas e ideias que vão abençoar a cidade e a nação. Esse final de ano será algo claro, evidente, um testemunho verificável, não mais uma profecia, mas um fato divino, um fato real.

A segunda palavra é treinamento. Deus está fortalecendo as suas mãos para a guerra e entregando habilidades que você não tinha, recursos, inteligência, sabedoria, palavras de sabedoria, entendimento, discernimento, conhecimento, dons espirituais sendo distribuídos como dádivas dos céus, presentes entregues aos filhos de Deus. Deus está forjando, formando você como Davi, como um líder que vai prosperar, que vai avançar, dando a força dele para vencer, a capacidade dele para prevalecer, saindo em sua defesa para lutar as suas guerras.

A terceira palavra é bênção geracional. Uma bênção para a sua família, para a sua casa, para o seu casamento, para os seus filhos. Tudo começa nesse núcleo, a célula principal de uma sociedade, de uma civilização. Deus está pondo a mão sobre a sua mão, abençoando esposa, filhos, marido, tocando especialmente a sua casa, resgatando você e dando o discernimento para abandonar alguns relacionamentos, algumas conexões, e firmar alianças verdadeiras, que exigem investimento, vigilância, proteção. Ele está te dando segurança, colocando os seus pés em lugar firme e espaçoso, dando a largueza para avançar.

Por último, Deus marca um encontro para um relacionamento de intimidade e de conhecimento, não uma religião, mas uma amizade, um pacto de aliança, amor leal. Sua misericórdia visitando pelas manhãs, sua fidelidade às noites. Deus marcando encontros divinos, dando sonhos, visões proféticas, entregando palavras proféticas para você repassar a outras pessoas, palavras de destino que fortalecerão o relacionamento com ele, com as pessoas, com a igreja e com a sociedade. Brilhe, seja luz, dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, a glória do Senhor está nascendo sobre ti.

O Salmo 144 termina exatamente onde precisa terminar: na constatação de que a guerra se vence sendo treinado por Deus, invocando o seu nome, cantando um cântico novo e confiando que a bênção do pacto alcança gerações inteiras. Bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor.

Para acompanhar essa ministração na íntegra, com todos os detalhes da exposição do Salmo 144, assista ao vídeo completo e ouça também o episódio no podcast pessoal de Bispo JB Carvalho.