Tempo de Transição: Ritos de Passagem para Ocupar a Terra da Promessa
Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.
Josué 1.9 (ACF)
Um mês de novos ares
Outubro é um mês especial. Sempre se percebe uma atmosfera nova chegando, um ar diferente no ambiente. No ano passado isso já havia acontecido, uma transição clara, uma mudança de fase, porque o mês de outubro traz a conferência global, e a conferência global sempre anuncia algo novo. Começamos a ver vislumbres do futuro, vislumbres do que Deus vai fazer e do que ele já está fazendo. Há promessas, há profecias, há entendimentos, há discernimentos, e estamos caminhando sobre essas palavras proféticas.
Esta mensagem sobre transição tem três partes. Primeiro, é preciso entender que existem ritos de passagem. Segundo, há desafios significativos dentro de toda transição. Terceiro, há uma diferença entre mentalidade individualista e mentalidade corporativa, e é essa diferença que determina se uma pessoa atravessa ou fica presa.
Quando estamos em caminhos de transição, estamos prestes a receber mais autoridade e mais influência, se formos capazes de nos mover de um ponto a outro. Há pessoas que não saem de um ponto para o outro. Elas ficam ali. E essa é a tragédia da vida humana: pessoas que não se movem de uma estação para outra ficam presas em um ciclo. Presas em um ciclo. Precisamos nos mover não somente como pessoas, mas como corpo, para um novo ponto. Deus mostrou o futuro. Outros ares, outras atmosferas, outras possibilidades estão emergindo fortemente. Existe algo querendo acontecer. Existe algo forçando passagem.
O que é, de fato, um rito de passagem
Um rito de passagem é uma transição de um status, de uma fase para outra fase. Na vida, é um teste que faz parte do processo que Deus usa para levar os cristãos a outro estágio de maturidade, antes de designá-los para um novo nível de serviço. É como um tratamento que Deus faz, uma preparação interior para equipar alguém a ocupar, naquele novo tempo, um novo nível de mordomia. Mordomia de pessoas, mordomia de espaços, mordomia de dinheiro, mordomia de liderança. A vida é feita de mordomias. Quando somos fiéis naquilo que recebemos, Deus nos põe sobre mais. Somos administradores de mais recursos porque Deus vai entregando à medida que somos fiéis naquilo que já nos foi confiado.
Grandes líderes passam por diferentes fases que os preparam para algo maior do que aquilo para que foram chamados inicialmente. É possível apresentar uma vida inteira em ciclos de sete anos, e sempre dentro desses ciclos há algo acontecendo, algo se movendo, fases que se sobrepõem nessa maturação do ministério, do crescimento, do desenvolvimento.
José passou por vários testes e experiências antes de ser nomeado segundo no comando de faraó, no Egito. Moisés esteve no deserto quarenta anos antes de Deus chamá-lo como libertador de Israel. O rei Saul perseguiu Davi, que se escondeu no deserto por muitos anos antes de Deus o elevar à condição de rei de Israel. Foi a faculdade, foi a graduação, a pós-graduação e até o doutorado feito no deserto, feito na caverna, feito na perseguição, feito quando ele teve oportunidade de matar o líder, de assumir o trono, de dar um golpe de estado e fundar a dinastia de Saul, e não fez. Jesus esteve no anonimato por trinta anos e no deserto por quarenta dias, sendo testado por Satanás antes de iniciar seu ministério público. E também teve que suportar a agonia do jardim do Getsêmani antes de estar pronto para ir à cruz e ressuscitar dentre os mortos. Há Getsêmanes para cada um. A prensa do azeite é quando estamos sendo premidos, pressionados, para que o óleo, a unção, possa sair de nós.
Os dez ritos de passagem da transição
O primeiro rito de passagem é sobre a dependência de Deus, em vez de depender dos homens. Quanto maior o chamado, maiores serão os testes. É possível dimensionar o chamado de um homem pelo que ele enfrenta, pelas dores que ele passa, pelas perseguições que sofre, pelas calúnias que inventam contra ele. É possível discernir um homem pelo tamanho das batalhas que ele enfrenta, pelos gigantes que aparecem diante dele. Ao analisar os líderes mais eficazes da Bíblia, todos tinham uma coisa em comum: a total dependência de Deus para cumprir o chamado. Quanto mais se cresce no chamado, mais frágil, mais dependente se fica, porque há dias em que será preciso da força de Deus para vencer, porque a força própria não basta. Há dias em que, se Deus não salvar, está morto. Este é o único tipo de pessoa que ele pode liberar para novos níveis de liderança espiritual: alguém completamente dependente dele. Essa é a escola do deserto. Essa é a escola da caverna.
O segundo rito de passagem é sobre aprender coragem diante do medo. A obediência à vontade de Deus significa deixar uma vida previsível e viver uma vida de risco baseada na fé. Vivemos tão no limite em tantas áreas que, às vezes, é preciso ter coragem até para sair da cama de manhã. Deus cultiva a coragem durante um período de intensa provação para preparar para a próxima designação.
O terceiro rito de passagem é sobre obscuridade, anonimato. A maturidade vem quando alguém está disposto a obedecer a Deus sem os elogios, sem os aplausos das pessoas, sem a visibilidade. É fazer coisas que as pessoas não vão ver, mas que os céus vão aplaudir. Deus não pode lançar alguém aos olhos do público se antes não puder servi-lo fielmente na obscuridade, no silêncio, nas caladas das noites, nos quartos fechados, nas vigílias da noite, nos jejuns intermináveis, nas guerras silenciosas.
O quarto rito de passagem se refere às circunstâncias adversas. Um dos casos mais comuns ocorre em períodos de provação, quando tudo numa vida está sob ataque. Tudo. Ler os Salmos de Davi é se reconhecer em cada página. Não é uma experiência pessoal apenas dele, é a experiência de todo aquele que resolveu seguir Jesus. Todos os grandes líderes enfrentam grandes resistências e conflitos em todas as áreas da vida, pessoal e ministerial. Isso sempre acontece antes de Deus levar alguém ao próximo nível da missão. O próximo nível sempre é antecedido por batalhas, por crises, por confrontos, por desafios.
O quinto rito de passagem, por vezes, se refere à falta de dinheiro. Às vezes não há provisão imediata para a visão divina. É preciso seguir o sonho, e então o dinheiro segue. Aceita-se o desafio de Deus e Deus envia o recurso para aquilo. Normalmente, não se tem o dinheiro para fazer o que se foi chamado a fazer. Aposta-se no que Deus mostrou e Deus sopra sobre o sonho. Deus usa esses momentos para testar o coração e ver se o movimento é por ganho financeiro ou pela glória dele. Um sonho de Deus nunca cabe no orçamento. Quando um prédio precisou ser construído, o prédio anterior foi derrubado e o novo foi construído na cara, na coragem, na força e na raça. Da mesma forma, nunca houve dinheiro suficiente para completar as coisas imediatamente. O dinheiro foi chegando à medida que o caminho era seguido. E é isso que será enfrentado neste final de ano e no próximo, porque a decisão é avançar. Há uma transição para um novo espaço. A terra prometida vai ser ocupada em 2026. Isso significa progredir em obediência, mesmo sem ver uma solução financeira a longo prazo. Os filhos de Israel foram obrigados a continuar obedecendo a Deus mesmo sem saber de onde viria a próxima refeição, enquanto estiveram no deserto por quarenta anos. Eles tinham que confiar em Deus.
O sexto rito de passagem, por vezes, é sobre o silêncio de Deus. Há momentos de provação em que se atravessam longos períodos sem receber palavras claras de afirmação ou confirmação a respeito de um chamado que Deus deu há muito tempo. É o Salmo de novo: por que te calas, Senhor? Por que te calas? Porque clamo a ti e tu não ouves? Deus dá direções e às vezes silencia. O professor fica em silêncio quando o aluno faz a prova. Faça a prova sem reclamar. É sempre muito mais fácil prosseguir quando se recebe encorajamento profético contínuo, mas viver atrás de encorajamento, atrás de profetas, dá errado. É preciso aprender a buscar Deus, a encontrar o caminho do Santo dos Santos, além do véu, pelo novo e vivo caminho, pelo sangue de Jesus. É preciso conhecer o Santo dos Santos e não pedir um caminho emprestado. Não viver de profecia em profecia. A profecia chega, não se vai atrás dela. Os sinais seguirão os que creem, não se seguem sinais. A maturidade e a preparação costumam ser mais cultivadas quando os céus se calam por um tempo e é preciso viver completamente pela fé.
O sétimo rito de passagem é sobre amar aqueles que nos machucam e abusam de nós. Existe uma grande tentação de virar um amalequita, de ficar amargurado, ressentido, cheio de feridas expostas ao ar. Se alguém é um líder que Deus vai usar, que se prepare: as pessoas vão atacar, e vão ser cruéis. Elas serão a boca do diabo, porque é isso que o diabo quer dizer, ele vai usar essas pessoas. Um dos períodos mais difíceis ocorre durante conflitos relacionais mal entendidos por parte das pessoas mais próximas. É um período que envolve aprender a amar em meio a insultos, abusos, negligência, perseguição. Se Deus pode confiar que alguém ande em perdão e ame incondicionalmente os que não são amáveis, então ele pode confiar essa pessoa para demonstrar seu coração a outros em níveis mais altos de liderança, independentemente das circunstâncias ou da resposta das pessoas.
O oitavo rito de passagem é sobre fidelidade durante o mundano. Pessoas caem na infidelidade quando as coisas se tornam tediosas, mundanas. É um rito fundamental que ensina o crente a cultivar a alegria do Senhor durante os dias e períodos lentos, tediosos, em que nada acontece. Moisés passou quarenta anos no deserto de Midiã, o que o preparou para os últimos quarenta anos da sua vida, repletos de ação ininterrupta, enquanto se tornava o libertador de Israel. Ele passou quarenta anos vivendo aquele drama interminável, um filme que parece que nunca vai chegar ao fim, e os outros quarenta anos foram um filme de ação melhor do que qualquer astro de Hollywood conseguiria fazer. Às vezes se pede ação e Deus fala: você ainda não está pronto para a ação. Você está sendo cultivado, trabalhado, preparado. Não dá para colocar alguém ainda no palco quando ainda não está pronto.
O nono rito de passagem é sobre encontrar contentamento em Deus. O maior rito de passagem é aprender a obter satisfação máxima em honrá-lo, em adorá-lo. Quando alguém está solteiro, precisa firmar sua relação com Deus de uma maneira profunda, sua relação profissional, sua formação educacional, sua formação emocional. O tempo de solteiro deveria ser um tempo de preparação, não um tempo de busca de relacionamento. Cada pessoa e tudo que se tem ou realiza nesta vida, em breve vai passar, e Deus age frequentemente para arrancar do coração tudo que é secundário, aquilo do qual se depende para felicidade e realização. Deus libera seu chamado mais elevado para aqueles que se deleitam em sua presença.
O décimo rito de passagem é sobre priorizar a missão e ficar focado nela. Um dos maiores benefícios de líderes talentosos é a capacidade de dizer não às boas oportunidades e às portas que se abrem. É não viver atrás de propostas. Há muitas propostas pelo caminho, mas é preciso seguir o propósito. E às vezes as propostas tiram do propósito. Deus frequentemente testa para ver a que se dirá não, antes de trazer oportunidades melhores às quais ele quer que se diga sim.
Josué e a terra que já é nossa
Se houvesse um texto para resumir esta mensagem, seria o de Josué se preparando para entrar na terra prometida, capítulos 1 a 5, ou Deuteronômio, quando fala da promessa que Deus está dando aos filhos de Israel para entrar na terra. É assim que se sente este final de ano e o próximo. Em um tempo de transição, ritos de passagem estão sendo vividos até aqui, e Deus está introduzindo numa terra nova, uma terra de ribeiros de água, de romeiras, de oliveiras, uma terra de gigantes, mas que Deus capacitou a tomar, a ocupar, a possuir, a fim de glorificar o seu nome.
Agora é preciso entender que existem desafios significativos na transição. Cada transição na vida traz consigo seus próprios desafios. As temporadas de transição não se referem apenas à passagem de uma fase da vida para outra, mas também à conquista de novos níveis de propósito e chamado. É quando as coisas se abrem, as dimensões se abrem, as explicações são dadas sobre coisas que foram vividas. Ao longo de décadas de jornada, foi possível ver Deus abrindo o caminho, mostrando coisas, liberando destinos, criando ambientes, oportunizando novas etapas, novas estações. Essas novas temporadas costumam ser acompanhadas por mudanças espirituais e emocionais que brotam dentro de cada um e que, por vezes, são difíceis de navegar.
Os desafios de atravessar uma transição
Então, como ser eficaz de um ciclo para o outro? É preciso entender que se está num ponto de transição para uma nova estação. O primeiro desafio é que é difícil deixar o passado para trás. Um dos aspectos mais difíceis da transição é abrir mão do que ficou atrás. Muitas vezes a identidade, o conforto, a sensação de segurança estão atrelados a lugares, papéis, relacionamentos familiares da estação anterior. Isso cria um apego emocional que dificulta a libertação do que já foi para receber o que tem que ser. Em Filipenses 3, Paulo disse aos crentes que se esquecessem das coisas que ficaram para trás e avançassem para o que está adiante. Existem coisas novas por vir. Há um novo prédio. Há escolas, há faculdades, mídias, canções, conferências incríveis, poderosas. A transição exige a disposição de abraçar o desconhecido e a confiança de que os planos de Deus para o futuro são maiores do que tudo o que já foi vivido antes. Deixar o passado para trás é um ato de fé que abre as portas para novas oportunidades e crescimento. O sucesso antigo, às vezes, é o maior inimigo do novo sucesso.
O segundo desafio é que algumas pessoas têm dificuldade em deixar ir. Às vezes, aqueles que estão ao redor também têm dificuldade em se adaptar à nova fase. Ló seguiu Abraão para a nova fase. Orfa, a moabita, não conseguiu fazer a transição com Noemi. Ficou em Moabe. Há pessoas que vão ficar em Moabe, há pessoas que não vão conseguir ir para Belém, sejam familiares, amigos ou colegas. As pessoas mais próximas podem se sentir mais confortáveis com quem se é do que com quem se está se tornando. Algumas querem um ambiente mais tradicional, mais previsível, mais quieto, menos desafiador. Querem uma igreja que não as desafie, onde podem ficar escondidas no meio da multidão sem serem esticadas, sem serem desafiadas, sem serem provocadas. Querem uma religião para viver, não um reino para possuir. Essa resistência pode gerar tensão e confusão, porque elas podem não entender por que se está seguindo em uma nova direção, por que as coisas não podem continuar como antes. É quando as pessoas mais próximas não conseguem discernir a nova fase, ainda a enxergam através das lentes de papéis, experiências ou capacidades anteriores, deixando de reconhecer o novo nível de responsabilidade ou chamado que Deus está colocando. Essa falta de discernimento pode levar a mal-entendidos, isolamentos e até sentimentos de rejeição.
O terceiro desafio é não entender completamente a nova temporada. É possível sentir Deus guiando para algo diferente, mas os detalhes e a direção ainda não são totalmente claros. Abraão teve que sair do Vale de Sinear. Teve que ir até uma terra que ele não sabia onde era. Seria guiado passo a passo até lá, mas não podia ficar. Tinha que transicionar. É a experiência da liminaridade, termo que se refere a estar em um espaço intermediário, um limiar onde já se deixou uma fase para trás, mas ainda não se entrou totalmente na próxima. É estar na fronteira do próprio destino. Esse estado pode ser desorientador, porque deixa alguém em um lugar onde não pertence mais plenamente à antiga fase, mas ainda não compreende completamente a nova. Deus frequentemente revela seus planos enquanto se está caminhando em obediência. Nada fora disso, nada antes disso. Não se pode pedir uma nova instrução a Deus se a antiga ainda não foi obedecida.
O quarto desafio é não poder depender da sabedoria natural ou dos recursos que funcionaram antes para ir ao próximo nível. O que funcionou na temporada passada pode não funcionar na nova. Algumas pessoas tentam aplicar as mesmas regras, as mesmas receitas, e não funciona. A terra prometida é diferente do deserto. À medida que Deus conduz a novos desafios e oportunidades, ele frequentemente despoja a dependência de estratégias e recursos humanos, para que a dependência passe a ser exclusivamente dele. Essa dependência não é sinal de fraqueza, mas de reconhecimento de que os caminhos de Deus são superiores aos próprios.
Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.
Isaías 55.9 (ACF)
A transição se torna, assim, um ponto crucial para aprofundar a fé e a confiança na provisão e na sabedoria de Deus. Tudo é uma questão de confiança. Os heróis são os heróis da fé. Eles acreditam a despeito das circunstâncias. Eles marcham quando o mar está fechado, e o mar se abre. Eles apostam porque receberam uma palavra e uma direção.
O quinto desafio é suportar um maior nível de pressão. Novas estações trazem novas responsabilidades e, com elas, maior nível de pressão. É preciso se pressurizar por dentro. Há pessoas que morrem no alto do monte Everest. Há outras que não conseguem subir porque a pressão, o ar rarefeito, é demais, e não conseguem respirar no alto da montanha. Algumas tentam descer um pouco mais, a fim de encontrar um lugar mais confortável, com menos pressão, com menos desafios. O peso da liderança aumenta à medida que se alcança novos níveis de influência. Em 2018 houve um sonho que mudou uma vida inteira: um lugar em final de tarde, e a imagem de se tornar um senador do Brasil, não um senador de fato, mas alguém que havia recebido uma patente espiritual para aquela cidade, para aquele país. O ministério já não era local, era nacional, e uma grande responsabilidade veio junto. A vida ficou bem mais difícil depois daquilo. Quanto mais autoridade, mais responsabilidade. Isso pode gerar estresse, até mesmo a tentação de voltar aos velhos hábitos ou mecanismos de enfrentamento. É importante lembrar que a cada novo nível Deus fornece a graça e a força necessárias para perseverar.
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei antes nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
2 Coríntios 12.9 (ACF)
A transição pode ser mais pressão, mas também é oportunidade para Deus demonstrar seu poder por meio de quem nele confia. O inimigo intensifica os ataques em momentos de transição, tentação, desânimo, conflitos, opressão. A intensificação da guerra espiritual costuma ser sinal de que o caminho está certo. É preciso continuar pressionando, continuar avançando. O inimigo resiste porque está sendo resistido. Resisti ao diabo e ele fugirá. Portanto, seja diligente na oração, vista a armadura de Deus, como disse Paulo, e mantenha-se conectado a uma comunidade espiritual forte, capaz de apoiar nos tempos de batalha.
A transição é um momento desafiador, porém transformador. Envolve abrir mão do passado, navegar por novas responsabilidades, enfrentar a crescente pressão e a resistência espiritual. Há cheiro de novo no ar, caminhos novos, oportunidades novas, dinheiro novo, prédios novos, pessoas novas, unção fresca, uma nova canção. O novo está chegando.
Eis que faço uma coisa nova; agora sairá à luz; porventura não a sabereis? Pois no deserto abrirei caminho, e nos lugares desertos rios.
Isaías 43.19 (ACF)
Os desafios têm o objetivo de derrotar, fazem pressão para derrotar, mas na verdade fazem parte do processo que Deus usa para preparar para níveis maiores de influência, de impacto. Vale aproveitar o desafio, porque ele faz parte do treinamento. Ninguém escolhe a própria luta, mas se Deus permite atravessá-la, é porque está sendo treinado para novos horizontes, para novas conquistas, para subir a sua montanha. Há uma transição acontecendo rumo a uma época de ocupação, de conquistar aquilo que já é de direito, predeterminado, escolhido por Deus antes da fundação do mundo, as boas obras que ele preparou de antemão para que se andasse nelas.
O sexto desafio: discernir quem caminha com você
Na transição é preciso de pessoas, mas é preciso saber discernir quais pessoas. Existem pessoas cuja única agenda na vida é promover a própria agenda. Elas não querem trabalhar em equipe ou fluir em um contexto de igreja local. Querem recompensas imediatas por servir o reino de Deus, sempre atrás de algum prêmio, de algum benefício. É a lei de ganhar vantagem a qualquer custo. São aquelas que querem usar a igreja, ou usar Deus, para promover a própria agenda.
Um estudo sobre protegidos, parceiros e parasitas ajuda a discernir esses três tipos de pessoas em qualquer caminhada de fé. O protegido é a pessoa que aceitou ser orientada, está aberta a crescer com coração para servir pelo reino de Deus. O maior chamado da vida de um líder é orientar e nutrir a próxima geração de líderes. A alegria de quem forma pessoas é encontrar aquela em quem pode derramar a sua vida, a pessoa pronta, com foco em Deus, que ama o reino. Um protegido tem uma relação de confiança profunda, e por isso tem acesso, permite que se fale na vida dele, mostra tanto as suas habilidades quanto as suas fraquezas. Os sucessores provavelmente surgirão do grupo de protegidos que está sendo orientado. Descobrir uma conexão divina com um novo protegido é uma das grandes alegrias de qualquer líder.
O segundo tipo são os parceiros. Para estabelecer a influência do reino em uma comunidade, cidade ou nação, são necessárias muitas parcerias. Nenhum líder, organização ou igreja será capaz de promover a transformação social sozinho. Deus conecta pessoas a relacionamentos com outros líderes que pensam da mesma forma e que têm altos níveis de influência em suas esferas. Deus uniu Neemias, um político que recebeu uma verba governamental, um salvo conduto do imperador persa para sua missão de reconstruir os muros de Jerusalém, a Esdras, um líder espiritual que ensinava a palavra de Deus aos que retornaram do exílio. Os parceiros devem ter um certo grau de influência em sua esfera, coração disposto a servir, ser confiáveis. Confiança não se negocia. Não devem ter segundas intenções e devem estar dispostos a fazer o que for preciso para realizar o trabalho. Se for só conversa, sem nenhuma ação, não se pode contar com eles como parceiros. Há quem se proponha a ajudar e depois se torne um peso.
Por último, os parasitas. Sempre haverá quem queira usar o nome, a influência, a autoridade, os dons de outro em benefício próprio, sem motivação mútua de beneficiá-lo de volta. A definição científica de parasita é um organismo que cresce, se alimenta e se abriga em outro organismo sem contribuir em nada para a sobrevivência do seu hospedeiro. Um parasita se alimenta de outras pessoas para se sustentar sem retribuir benefício mútuo. Numa relação saudável, todos têm que ganhar. Por ser egocêntrico, o parasita só se relaciona com aqueles de quem pode se aproveitar, já que sua única agenda é a autopreservação ou o autoengrandecimento. Não tem motivação para retribuir bênçãos. São as pessoas que falam mal pelas costas para progredir, usam a influência de outros para conseguir o que querem e fingem amizade contanto que algo seja feito por elas. É preciso discernir esses três tipos de pessoas. Se isso não for feito, tenta-se transformar um parasita em protegido, ou um protegido em parceiro, e se experimenta muito fracasso e frustração.
Quando alguém tem uma visão particular, precisa submeter essa visão a uma visão geral, uma visão corporativa. A visão de cada um tem que estar dentro de outra visão maior. É preciso primeiro entender o coração e a direção do corpo ao qual se pertence, antes de pedir que se acredite no que se está sonhando.
Mentalidade corporativa, não apenas individual
Os seis pontos a seguir revelam a diferença entre mentalidade individualista e mentalidade corporativa.
Primeiro, a mentalidade corporativa é sobre nós, a individual é sobre mim. Não existe eu na palavra equipe. Cada decisão tomada não afeta apenas quem a toma, mas todos ao redor. Se alguém decide pecar, isso afeta a todos. E há uma responsabilidade de fechar a porta que foi aberta, para que a influência do erro não contamine o restante, porque uma medida de fermento leveda toda a massa. Há responsabilidade de tratar quem errou, não simplesmente abandoná-lo, mas impedir que exerça o ministério até que esteja devidamente curado, e que essa porta seja fechada, para que os demônios que entraram por ali não afetem todo o espectro de liderança. As pessoas mais eficazes do mundo e da igreja hoje são aquelas que entendem e trabalham em equipe, com objetivos comuns para realizar tarefas específicas. O orgulho não tem amigos.
Segundo, biblicamente as pessoas eram enviadas pela igreja. Não houve ninguém na Bíblia que não foi enviado. Hoje a maioria simplesmente sai por conta própria. Há quem pense que está trocando de igreja, quando na verdade está trocando de reino. Nas Escrituras, os crentes foram enviados pela igreja para cumprir a missão de Cristo. Em Antioquia, Atos capítulo 13, Paulo chegou a dizer: como pode alguém pregar se não foi enviado?
E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam o evangelho de paz, dos que anunciam coisas boas!
Romanos 10.15 (ACF)
Hoje, devido à mentalidade individualista, a prática comum é sentir pelo Senhor deixar a igreja, sentir impulsionado a fazer isso ou aquilo, e pregar por aí sem cobertura, por conta própria. As pessoas chegam às próprias conclusões sobre sua vida e ministério sem qualquer direção pastoral. Elas estão sozinhas. Simplesmente informam seus líderes sobre as decisões que já tomaram. Um colaborador de uma empresa não pode tomar decisões que influenciam a empresa sozinho. Um pai de família, uma mãe de família, não tomam decisões sozinhos. Assim também na igreja ninguém toma decisões sozinho. Prestar contas é prestação de contas a respeito da própria vida e do próprio ministério. A pós-modernidade criou um homem que se faz seu próprio deus, solitário, juiz final dos seus atos, com revelações pessoais que nem sempre cabem dentro da revelação geral. Devido à predominância do individualismo na cultura, quando um líder ensina o protocolo bíblico de ser enviado, as pessoas podem até acusá-lo de tentar controlar, de manipular. No entanto, ser enviado em vez de simplesmente ir serve como proteção, fornece camadas extras de freios e contrapesos. Submissão é permissão para proteger. Quando alguém inicia um ministério ou uma igreja, a primeira pergunta deveria ser: quem lhe enviou? Se a única resposta for que Deus o enviou, então ele não foi enviado, ele entrou no ministério, e isso é bem diferente, podendo gerar grandes erros em relação ao protocolo e ao tempo.
Terceiro, biblicamente os crentes recebiam conselho dos anciãos. Hoje, os crentes apenas pesquisam no Google ou perguntam a ferramentas de inteligência artificial para obter informações. Atualmente, nas redes sociais, muitas pessoas se autodenominam especialistas, simplesmente porque podem fazer suas próprias pesquisas, alguns cursos, ler alguns livros. No entanto, isso não substitui a contribuição piedosa e sábia de líderes maduros que conhecem as Escrituras e conseguem discernir a mente de Deus. Ele deu uns para apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres. Mestres existem na igreja porque é preciso dessas pessoas que têm profundidade para esmiuçar verdades e garantir que se coma pão de verdade, e não o pão que o diabo amassou. Ao tomar decisões é preciso mais do que meros dados, é preciso compreender diversas perspectivas que só podem vir de outras pessoas. Humildade não é negar a própria força, humildade é reconhecer que se depende de outros. É por isso que existe comunidade.
Quarto, biblicamente o destino é corporativo. Hoje as pessoas falam muito mais sobre destino individual. As Escrituras dizem em Provérbios que sem visão o povo perece, não está falando de um destino individual, está falando das pessoas no geral.
Não havendo profecia, o povo perece; mas o que guarda a lei esse é bem-aventurado.
Provérbios 29.18 (ACF)
Essa passagem ilustra a visão corporativa, visto que afeta pessoas, não apenas uma pessoa. Sem visão não é uma pessoa que perece, é o povo todo. As Escrituras estão repletas de passagens que tratam do destino coletivo. A Bíblia fala de nações que serão julgadas diante de Deus, nações colocadas como ovelhas e nações colocadas como cabras, mas por vezes a ênfase recai apenas sobre o destino individual. Nos tempos do Novo Testamento, as pessoas liam uma epístola enquanto estavam reunidas com a congregação. A carta era lida em voz alta para toda a igreja. Nunca interpretavam as Escrituras de forma individualista, mas coletivamente, porque esse era o contexto da experiência cristã de ser uma comunidade. Na Santa Ceia, Paulo diz que por não discernirem o corpo, muitos estavam fracos, doentes, e não poucos dormiam.
Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.
1 Coríntios 11.30 (ACF)
Discernir o corpo é discernir o todo, é discernir a igreja, é proteger a igreja, defender a igreja, orar pela igreja, sustentar os irmãos, amar uns aos outros, perdoar uns aos outros, levar os fardos uns dos outros, dar suporte uns aos outros. Hoje muitos têm Bíblias de estudo e esquecem que tanto o primeiro quanto o segundo testamento foram escritos para serem lidos perante uma comunidade reunida. Há gente reinventando a roda, dizendo que a Bíblia não é de fato a palavra de Deus, mas que apenas contém a Deus e está cheia de equívocos, tentando anular dois mil anos de história do cristianismo com polêmicas que estão fabricando, vendendo-se como a última palavra do assunto. Pior do que quem fala assim é quem aceita ouvir esse tipo de discurso e dar audiência a ele.
Quinto, biblicamente a igreja é uma família de famílias. Hoje, para alguns, a igreja é apenas lugar de experiências individuais. As Escrituras ensinam em Primeira Coríntios 12 que, quando alguém é salvo, é automaticamente batizado no corpo de Cristo, feito participante de um só corpo.
Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.
1 Coríntios 12.13 (ACF)
Na experiência individual de salvação não se pode separar a vida do corpo de Cristo. A cultura atual reduziu o conceito bíblico de corpo de Cristo a experiências subjetivas, místicas. Há quem tenha aderido a um tipo de ministério que não é profecia, é adivinhação. A profecia verdadeira vem capturar a pessoa naquilo que é a doença da alma dela, mas há espíritos de adivinhação se passando por dons proféticos no meio do povo de Deus, como aquela mulher na narrativa de Atos que seguia Paulo bajulando e elogiando, e que ao ser repreendida revelou ser uma pitonisa endemoniada. Há muitas pessoas no corpo de Cristo que não estão profetizando pelo Espírito Santo, mas por um espírito de adivinhação. Hoje os crentes escolhem, entram e saem de igrejas locais meramente por uma experiência pessoal. Como Paulo disse de alguns, o deus deles é o próprio ventre. É comum alguém chegar a uma igreja chorando, todo inspirado, dizendo que Deus o enviou para ali, e meses depois dizer que o Espírito Santo mandou sair. Nesses casos, o espírito santo que está falando é o próprio desejo, não o Espírito Santo de Deus. A igreja é primordialmente uma família de famílias, chamada para ser família da fé.
Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.
Gálatas 6.10 (ACF)
Em uma família biológica, as pessoas não estão juntas apenas para ter boas experiências, mas para servir umas às outras, amar umas às outras, trabalhar juntas, apesar de quaisquer desentendimentos que possam ter. É preciso sentar à mesa, resolver os problemas, olhando nos olhos e perdoando. A igreja precisa ser vista como uma família, não meramente como um local de encontro para bons sentimentos espirituais, transcendentes, sobrenaturais. Há compromissos uns com os outros. Só se vence a batalha levantando as mãos uns dos outros.
Sexto e último, biblicamente é preciso orar como um corpo corporativo. Hoje a maioria ora apenas posicionada como indivíduo. Jesus ensinou a orar: Pai nosso que estás nos céus, mas a maioria dos cristãos ora: pai meu, o pão é meu, o reino é meu. No Antigo Testamento, Daniel, Neemias e Esdras oraram a Deus e disseram: Senhor, nós pecamos. Eles mesmos não haviam pecado naqueles termos, mas o pecado para eles era corporativo, porque se identificavam com o pecado da sua comunidade de fé, embora não fossem pessoalmente culpados daquelas transgressões. Quando alguém no meio de uma comunidade esconde a capa da Babilônia no meio do arraial, todos podem sofrer derrotas, porque existem líderes em pecado escondendo coisas sujas, abomináveis, destinadas à destruição, como fez Acã. A escolha de pecar ou não pecar nunca é apenas individual, é coletiva. Esses líderes bíblicos se viam no contexto de sua família espiritual. Suas decisões não eram apenas suas decisões, eram decisões da comunidade. Decisões se tomam juntos, orações se fazem juntos para tomar decisões, pessoas são guiadas, conduzidas, porque, segundo Hebreus, existe responsabilidade pelas almas, a quem será prestada conta. Por isso a Bíblia diz: obedecei aos vossos guias, obedecei aos vossos pastores, porque zelam pelas vossas almas. Deus vê os crentes juntos como um só corpo. A identidade não é apenas a de filho de Deus individual, mas coletivamente é a de filhos de Deus, como o filho corporativo sendo conformado à imagem do Filho unigênito de Deus.
Um corpo se move junto
Há uma comunidade, uma comunidade das nações, ligada por juntas e articulações, com conselho, apostólica, que comissiona pessoas, envia pessoas, dá destino a pessoas. Está numa transição, e o corpo se move junto. Já se viu um caminhão que vai e as rodas ficam para trás? Já se viu um corpo que segue e os dedos ficam para trás? Um dedo fora do corpo atrofia. Há milhares de desigrejados que viraram amalequitas, feridos, machucados, achando que têm motivos para ficar adoecidos, feridos, ressentidos. A resposta para essa gente é sempre a mesma: entra na fila. Se houvesse motivo, haveria motivo para todos, mas ali está uma testemunha de superação de todas as batalhas que chegaram. É o fruto das batalhas vencidas. Quem tem batalhas, que vença essas batalhas, porque depois da batalha vem a promoção. Está sendo testado, treinado, equipado. E quando a prova é feita devidamente, há aprovação.
Então fica a proposta: sair de um ponto para outro ponto. Um corpo que está se movendo em transição se move inteiro, junto, sem deixar membro para trás.
Para ouvir essa mensagem completa, com todo o desenvolvimento que só a fala ao vivo carrega, vale a pena assistir ao vídeo na íntegra e acompanhar o podcast pessoal de Bispo JB Carvalho, onde esse e outros temas são aprofundados.
