Salmo 128, o Salmo do Lar Feliz: o Manual Bíblico da Família Cristã

Salmo 128 - O Salmo do Lar Feliz - Manual Bíblico da Família Cristã | JB Carvalho — thumbnail do vídeo

Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor, e anda nos seus caminhos. Porque comerás do trabalho de tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados de tua casa; os teus filhos como plantas de olivas ao redor da tua mesa. Eis que assim será bendito o homem que teme ao Senhor. O Senhor te abençoará desde Sião, e verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida. E verás os filhos de teus filhos, e a paz sobre Israel.

Salmo 128.1-6 (ACF)

Antes de entrar no texto, vale registrar duas leituras diferentes do mesmo salmo. A tradução tradicional diz que a esposa será “como a videira frutífera no interior de tua casa” e os filhos “como rebentos da oliveira ao redor da tua mesa”. Já a versão contemporânea, chamada de A Mensagem (The Passion Translation), traz o mesmo sentido em linguagem mais direta: “Sua esposa abençoará seu coração e seu lar. Seus filhos lhe trarão alegria ao se reunirem ao redor da sua mesa.” Duas traduções, a mesma promessa. Um Deus que abençoa quem o teme, dentro de casa, à mesa, na cidade.

Um cântico para a jornada até Jerusalém

O Salmo 128 pertence a um grupo de quinze salmos chamados cânticos de romagem, ou cânticos das ascensões, os salmos dos degraus. Eram os cânticos que os peregrinos entoavam durante a caminhada até Jerusalém, para as três grandes festas anuais: a Páscoa, o Pentecostes e os Tabernáculos. Famílias inteiras se encontravam no caminho e cantavam juntas. Era uma verdadeira processão de adoração, uma caminhada de adoração rumo à terra prometida. Não era uma viagem silenciosa. Era celebração, era cântico, era alegria em movimento.

O Salmo 128 se concentra especificamente na obra de Deus na família e por meio da família na sociedade. Charles Spurgeon chama esse salmo de o salmo do lar feliz. E vale observar a relação dele com o salmo anterior. O Salmo 127, que fala do esforço inútil sem Deus, e o Salmo 128, que fala da vida frutífera com Deus. Os puritanos viam o Salmo 128 como manual da família cristã. E é justamente esse o convite deste texto: entender a estrutura desse manual.

A estrutura do Salmo 128 se divide em três partes. Primeiro, a bênção pessoal, nos versos 1 e 2, a felicidade do que teme ao Senhor. Segundo, a bênção familiar, nos versos 3 e 4, a casa próspera e frutífera. Terceiro, a bênção nacional, a paz sobre Israel e a continuidade das gerações. É essa a ordem que o salmo segue, e é essa a ordem que este texto vai seguir também.

A bênção pessoal: a felicidade de quem teme ao Senhor

“Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos.” Charles Finney, o grande avivalista do século dezenove, pregava que o temor do Senhor no lar é o avivamento mais duradouro. Pregadores precisam começar a pregar em suas casas, porque se você reprova na família, você reprova na vida. Dwight L. Moody, um dos dois maiores pregadores do século dezenove, que impactou seu mundo e tirou milhares de almas das garras do inferno, chamava o lar temeroso de uma pequena igreja. A pergunta que fica é simples: como você está cuidando da sua pequena igreja?

O TWOT, o Theological Wordbook of the Old Testament, destaca a diferença entre temor reverente e medo de punição. São duas palavras diferentes no hebraico. Temer a Deus não é ter medo de ser punido, mas ter reverência, respeito. A honra e o respeito que a criatura deve ao Criador são descritos, em muitos lugares na Bíblia, como o princípio da sabedoria. O princípio da sabedoria é o temor do Senhor, essa reverência a Deus.

O salmo diz “e anda nos seus caminhos” porque temer ao Senhor não se trata fundamentalmente de ter certos sentimentos em relação a Deus, mas de uma vida de obediência e de reverência. Spurgeon diz que é inútil falar em temer ao Senhor se agimos como aqueles que não se importam com Deus. Existem cristãos que agem como pagãos, como os descrentes, e alguns piores do que eles, porque agem em contradição com aquilo que afirmam acreditar. Não levam Deus em conta quando vão tomar decisões. Há muita gente tomando decisões dizendo que são servos de Deus, mas são somente servos do seu próprio ventre. Estão servindo a si mesmas, estão por conta própria.

Spurgeon continua: os caminhos de Deus serão os nossos caminhos se tivermos uma reverência sincera por ele. Se o coração estiver unido a Deus, os pés o seguirão de perto. A adoração não é uma coisa litúrgica de cantar canções. Adoração é essa reverência, essa prostração a Deus, dizendo: eu estou pronto para obedecê-lo. Mas alguns estão discutindo com Deus. Alguns estão realmente teimando se devem ou não seguir o caminho que ele mostra. Deus está em uma longa discussão com gente teimosa que quer provas de que deve tomar as direções que a Bíblia já preconiza.

E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.

Tiago 1.22 (ACF)

Você não precisa de uma revelação de Deus para perdoar, para dar o seu dízimo, para amar as pessoas. Você não precisa de uma revelação de Deus para permanecer casado. Já está descrito. Existe uma fundamentação para isso na Bíblia. Você não tem que orar pedindo a vontade de Deus. Você só tem que conhecer a Bíblia, que é a vontade de Deus para você.

O trabalho das suas mãos: vocação como adoração

O texto segue: “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás e tudo te irá bem.” O salmista tinha em mente o lavrador que desfruta do alimento do seu próprio trabalho. O trabalho não será vão nem infrutífero, e o fruto do trabalho não será tirado ou possuído por outros. Essa é uma grande mensagem: o trabalho não será vão. Não vai se esforçar, suar, e depois ter uma recompensa pequena ou nenhuma.

E edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o fruto delas. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus escolhidos gozarão por longo tempo do que fizeram as suas mãos. Não trabalharão debalde, nem terão filhos para calamidade; porque serão a semente dos benditos do Senhor, e seus filhos estarão com eles. E será que, antes que clamem, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu ouvirei.

Isaías 65.21-24 (ACF)

O texto está dizendo: trabalharás. Não está dizendo que você será privado do trabalho. Adão trabalhava no Éden. Ele cultivava e guardava o jardim, e falhou em guardar o jardim, e apareceu um animal falando, e ele achou que tava tudo normal. Mas o ponto permanece: você não será privado do trabalho, porque o seu trabalho é o seu chamado. Você não encontra o seu propósito para viver quando encontra um prazer. Você encontra o seu propósito para viver quando encontra a sua responsabilidade. E a sua responsabilidade é o seu trabalho.

A palavra latina para chamado é vocação. Vocação tem a ver com o trabalho que você foi chamado para realizar nesse mundo. Na Bíblia o trabalho não aparece como castigo. Se você tem uma mentalidade pagã, você deve estar trabalhando fora da sua área de convergência, porque o seu trabalho não é penoso, não é desgastante, ele é a execução do que você foi criado para fazer nesse mundo. O trabalho não aparece como castigo, mas como cooperação com Deus na criação.

Cada um fique na vocação em que foi chamado.

1 Coríntios 7.20 (ACF)

Trabalho é liturgia. Paulo escreve em Colossenses que tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para os homens.

E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de coração, como ao Senhor, e não aos homens.

Colossenses 3.23 (ACF)

É assim que você faz o seu trabalho, fazendo para Deus. Você não tem como fazer um trabalho inferior fazendo para Deus. Suas mãos exalam excelência, porque você está fazendo para ele, e Deus vai recompensar você porque você está fazendo para ele. Ele tem uma bênção e um galardão para aqueles que estão fazendo o melhor que podem fazer. É quando o trabalho vira adoração.

Na tradição judaico-cristã, o trabalho é dignificador, em contraste com a visão greco-romana, que via o trabalho manual como indigno de cidadãos livres. A Reforma Protestante, com Lutero e Calvino, resgatou o conceito de vocação, ensinando que não apenas padres e monges, mas também agricultores, comerciantes e artistas servem a Deus em seu ofício. Max Weber, em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, destaca que esse espírito é o fundamento do etos do trabalho que moldou a modernidade. O fato é que eles acreditavam que trabalhar é adorar.

Existe uma palavra apenas para ofício na Bíblia. O mesmo ofício de sacerdote, o mesmo ofício de levita, o mesmo ofício de pastor, de ministro, é o mesmo ofício de um advogado, cujo instrumento é a caneta ou o computador. É o mesmo ofício de um médico, cujo instrumento é o bisturi ou qualquer outro elemento que ele execute o seu trabalho. Aristóteles via no trabalho um meio de desenvolver virtudes práticas. Deus nos deu trabalho a fim de que tenhamos disciplina, a fim de que refinemos o nosso caráter.

Viktor Frankl, o sobrevivente do holocausto mais famoso, que escreveu um incrível livro sobre superação, ensinava que a vida só encontra sentido quando se descobre uma missão ou causa maior. O sentido da vida é descobrir a sua responsabilidade, a sua missão, o seu trabalho. Ele dizia que quem tem um porquê enfrenta qualquer como. O trabalho se torna vocação quando não é apenas meio de sobrevivência, mas expressão da sua identidade e do seu serviço no mundo. João é o construtor, Paulo é o médico, Tiago é o advogado, fulano é o pastor. O seu trabalho está inerente à sua própria identidade de quem você é.

Você sabe que está cumprindo sua vocação quando existe um alinhamento interior entre os seus dons e as suas paixões. Você sabe que está fluindo, cumprindo a sua vocação no seu trabalho, quando você pode passar horas fazendo aquilo e o tempo passa sem você ver. Você sabe que está cumprindo a sua vocação quando você faria isso de graça. E quando você faz algo que faria de graça, prepare-se para ficar rico, porque você está no seu lugar de maior potencialidade, maximizando os seus dons, na sua zona de convergência.

Quando existe frutificação exterior, seu trabalho gera impacto positivo e reconhecível. As pessoas são abençoadas por você. Você tem algo que elas precisam. Quando você tem sustentabilidade espiritual, mesmo cansado, o seu trabalho não esgota a alma, mas a energiza. Você pode estar fisicamente exausto, mas dentro de você tem mais para entregar, porque você carrega isso, é a sua missão no mundo. Deus te deu algo para entregar às pessoas. E por fim, quando o seu sentido é transcendente, sua atividade conecta você a algo maior do que você mesmo. Convergência é isso, é isso que eu sou, é isso que eu nasci para fazer. Mark Twain disse que os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que você nasceu e o dia em que você descobriu porquê.

As implicações disso são grandes. O trabalho vocacional gera cultura de serviço público e bem comum. Faz você querer servir as pessoas com aquilo que você sabe fazer, com aquilo que você tem. Você é o professor e trafega na sua área como alguém que foi vocacionado por Deus, que recebeu a missão de ensinar, de educar. Você é o juiz, e flui no propósito de fazer justiça, de colocar os pontos, de liberar as pessoas e de impedir que os maus prosperem. Existem pessoas que, quando colocadas dentro do seu chamado, se transformam, se ativam. O que ativa você, o que acorda você, o que desperta você, o que faz de você uma pessoa melhor, é o seu trabalho, é a sua vocação, é a sua convergência.

Líderes que enxergam trabalho como missão inspiram inovação e prosperidade. Quando os jovens identificam seus dons e paixões, isso os conduz a profissões significativas. Encontre algo que você se divirta fazendo e faça disso uma carreira. Obviamente que você não vai chegar nesse ponto imediatamente. Como José, que teve que fazer serviços em fases, que foi cumprindo etapas para chegar no ponto onde os seus dons foram melhor aproveitados. Ele se tornou vice-rei do Egito. Mas primeiro teve que lidar com as suas contradições internas. Primeiro teve que vencer as tentações. Primeiro teve que ser traído e apunhalado. Primeiro teve que desenvolver disciplina, horários. E quando você aprende cada etapa e não queima as etapas, você está pronto para chegar no ponto em que vai poder entregar o melhor que recebeu de Deus para o mundo.

Então você cria bens, serviços, produtos. E produto é uma solução real para um problema que existe. Se você tem uma solução real para um problema que existe e consegue escalar isso, você vai ficar rico. Porque Jesus disse que o maior é aquele que serve. Procure servir as pessoas, atender às suas necessidades, e isso vai fazer de você uma pessoa próspera. A sua vocação integra altar e mercado. Um médico, um artista ou um pregador servem a Deus quando estão em seu chamado. É o sacerdócio universal de todos os santos. O que você faz é o sacerdócio de Deus na sua vida. Portanto, faça bem feito e faça para os outros.

Diz o texto que todos viverão do produto do próprio trabalho, e a mão da violência não os privará dele. Com isso, entramos na segunda parte do salmo.

A videira e a oliveira: a bênção dentro de casa

“Tua esposa no interior de tua casa será como a videira frutífera. Teus filhos como rebentos da oliveira ao redor da tua mesa.” A esposa significa a mulher que é o lugar central da bênção doméstica. Em casa, a mulher tem um papel central. Lutero entendia isso, e é possível ver, no pátio da casa dele, uma estátua de Catarina, sua esposa, mostrando o poder que ela tinha. Alexis de Tocqueville, ao escrever sobre a democracia americana, dizia que as mulheres americanas eram superiores às europeias, e que a grandeza americana também se definia pela grandeza das mulheres nos Estados Unidos, que não se permitiam ser amantes ou concubinas. Elas eram donas da sua casa, donas da sua família.

Toda mulher sábia edifica a sua casa; a tola, porém, a derriba com as suas mãos.

Provérbios 14.1 (ACF)

A metáfora é clara: a mulher é como uma videira, símbolo bíblico de fertilidade, alegria e doçura. E a natureza de uma mulher bíblica, de uma mulher cristã, segundo Paulo, é de piedade, que não usa a língua com maldade, com perversidade, que não vive de amargura e ressentimento. A videira era símbolo não apenas de fecundidade, mas também de encanto sexual, como diz Cântico dos Cânticos. O Cântico dos Cânticos tem passagens que, na nossa cultura, seriam impublicáveis. Mas há uma parte que pode ser lida: “Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos, sejam os teus seios como os cachos da vide, e o aroma da tua respiração como das maçãs.”

Depois vem a oliveira, símbolo dos filhos, ligada à longevidade, fertilidade e unção. Seu fruto gera o azeite. A oliveira e a videira eram consideradas entre as sete maravilhas da terra. A oliveira é uma árvore resistente, capaz de viver séculos e brotar novamente mesmo após ser cortada. É incrível como uma oliveira é cortada e volta a brotar. Isso lembra o texto de Jó que diz que ao cheiro das águas a árvore brotará. Aqui, simboliza filhos como portadores de uma promessa duradoura. O midrash Tehillim interpreta os filhos como brotos de oliveira, resistentes e duradouros, símbolos da continuidade do povo de Deus.

E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.

Isaías 11.2 (ACF)

Quando vemos na Bíblia que “o seu nome será chamado Nazareno”, esse texto não se encontra facilmente porque é preciso apelar ao original hebraico. É justamente Isaías quem diz que do tronco de Jessé brotará um renovo. Está falando da oliveira, essa árvore da qual você pega um pedaço e ela pode brotar e se transformar em uma árvore nova. Um pedaço desse rebento se transforma em vida. É isso que acontece com Jesus, o Cristo, que crucificado foi e ressuscitou, e do seu tronco brotou um rebento que trouxe todos até este dia.

“Ao redor da tua mesa.” A palavra hebraica ali é símbolo da comunhão familiar e da provisão. Mesa é o lugar de mais do que refeição, onde você come, se alimenta. Mesa é o lugar da comunhão e da aliança. Na mesa você está fazendo um pacto. E é crítico com quem você se alimenta, com quem você se senta para comer e para conversar. Na Bíblia isso é transmissão de vida.

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

Apocalipse 3.20 (ACF)

A Bíblia diz, em Primeira Coríntios, que você não deve comer com aqueles que, dizendo-se irmãos, são idólatras, são fofoqueiros.

Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for fornicador, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.

1 Coríntios 5.11 (ACF)

Se esse irmão fala mal das pessoas, você não deveria se sentar com ele. A mesa, na cultura hebraica, não era apenas para comer, mas para transmitir valores, bênçãos e instruções da Torá. É na mesa onde a vida acontece. Quando Jesus partiu o pão, o traidor apareceu, Judas. Quando Jesus partiu o pão depois de ressuscitado, aqueles no caminho de Emaús o reconheceram. As pessoas são reconhecidas na mesa. Os traidores se apresentam na mesa. A mesa é um lugar de revelação. É o núcleo da transmissão geracional, onde a bênção se perpetua.

Nessa correria do dia a dia, às vezes é muito difícil juntar a família para comer junta. É por isso que férias em família são tão importantes, porque nesses momentos vocês passam o tempo todo juntos, têm tempo para se atualizar e se aproximar, ter essa comunhão e renovar os seus pactos. Férias não são perda de tempo, são renovação de aliança e também descanso.

“Ao redor” sugere proximidade, intimidade e unidade familiar. João Crisóstomo, um dos pais da igreja, afirma que a mesa ao redor da qual os filhos se assentam nos lembra a mesa da eucaristia, da Santa Ceia, o lugar do pacto. No mundo judaico, a mesa é comparada ao altar do templo, lugar de bênção e de comunhão.

Se o trabalho é a vocação temporal, os filhos são um legado espiritual. Como a oliveira produz fruto por séculos, os filhos prolongam o impacto da vida dos pais. É o que se chama de vocação familiar. Se você tem uma vocação individual como pessoa, a sua família tem uma vocação para o mundo, uma contribuição para a sociedade, para o país, para as futuras gerações e para as nações. O que o inimigo está querendo fazer é interromper o fluxo da bênção familiar, destruindo casas, destruindo famílias. Essa é a estratégia do inimigo, impedir que a bênção se estenda.

Em Jerusalém existem oliveiras de centenas de anos, de milhares de anos, porque elas se renovam, se atualizam. Possivelmente existe uma oliveira ou duas no Jardim do Getsêmani, de frente para Jerusalém, que foi testemunha do que aconteceu quando Jesus suou gotas de sangue. Dizem que uma oliveira nunca morre, a não ser quando é destruída, mas naturalmente ela se transforma e o seu rebento cria outras oliveiras. É isso que acontece com os filhos, que vão se renovando e se transformando em netos e em bisnetos. A geração dá continuidade à bênção, e você se imortaliza. Os seus genes se perpetuam na vida dos seus filhos, dos seus netos.

O Talmude destaca que o azeite da oliveira era usado para a menorá do templo, indicando que os filhos justos iluminam a casa e a sociedade. Os filhos dos justos iluminam o mundo como uma videira frutífera, como oliveiras. A mesa pode ser lida hoje como um lugar de discipulado familiar, refeições em comunhão, conversas que marcam a formação da identidade dos filhos. É importante deixar o telefone e sentar-se na mesa sem telefones.

Videira e oliveira eram bem presentes na cultura judaica do Oriente Médio. A videira dá frutos rapidamente, mas a oliveira cresce devagar e dura séculos. Assim é a geração dos justos. Ela vai prevalecer de forma que a Bíblia diz que a bênção alcança até mil gerações.

Trapp diz que a videira e a oliveira juntas implicam que grande parte da felicidade temporal de um homem consiste em ter uma boa esposa e filhos. “Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.” Como afirmado no verso um, há garantia de bênção para todos os que honram e respeitam a Deus.

Honra: o peso que sustenta a bênção

Uma coisa é certa nessa vida: Deus vai honrar os que o honram. No fim de tudo, você será honrado se continuar caminhando, andando com Deus. Pode estar difícil, podem ter feito coisas terríveis contra você, podem ter atacado você de formas muito rasteiras, mas no fim das contas, como Davi, como José, como Jó, você vai ver o dia amanhecer. E como o próprio Jó disse, em sua carne ele veria a Deus. Essa é uma promessa que vai valer. Continue servindo a Deus. Continue na sua integridade, porque Deus promete honrar aqueles que o honram.

Deus declarou ao sacerdote Eli que, porque ele não corrigiu seus filhos com firmeza, eles estavam pegando as ofertas do Senhor e dormindo com as mulheres debaixo da tenda, e que eles seriam julgados. E foi-se a glória. O texto diz: “Porque aos que me honram honrarei, porém aos que me desprezam serão desprezados.” A palavra é kabod, honra, que significa ser pesado, dar peso, atribuir valor. Numa linguagem atual, é levar a sério. Levar Deus a sério, levar a igreja a sério, dá peso a isso. O oposto é qalal, tornar leve, desprezar, tratar como coisa banal.

Um sacerdote tinha que separar o santo do profano, o verdadeiro do falso, o certo do errado. Você não pode considerar as coisas sagradas como coisas comuns. Ao tomar a Santa Ceia, você coloca peso, seriedade em estar na ceia, em comer o pão, em beber o cálice. Você não faz isso fortuitamente, de maneira distraída. Você está num momento sagrado, oferecendo sua adoração a Deus, sua oferta a Deus, com reverência interior, sabendo que isso é uma coisa pesada, séria. Você está honrando a Deus. Isso não é uma coisa que você faz de maneira distraída.

Logo, honrar a Deus é levá-lo a sério. Há crentes que não levam Deus a sério, não levam a igreja a sério, não levam a família a sério. Uma família é uma coisa, é um território, é uma geografia sagrada. Você não entra em uma família e a destrói sem ficar impune. Você não entra em uma família e adultera sem consequência. Você está mexendo com elementos sagrados, e certamente isso terá um retorno, uma recompensa. “Eu honro os que me honram.” A vocação de cada cristão deveria ser viver para a glória de Deus.

Abel honrou a Deus com a melhor oferta. Deu o seu melhor e foi aceito. Caim desprezou a Deus e foi rejeitado. José honrou a Deus fugindo do pecado. Uma das maneiras que ele viu isso foi ao dizer: “Porventura eu faria isso contra meu senhor e contra o meu Deus?” Ele sabia que, em primeiro lugar, se caísse com a mulher de Potifar, estaria desonrando a Deus. Seu primeiro temor era com Deus. Sua primeira aliança, seu primeiro compromisso, era com Deus. Porque ele fugiu do pecado, Deus o exaltou no Egito e o colocou como vice-rei, grão vizir. Eli honrou os filhos mais do que a Deus, e sua casa foi destruída, foi rejeitada. Davi desejou edificar uma casa para Deus, e Deus prometeu edificar uma casa eterna para Davi. Davi quis honrar a Deus, e disse: “O que eu darei ao Senhor em troca de todos os seus benefícios? Como eu posso honrá-lo?” A mesma coisa acontece com Mardoqueu, quando o rei diz: “O que se fará a um homem cujo o rei quer honrar?”

Há cinco dimensões da honra que produzem honra. Primeiro, honrar a Deus com a vida: temor do Senhor, obediência, santidade. Segundo, honrar a Deus com bens: ofertas, generosidade, mordomia.

Honra ao Senhor com os teus bens, e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e trasbordarão de vinho os teus lagares.

Provérbios 3.9-10 (ACF)

Não é o que resta, não é o que sobra. É honrar a Deus com o melhor e com o primeiro fruto. O primeiro fruto da terra é de Deus. O primogênito é de Deus. Jericó não podia ter nada retirado dela, porque era a primeira cidade, e a apropriação de coisas de Jericó virou uma maldição na casa de Acã. Israel perdeu a guerra porque havia coisas amaldiçoadas dentro do arraial, coisas dedicadas a Deus que as pessoas tomaram para si. É por isso que pessoas vivem amaldiçoadas, porque não colocam Deus em primeiro lugar. Vivem como se Deus fosse apenas uma coisa à margem. Se sobrar tempo, vão à igreja. Se sobrar dinheiro, dão oferta.

Terceiro, honrar a Deus com palavras: louvor, proclamação.

Aquele que oferece sacrifícios de louvor me glorifica; e ao que ordena o seu caminho, mostrarei a salvação de Deus.

Salmo 50.23 (ACF)

Quarto, honrar a Deus no secreto: devoção, oração, integridade invisível. Entra no teu quarto, fala com o teu Pai celestial, só você e ele sabem. Ninguém mais precisa saber. Quinto, honrar a Deus em relacionamentos: respeito aos pais. Você honra a Deus quando respeita os seus pais, quando respeita autoridades e quando celebra os irmãos na fé.

O honrar de Deus pode se manifestar em várias formas. Deus honra você diante dos homens, como honrou José, como honrou Daniel, como honrou Ester, como honrou Mardoqueu. Proteção e provisão: Deus protegeu Abraão.

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.

Salmo 91.1 (ACF)

Legado para gerações: veja o que aconteceu com Davi, com Salomão. Deus honrou Davi dizendo que abençoaria a sua descendência para que nunca faltasse, que um homem da sua descendência assentaria no trono, e o Messias é chamado de filho de Davi. Glória eterna, participação na herança do reino. Agostinho dizia que quem honra a Deus não busca aplauso humano, mas recebe de Deus uma glória que ninguém pode tirar. Martinho Lutero dizia que Deus não precisa da nossa honra, mas nós precisamos honrá-lo, porque ao fazê-lo encontramos nossa dignidade. Fomos feitos para ele.

Para que fôssemos para louvor da sua gloria, nós, os que primeiro esperamos em Cristo.

Efésios 1.12 (ACF)

Matthew Henry comenta que essa promessa é universal. Nenhum homem jamais perdeu por honrar a Deus. “Eu honro os que me honram, os que me desprezam serão desprezados.” Essa é uma palavra muito boa para muita gente, e muito ruim para algumas pessoas.

A aplicação pastoral disso é direta. Pais, quando honram a Deus em casa, Deus honra a sua descendência. Se alguns pais amassem seus filhos de verdade, não fariam os impropérios que fazem, deixando uma herança maligna para os filhos pagarem a conta dos erros deles. Empresários que honram a Deus em seus negócios, Deus os honrará com credibilidade e provisão. No ministério, quem serve a Deus com integridade, ainda que seja esquecido pelos homens, será lembrado por Deus.

Porque Deus não é injusto, para se esquecer da vossa obra, e do trabalho de amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos, e ainda servis.

Hebreus 6.10 (ACF)

Há muitas pessoas servindo para aparecer, para mostrar serviço, para se publicizar. Mas o chamado é para servir a Deus, que vê e recompensa. Os altares secretos serão recompensados em público.

A bênção nacional: de Sião até a paz sobre Israel

Chegamos à terceira parte do salmo, a bênção nacional, a paz sobre Israel e a continuidade das gerações. “O Senhor te abençoe desde Sião, para que vejas a prosperidade de Jerusalém durante os dias de tua vida. Veja os filhos dos teus filhos, paz sobre Israel.” Essa promessa costuma ser invocada sobre pessoas doentes que têm filhos e ainda não viram seus netos, para declarar que essas pessoas vão viver para ver os filhos dos seus filhos crescerem.

Por que desde Sião? A palavra Sião tornou-se símbolo do lugar da habitação de Deus. Nos profetas, Sião é vista como a fonte da justiça, da paz, da salvação para todas as nações. Em Hebreus 12 e em Apocalipse 14, Sião aponta para a Jerusalém celestial, o centro eterno do governo de Deus. Receber a bênção desde Sião significa receber diretamente da presença de Deus, no lugar que ele escolheu para habitar e governar. Sua bênção não vem da força, da política ou apenas do trabalho, mas de Deus entronizado em Sião. É de lá onde nada se abala.

Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus. Deus está no meio dela e jamais será abalada. Enquanto a terra treme, Sião permanece de pé. Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre. A prosperidade da cidade, a prosperidade da família, está conectada ao altar e à adoração em Sião. De Sião fluirá vida para as nações. A mesa abençoada é sustentada pela bênção que vem de Sião. A casa só prospera quando está ligada à presença de Deus. A nação próspera é sinal de um povo que busca Deus em seu santo monte. As bênçãos verdadeiras fluem do altar para a vida diária. É do altar, é de Deus, que vem o socorro.

“Para que vejas a prosperidade de Jerusalém durante todos os dias da sua vida.” Jerusalém é o símbolo do povo de Deus em unidade. A promessa se estende a todos os dias da vida, ecoando a ideia de continuidade, legado, permanência da bênção de Deus nas gerações. A vida não pode terminar quando a gente morre. Ela tem que dar seguimento, e seremos lembrados como os campeões, os vencedores, patriarcas, matriarcas, aqueles que construíram um legado para as futuras gerações. Na eternidade seremos chamados de benditos, de abençoados.

Um lar abençoado não vive isolado. Ele participa do bem-estar da comunidade de fé. Existem culturas em que o conceito de limpeza pública se difere muito. Dentro da casa é tudo primoroso, limpo, mas fora, na rua, jogam o lixo, deixam a rua suja. A cultura dos judeus não faz isso. Eles preservam a limpeza da casa e a limpeza fora dela, porque o Talmude diz que se a casa do seu vizinho pega fogo, a sua corre perigo. Essa tradição foi herdada pela cultura americana, onde, se alguém comete um crime, o vizinho denuncia, porque não está pensando apenas em si, mas na cidade, pensando em Jerusalém. A nação americana nasceu com assembleias e participação política intensa nos eventos da sociedade, daí nascem os condados, herança da Inglaterra. No Brasil, esse tipo de vida política participativa foi diferente.

O livro de Jeremias, escrito aos cativos na Babilônia, diz: “Procurai a paz da cidade, porque na sua paz vós tereis paz.” Isaías diz: “Alegrai-vos com Jerusalém, para que mamais e vos farteis do seio das suas consolações.” A bênção da família tem que se estender à cidade, porque se a cidade está amaldiçoada, as famílias serão amaldiçoadas. E aí surgem os muros altos, os carros blindados, porque as periferias se enchem de pessoas não convertidas, não transformadas, que chegam aos grandes centros carregando amargura, ressentimento. Se não houver atenção para a necessidade que mora ao lado, a vida vai ficar presa dentro dos condomínios, dentro das casas, contratando segurança e vivendo com medo.

Um lar feliz não é suficiente. É preciso também cuidar da comunidade, cuidar da nação. Por mais abençoado que seja o lar, ele não enfraquece o sentimento de pertencimento à nação. Patriotismo é uma ideia bíblica de pertencimento a uma cultura e a um povo. Lares fortes e felizes são para o bem de uma cidade. Quanto mais fortes são as famílias, mais forte é uma nação. Um governante, um governador, um presidente, precisa entender que políticas públicas para fortalecer as famílias são a grande ação para lidar com a raiz dos problemas. Porque criminosos vêm, em geral, de lares disfuncionais, sem modelo e referência de pais e de mães, e a pobreza tem filhas bastardas. Crianças que nascem em um ambiente familiar seguro ganham uma vantagem imensa sobre aquelas que nascem em lares quebrados. A força de qualquer cidade reside em uma sólida vida familiar. A verdadeira força da família emana de sua organização no temor do Senhor.

Filhos dos filhos: o legado que atravessa gerações

O texto termina com “que você veja os filhos dos teus filhos”. O salmista vê a bênção como desfrutar de netos, contemplar, experimentar. Não é apenas observar, mas participar ativamente da bênção, da criação dos netos. Literalmente, “filhos dos teus filhos” indica netos, mas também simboliza continuidade, posteridade e legado. Trata-se de viver o suficiente para contemplar a continuidade do seu legado, ver a transmissão de fé, testemunhar a fé sendo passada às próximas gerações, os filhos servindo ao Senhor, os netos exercendo o ministério, crescendo.

Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais.

Provérbios 17.6 (ACF)

E faço misericórdia a milhares, aos que me amam, e guardam os meus mandamentos.

Êxodo 20.6 (ACF)

Deus promete misericórdia até mil gerações para aqueles que o amam. Vivam de tal forma que os seus descendentes, futuros filhos, futuros netos, sejam abençoados pela sua obediência.

E depois disto viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.

Jó 42.16 (ACF)

Aquele homem que passou por aquela extrema prova viveu para ver as filhas mais belas de todo o planeta, e viveu para ver quatro gerações. Isso é legado. A verdadeira prosperidade é ver novas gerações amando ao Senhor e perpetuando a aliança.

Shalom: a palavra que resume tudo

“Paz sobre Israel.” A bênção não termina no indivíduo, mas alcança a comunidade e as gerações. Shalom ao Israel. Uma bênção final que abrange paz, prosperidade, plenitude. Shalom significa paz, plenitude, não apenas ausência de guerra, mas prosperidade integral. Não é só ter dinheiro, porque tem gente desgraçadamente rica. Não é só ter filho, porque tem gente que tem filho e todos abandonados, largados. Não é ser só bonito, é ter beleza interior, caráter.

O hebraico é altamente polissêmico, cada raiz de cada palavra pode desdobrar-se em nuances muito amplas. A concordância Strong amplia o sentido de shalom como integridade, saúde, prosperidade e segurança. Ao dizer shalom, você está dizendo: seja íntegro, tenha saúde, tenha prosperidade, tenha segurança. O campo semântico de shalom é vastíssimo. Na etimologia da raiz da palavra, há a ideia de completude, de estar inteiro. Daí a tradução costumeira: nada quebrado, nada faltando, nada fora do lugar. Completude, inteireza, estar inteiro. Da mesma raiz vem também shillem, pagar, recompensar, e shalem, inteiro, completo.

Os principais significados de shalom, para terminar, são: paz, ausência de guerra, harmonia, relações reconciliadas, segurança, estabilidade e proteção, saúde, bem-estar físico, prosperidade, plenitude material, integridade, ser completo, não fragmentado, não quebrado, cumprimento, algo realizado ou pago, e bênçãos futuras, a bênção messiânica. O TWOT diz que shalom não é apenas paz no sentido ocidental, ausência de conflito, mas um estado positivo de plenitude e harmonia com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Os rabinos dizem que Shalom é um nome próprio de Deus, Yahweh Shalom. Por isso, a saudação shalom carrega o desejo de plenitude divina. Não é apenas um “oi” ou “tudo bem”. Quando você diz a alguém “shalom”, está dizendo: seja saudável, seja inteiro, seja pleno, seja completo, seja íntegro. Traduzir shalom apenas por “paz” empobrece o sentido.

O salmo começa com a casa, o oikos, de onde vêm as palavras economia e ecologia, e termina com a pólis, a cidade. A bênção da família invade a cidade.

E em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Gênesis 12.3 (ACF)

A bênção vai da família para o povo, porque a bênção não se restringe ao lar, mas se expande por toda a comunidade e por toda a igreja.

O culto racional da sua vida

O Salmo 128 é o salmo do lar feliz. E a felicidade dele não nasce de circunstância, nasce de temor do Senhor, de trabalho vivido como vocação, de casa organizada em torno da mesa, de honra levada a sério, de uma cidade que prospera junto com a família, e de uma geração que vê a próxima geração continuar a mesma fé. Nada disso é espectador. O culto não é você vir para assistir. Você não é um espectador, você é um agente que veio participar da adoração. Adoração é algo que você se move nela.

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

Romanos 12.1 (ACF)

O seu culto racional é dizer, com o corpo: ainda que eu não queira hoje, vamos adorar a Deus. Não interessa se falta disposição. O chamado é para glorificar a Deus com o corpo, com a vida, com as finanças, com a família.

Quão feliz é o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos.

Para ouvir essa mensagem completa, com todo o desenvolvimento que só a pregação ao vivo permite, assista ao vídeo na íntegra ou escute o episódio no podcast da Comunidade das Nações.