Não deixe uma herança sem legado
Herança e legado é um tema que mexe muito comigo. Eu olho para o futuro, mas não basta apenas olhar se, no presente, a gente não fizer nada. E eu quero conversar sobre um perigo bem específico: quando as nossas guerras nos fazem perder o foco do que realmente importa.
Nós vivemos muitas batalhas. Estamos inseridos em muitas guerras, e muitas delas são lícitas, importantes, necessárias. Mas às vezes elas acabam nos fazendo perder de vista aquilo que de fato importa. Para pensar nisso, quero olhar com você para a história de um rei.
Naqueles dias, Ezequias ficou doente e quase morreu. O profeta Isaías, filho de Amoz, foi visitá-lo e lhe disse: “Assim diz o Senhor: ‘Ponha em ordem a sua casa, pois você vai morrer; não se recuperará'”. Ezequias virou o rosto para a parede e orou ao Senhor: “Lembra-te, Senhor, como tenho servido a ti com fidelidade e com devoção sincera. Tenho feito o que é bom aos teus olhos”. E Ezequias chorou amargamente. Antes de Isaías deixar o pátio intermediário, a palavra do Senhor veio a ele: “Volte e diga a Ezequias, líder do meu povo: ‘Assim diz o Senhor, o Deus do seu antepassado Davi: Ouvi a sua oração e vi as suas lágrimas; eu o curarei. Daqui a três dias, você subirá ao templo do Senhor. Acrescentarei quinze anos à sua vida e livrarei você e esta cidade das mãos do rei da Assíria. Defenderei esta cidade por causa de mim mesmo e do meu servo Davi'”.
2 Reis 20.1-6 (NVI)
O texto continua. Deus dá a Ezequias um sinal: a sombra recua dez degraus na escadaria de Acaz. Pouco depois, o rei da Babilônia manda cartas e um presente, porque soube da doença. E então vem a parte que eu preciso que você leia com calma.
Ezequias recebeu em audiência os mensageiros e mostrou-lhes tudo o que havia nos seus armazéns: a prata, o ouro, as especiarias e o azeite finíssimo, o seu arsenal e tudo o que havia nos seus tesouros. Não houve nada no seu palácio ou no seu reino que Ezequias não lhes mostrasse. Então, o profeta Isaías foi ao rei Ezequias e lhe perguntou: “O que esses homens disseram? De onde vieram?”. Ezequias respondeu: “De uma terra distante. Vieram da Babilônia”. O profeta perguntou: “O que eles viram no seu palácio?”. Ezequias disse: “Viram tudo no meu palácio. Não há nada nos meus tesouros que eu não lhes tenha mostrado”. Então, Isaías disse a Ezequias: “Ouça a palavra do Senhor: ‘Virão dias em que tudo o que se encontra no seu palácio, bem como tudo o que os seus antepassados acumularam até hoje, será levado para a Babilônia. Nada restará’, diz o Senhor. ‘Alguns dos seus próprios descendentes serão levados, e eles se tornarão eunucos no palácio do rei da Babilônia'”. Ezequias respondeu a Isaías: “Boa é a palavra do Senhor que anunciaste”. Pois ele pensou: “Ao menos, haverá paz e segurança durante toda a minha vida”.
2 Reis 20.13-19 (NVI)
Esse último versículo já me tirou o sono várias vezes.
Não era um rei qualquer
Para não ter uma visão equivocada, é preciso lembrar quem era Ezequias. Se você voltar algumas páginas, vai ver que os reis que vieram antes dele, em sua esmagadora maioria, faziam o que o Senhor reprovava. Pouquíssimos tiveram um reinado mais ou menos, e mesmo esses carregam um adendo: todavia, não quebraram os altares idólatras, não amaram ao Senhor de todo o coração. Até que chega o rei do avivamento.
Ele fez o que é justo aos olhos do Senhor, conforme tudo o que tinha feito o seu antepassado Davi.
2 Reis 18.3 (NVI)
Ezequias começa a reinar aos 25 anos, no lugar do pai, Acaz, cujo reinado foi marcado pela infidelidade ao Senhor. E ele quebra esse ciclo. Rompe com os pecados da geração anterior, conduz o povo a um tempo de fidelidade, promove um avivamento real, para de pagar tributo à Assíria e, por catorze anos, coloca a nação de volta nos trilhos do crescimento e do avanço.
Mesmo quando Senaqueribe se levanta, conquista as cidades fortificadas ao redor de Judá e cerca Jerusalém, Ezequias tem um momento de fraqueza. Ele paga tributo, entrega a prata, chega a tirar o ouro do templo, achando que assim resolveria o problema. Não resolveu: o cerco veio do mesmo jeito. Mas quando se vê sem saída, ele leva a carta do inimigo para o templo, se humilha, ora, e o Senhor responde. Cento e oitenta e cinco mil homens caem, e Senaqueribe volta para a sua terra, como Deus havia anunciado pela boca de Isaías.
Poderíamos passar muito tempo falando dos sucessos de Ezequias. Por isso, quando ele recebe a notícia de que vai morrer, ele tem argumentos: Senhor, quantas batalhas eu lutei, olha o que eu fiz, os meus antecessores não fizeram, eu fiz. E o profeta, que já estava na escadaria, ouve Deus dizer: volte, tenho um recado novo para ele.

Herança não é a mesma coisa que legado
A primeira lição é esta: Ezequias venceu grandes guerras, mas a sua história nos deixa uma grande advertência. Será que estamos buscando apenas a herança das conquistas? Será que queremos apenas a herança de vencer grandes batalhas?
Herança e legado precisam andar juntos, mas existe uma distinção entre eles, e enxergá-los como a mesma coisa é um equívoco. Existe uma diferença entre experimentar o poder de Deus em uma batalha e transmitir o conhecimento de Deus a uma geração. O fato de os nossos filhos conhecerem as histórias dos nossos milagres não significa que desenvolveram a mesma confiança no Deus que realizou esses milagres.
Pense em Jacó, em Betel, quando ele derrama o óleo sobre a pedra. Ele não era um menino. Se você fizer as contas, ele tinha entre sessenta e setenta anos. E veja como ele ora:
Então, Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa e levar-me de volta são e salvo à casa do meu pai, então o Senhor será o meu Deus”.
Gênesis 28.20-21 (NVI)
Estamos falando do neto de Abraão. Às vezes temos a tendência de avaliar esses personagens de forma independente, mas espera lá: pelas contas, Jacó conviveu pelo menos catorze anos com o avô. Ele não apenas ouviu as histórias de Abraão, ele viu as suas lutas. Sabe que a vida do próprio pai, Isaque, é um milagre, porque a mãe, assim como a avó, era estéril. É um homem que creu na palavra liberada sobre a família. E, mesmo assim, até aquele dia, a oração dele é: tu és o Deus do meu avô, o Deus do meu pai. O que eu vivi hoje faz validar tudo o que tenho ouvido deles. Então o Senhor será o meu Deus.
Não basta os seus filhos olharem para a herança que você está conquistando e deixando. A Bíblia diz que o homem bom deixa herança.
O homem bom deixa herança para os filhos dos seus filhos, mas a riqueza do pecador é armazenada para os justos.
Provérbios 13.22 (NVI)
Mas o legado é trabalhar de tal forma que os seus filhos, os seus sucessores, não apenas conquistem, mas tenham a mesma confiança no Deus que proveu e que deu a vitória. O testemunho de uma geração precisa se transformar em formação espiritual na geração seguinte. Nossos filhos não precisam apenas saber das guerras que vencemos. Nossos filhos precisam conhecer o Deus que nos sustentou enquanto lutávamos.

Ponha em ordem a sua casa
A segunda lição: quando Deus nos manda colocar a casa em ordem, não podemos nos preocupar apenas em continuar vivendo. Os quinze anos que Ezequias recebeu não anulavam a primeira palavra e a primeira orientação de Deus para ele.
O profeta fala o que Deus manda falar, e Isaías não tem nada a ver com isso. Deus mandou dizer: ponha em ordem a sua casa, pois você vai morrer. Ezequias chorou e argumentou com Deus. Mas havia uma instrução, e ela continuava de pé. Pôr a casa em ordem tem a ver justamente com o legado. Tem a ver com continuidade, com a próxima geração continuar vivendo o que você viveu até aqui. Essa é a chave geracional que está no coração de Deus desde o Éden.
Eu amo a história dos avivamentos, mas confesso que fico frustrado quando leio sobre eles, porque duram no máximo duas gerações. Recebemos a herança do avivamento da Coreia, do País de Gales, da Argentina, da América do Sul, do Brasil. Mas e o legado? É o legado que faz a próxima geração continuar vivendo o avivamento. É melhor viver um avivamento do que nenhum, mas eu tenho orado para que vivamos um avivamento que perdure até a volta de Cristo. Essa é a visão.
Imagine o que significavam aqueles quinze anos: mais tempo para governar, para desfrutar das conquistas, para viver com a família, para consolidar o que havia sido construído. E aqui surge a pergunta que nos confronta: o que estamos fazendo com o tempo que Deus está nos permitindo viver? O diabo quer nos matar, mas Deus nos quer vivos. Para quê? Para colocarmos a casa em ordem, a fim de que um legado seja construído e o nome do Senhor seja glorificado sobre a terra.
Podemos deixar uma casa financeiramente organizada e espiritualmente desestruturada. Podemos deixar empresas funcionando, propriedades administradas, recursos disponíveis, e ainda assim não ter transmitido aos nossos filhos as convicções que deveriam orientar as suas decisões e escolhas diárias. Uma casa em ordem não é apenas uma casa preparada para a nossa ausência. É uma casa na qual estamos trabalhando para que os valores que realmente importam não desapareçam com a nossa partida. Isso é legado.

Uma corrida de revezamento
As nossas guerras são importantes. Mas preste atenção: elas não podem ocupar toda a nossa atenção. Eu repito, porque é muito importante: as nossas guerras são importantes, sim, mas não podem tomar toda a nossa atenção. Você não foi chamado só para deixar uma herança. Você foi chamado para construir um legado. E quem está preocupado só em guerrear não consegue dar atenção àqueles que vão dar continuidade depois que você parar.
Pense numa corrida de revezamento quatro por cem. Não adianta você ser o recordista mundial, fazer o seu melhor tempo e entregar o bastão na mão de qualquer pessoa tirada da multidão, dizendo: agora é a sua vez. Se ela não foi preparada para correr, de pouco vai valer o seu recorde. Numa prova de cem metros, tudo bem. Mas a nossa vida não é uma prova de cem metros. É uma corrida de revezamento. Legado tem a ver com passar o bastão, mas preparando a pessoa lado a lado, junto. Alguns vão ter um desempenho um pouco melhor, outros um pouco pior, e está tudo bem, porque no equilíbrio todos vencemos.
Não podemos gastar toda a nossa vida construindo um futuro para os nossos filhos e deixar de construir os nossos filhos para o futuro.
Essa é uma das grandes armadilhas das pessoas bem-sucedidas. Às vezes elas se sacrificam para proporcionar aos filhos aquilo que nunca tiveram, mas, sem perceber, deixam de oferecer aquilo de que eles mais precisam para se tornarem quem de fato precisam ser. Oferecem oportunidades, mas não transmitem convicções. Proporcionam conforto, mas não cultivam caráter. Entregam recursos, mas não desenvolvem responsabilidade. O maior presente que podemos dar aos nossos filhos não é só uma vida sem dificuldades, mas uma fé suficiente para que eles enfrentem essas dificuldades.

O perigo de celebrar a si mesmo
A terceira lição me pegou: o perigo de transformar os anos que Deus nos deu em uma celebração de nós mesmos.
Quem está há muitos anos na caminhada sabe do que eu estou falando. Depois de tantas guerras, tantas lutas, tantas traições, tantas palavras mentirosas, tantas ofensas, surge dentro da gente um Ezequias dizendo: agora está na hora só de usufruir, eu estou cansado. Será que eu tenho pelo menos quinze anos? Então que venha a Babilônia depois. É em momentos assim que a gente quer pensar mais em celebrar os quinze anos que temos do que continuar investindo para deixar um legado.
Nessas horas, é preciso respirar fundo e lembrar que o propósito é deixar um legado. E é em momentos de renovo que a gente consegue respirar de novo e entender que o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza.
Ele, porém, me disse: “A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.
2 Coríntios 12.9 (NVI)
Olhe o que a Bíblia diz sobre Ezequias:
Ezequias, porém, tornou-se orgulhoso e não correspondeu à bondade com que fora tratado; por isso, a ira do Senhor veio sobre ele, sobre Judá e sobre Jerusalém.
2 Crônicas 32.25 (NVI)
Tornou-se. Não está dizendo que ele era orgulhoso. Está dizendo que ele se tornou. O nosso coração não melhora com o tempo, não ganha diploma. Gálatas 5 diz que a carne continua lutando contra as coisas do Espírito. As vitórias do passado e os milagres que você viveu não te isentam das lutas futuras. Isso não é opinião minha, é a palavra. E eu fico com temor e tremor quando leio isso, porque a gente tem uma justiça humana de olhar para o passado e dizer: olha o que eu fiz, Deus vai levar isso em conta. Ninguém de nós vai chegar perto do que Ezequias fez, e mesmo assim a ira do Senhor se acendeu.
Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes.
Tiago 4.6 (NVI)
É impressionante perceber como as circunstâncias podem mudar e revelar novas fragilidades. Diante de Senaqueribe, Ezequias reconheceu que precisava de Deus. Diante dos babilônios, quis mostrar tudo o que tinha. Às vezes, aquilo que não conseguimos perder durante a guerra, começamos a perder depois da vitória. Tanta resiliência na guerra, e é justamente na vitória que precisamos nos aprofundar cada vez mais na missão. E a missão é o legado.
A guerra nos faz orar. A vitória pode nos fazer esquecer. A escassez nos faz reconhecer as nossas limitações. A abundância pode nos levar a superestimar a nossa própria importância. Não é uma regra inevitável, mas é uma possibilidade espiritual real.
O que eles viram no seu palácio?
A pergunta de Isaías é confrontadora: o que eles viram no seu palácio? E quando eu aplico isso à minha vida, começo a perguntar o que as pessoas estão vendo naquilo que construímos. De forma mais específica: o que os nossos filhos estão vendo dentro da nossa casa?
Eles estão vendo apenas os resultados das nossas conquistas? Estão vendo as nossas posses, o nosso prestígio, a nossa posição, a nossa influência? Ou também estão vendo a nossa humildade, a nossa dependência de Deus, o nosso arrependimento, a nossa generosidade, a nossa fidelidade à palavra? Porque existe uma diferença entre mostrar aos filhos o que conquistamos e revelar a eles aquilo que nos sustenta.
Paz só no meu tempo
A quarta lição é o drama de uma geração que se contenta com a paz no seu próprio tempo. Boa é a palavra do Senhor, disse Ezequias, entendendo que haveria paz durante os seus quinze anos. O profeta estava liberando uma palavra sobre o futuro: os seus filhos serão levados como escravos. E ele respondeu que a palavra era boa.
Alguém pode dizer: mas Deus já tinha declarado. Deus também tinha dito que ele ia morrer. Ele chorou, e Deus lhe deu mais quinze anos. Um coração quebrantado e contrito Deus não despreza. Esse era o motivo que deveria levar Ezequias a botar a boca no pó e chorar. Quando Senaqueribe o cercou, ele se humilhou no templo. Quando ouviu que ia morrer, chorou diante do Senhor. Mas quando ouve sobre os filhos, sobre o futuro deles, não se importa. Alguma coisa estava quebrada dentro dele.
E alguma coisa pode estar quebrada dentro de nós. Se você não tem mais força, garra, vontade, ânimo para continuar lutando agora pelo futuro, se você está cansado, se não quer mais se posicionar, alguma coisa rompeu aí dentro. Então só resta a condenação? Não. Resta o altar. Resta a boca no pó. Resta se quebrantar diante do Senhor. E essa, sim, é uma boa palavra.
Aqui está o ponto que eu quero enfatizar: o perigo começa quando a nossa definição de sucesso termina onde termina a nossa própria vida. Tem gente que acha que sucesso é ter o nome gravado numa placa, numa estátua. Não. Há pessoas profundamente preocupadas com o que pode lhes acontecer amanhã, mas pouco comprometidas com o que vai acontecer com os seus filhos amanhã. Preocupadas com a aposentadoria, mas não com a formação espiritual dos filhos. Preocupadas em preservar patrimônio, mas não em preservar princípios. Preocupadas em deixar uma estrutura, mas não em formar pessoas capazes de sustentar essa estrutura.
Estamos vendo isso na Europa e na América do Norte. Muito do que construímos foi inspirado em igrejas de lá, e eu já visitei templos lindos que estão fechados. Por quê? A estrutura está lá, mas o legado não preparou quem pudesse dar continuidade.
Quando não há legado, nasce Manassés
Qual é o problema? O problema é que, quando não há legado, nasce Manassés. Ele nasce três anos depois da palavra da cura. Quando Ezequias morre, Manassés tem doze anos, e é ele quem começa a reinar.
Manassés tinha doze anos de idade quando começou a reinar e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém. A mãe dele chamava-se Hefzibá. Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, imitando as práticas detestáveis das nações que o Senhor havia expulsado de diante dos israelitas. Reconstruiu os santuários locais que Ezequias, o seu pai, havia destruído e também ergueu altares para Baal e fez um poste de Aserá, como fizera Acabe, rei de Israel.
2 Reis 21.1-3 (NVI)
Qual era a palavra de Isaías? Ponha em ordem a sua casa. O que Ezequias quis fazer? Viver e usufruir os quinze anos. Se orgulhou e não preparou. Isso mexe comigo, porque Ezequias promoveu um avivamento, e Manassés restaurou os altares idólatras. Eu não estou falando da terceira geração, estou falando da geração seguinte. Manassés se tornou tão execrável que chegou a queimar o próprio filho em sacrifício aos deuses.
Manassés recebeu herança. Recebeu um trono, recebeu autoridade. Só não recebeu o legado. O contraste é devastador. Como uma geração experimenta tanto de Deus e a geração seguinte se afasta tanto dele? A presença de Deus precisa ocupar um lugar real na sua vida familiar, e não só naquilo que você representa no ministério.

Não deixe uma herança sem legado
A pior coisa é o seu filho receber uma herança sem legado. Não deixe uma herança sem um legado.
Não as esconderemos dos nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho para Jacó e em Israel estabeleceu a lei; ordenou aos nossos antepassados que os ensinassem aos seus filhos, para que a geração seguinte os conhecesse, e também os filhos que haveriam de nascer, e eles, por sua vez, contassem aos seus próprios filhos. Assim, eles poriam a confiança em Deus; não se esqueceriam dos seus feitos e obedeceriam aos seus mandamentos. Não seriam como os seus antepassados, geração obstinada e rebelde, povo de coração inconstante, cujo espírito não se manteve fiel a Deus.
Salmos 78.4-8 (NVI)
Herança é aquilo que deixamos para a próxima geração. Legado é aquilo que construímos dentro dela. É isso que o Senhor pede que você e eu façamos, de forma explícita e direta. O verdadeiro legado espiritual não consiste em fazer os nossos filhos admirarem a nossa fé, mas em levá-los a desenvolver a sua própria confiança em Deus. Como Jacó: então o Senhor será o meu Deus.
Quando penso em Jacó, penso também nele atravessando o vau de Jaboque, sujo, ralado, com a roupa rasgada, mancando. Todo mundo apavorado, achando que alguém tinha atacado o pai. E ele responde: eu fui abençoado; a partir de agora não me chamem mais de Jacó, eu sou Israel. E tem um menino vendo tudo isso. José, o filho mais próximo, o mais apegado ao pai, quem mais viu a dependência que Jacó tinha de Deus. O menino que se torna um homem tão excelente que carrega um legado que abençoa a humanidade.
Volte, porque tem um legado
Talvez você esteja cansado. Todo mundo passa por dias difíceis, e quem diz que esse pensamento nunca vem não está sendo honesto. Há mesas que o Senhor prepara para aliviar, consolar e ajudar, e há momentos em que é preciso descansar. Mas não pare antes de ele mandar parar.
Elias também se cansou. E o que mais me impressiona é que Deus deixou Elias ir até a caverna. Às vezes o que a gente mais precisa é de um tempo sozinho, para pensar, refletir e ter mais uma experiência com Deus. Não no vento, não no terremoto, não no fogo.
Depois do terremoto, veio um fogo, mas o Senhor não estava nele. Depois do fogo, veio o som de um suave sussurro.
1 Reis 19.12 (NVI)
E o recado de Deus para Elias foi: volte. Unja o rei, unja Eliseu. Você está pedindo a morte, mas não sabe o que eu estou preparando para você. Você ainda vai ver carruagens. Volte, porque tem um legado. A capa pode ser uma herança, mas o que fazer com a capa depende de um legado.
Alguém pode olhar para a história e pensar: teve Manassés, mas duas gerações depois veio Josias. É verdade. Josias traz de volta o avivamento, manda reformar o templo, encontram o livro da lei, ele lê, se humilha e é renovado. Então deu tudo certo? Não é assim que devemos ler. Se não fossem as interrupções e as paralisias, estariam muito mais longe.
Por isso a gente não pode parar. Aqueles que vão pegar o bastão vão correr mais, vão mais à frente, porque não vão precisar retroceder nem reconstruir o que foi derrubado. O nosso ventre espiritual não gera filhos para a perdição. Gera filhos para a eternidade, e os nossos filhos vão chegar mais longe do que nós chegamos. Estamos aplainando um caminho para dar velocidade ao cumprimento do propósito deles. Isso é legado.
Eu quero reiterar a minha aliança com o Senhor. Eu vou até o fim. E juntos vamos deixar a herança e um legado que vai preparar os nossos para cumprirem tudo aquilo que Deus tem.
Uma oração
Senhor, eu te agradeço porque essa palavra veio como um bálsamo e também como um alerta. Nos entristecemos com a postura de Ezequias, mas o Senhor é assim: não escondeu o pecado de Davi, não escondeu os problemas que os apóstolos tiveram. O Senhor não esconde nada, porque tudo é para o nosso crescimento, para o nosso aprendizado, para não cometermos os mesmos erros. Talvez hoje seja o dia em que alguns de nós vamos precisar colocar a nossa casa em ordem, dedicar um pouco menos à herança e um pouco mais de tempo à formação do legado. Dá-nos a sabedoria que vem do alto, porque a tua palavra diz que o Senhor dá liberalmente. Fortalece o cansado, levanta aquele que, sem força, já não consegue enxergar o futuro, e dá a ele um vislumbre do futuro. Nós vamos continuar declarando a tua bondade e declarando que Jesus é o Senhor, e que não apenas o Brasil, mas as nações dobrarão os joelhos diante dele. Assim oramos com fé, em nome de Jesus. Amém.
Para guardar
- Não podemos gastar toda a nossa vida construindo um futuro para os nossos filhos e deixar de construir os nossos filhos para o futuro.
- Herança é aquilo que deixamos para a próxima geração. Legado é aquilo que construímos dentro dela.
- Nossos filhos precisam conhecer o Deus que nos sustentou enquanto lutávamos.
- A guerra nos faz orar. A vitória pode nos fazer esquecer.
- Manassés recebeu herança. Recebeu um trono, recebeu autoridade. Só não recebeu o legado.
Marcelo Toschi é bispo das Igrejas Amor e Cuidado, com sede em Araçatuba, São Paulo, e atuação em mais de vinte cidades. Natural de Tupã, São Paulo, é formado em Teologia e Missiologia, pós-graduado em Bíblia e pastor ordenado pelo Christ for the Nations. Atua também como conferencista e empresário, com trabalho voltado à mentoria de líderes. É casado com a bispa Ana Cristina Toschi e pai da pastora Karen e da ministra Letícia.

