Um exército de Déboras
Levanta-te, Débora, mesmo em meio aos seus afazeres
Ao ouvir a bispa Dirce falar sobre Débora, algo ficou marcado em meu coração: Débora se levantou, mas isso não quer dizer que antes estivesse sem fazer nada. Ela já era juíza em Israel. Pessoas a procuravam para apresentar suas causas, e certamente havia muito a exigir sua atenção.
Pensei em quantas de nós também vivemos assim. Somos mulheres ocupadas, cercadas de responsabilidades e, muitas vezes, distraídas pelo excesso de coisas que precisamos resolver. Podemos passar o dia inteiro fazendo o que é necessário e, ainda assim, deixar de perceber o que Deus está nos chamando a fazer.
Foi isso que despertou em mim o desejo de parar e ouvir. Em meio a tantos afazeres, precisamos prestar atenção à voz do Senhor.
Dez minutos aos pés de Jesus
Tenho conversado com as mulheres do meu discipulado sobre Maria e Marta e sobre a necessidade de escolher a melhor parte. Percebi que estávamos tão acostumadas a viver ocupadas que já tratávamos nossa distração como algo engraçado. Rimos quando esquecemos uma tarefa porque estávamos fazendo outras três. Mas chega um momento em que precisamos perguntar se esse ritmo ainda nos permite estar atentas a Deus.
Então propus um exercício simples: separar dez minutos do dia para permanecer em silêncio diante do Senhor.
Não era necessário preparar café, escolher um louvor ou reunir várias traduções da Bíblia. O propósito daquele momento era parar. Deixar de organizar mentalmente a rotina, aquietar os pensamentos e estar aos pés de Jesus para ouvir.
Isso é mais difícil do que parece. Sentamos e lembramos que a roupa precisa ser estendida. Voltamos e alguém nos chama. Tentamos nos concentrar, mas surge uma mensagem, uma preocupação ou algo que não podemos esquecer. Até quando conseguimos ficar em silêncio por fora, a mente continua ocupada.
Por isso, o exercício também envolvia deixar nossos pedidos por alguns minutos e começar contemplando a majestade, a beleza e a glória do Senhor. Quando um pensamento sobre as tarefas surgisse, poderíamos voltar nossa atenção a Ele. Havíamos separado aquele tempo para estar com o Pai.
Quando parar se torna difícil
Os relatos que recebi mostraram o quanto precisávamos daquele exercício. Uma das mulheres tentou ficar em silêncio pela manhã e não conseguiu. Tentou de novo à tarde. Pensou que seria mais fácil à noite, depois que todos dormissem, mas acabou adormecendo também.
No dia seguinte, a agitação começou cedo. Havia celular, tarefas e pessoas precisando dela. Até que decidiu sair de casa e sentar no carro para ter seus dez minutos. Ela mesma se surpreendeu com a dificuldade de parar por tão pouco tempo e permanecer diante de Deus.
Outras mulheres também perceberam como qualquer necessidade parecia surgir assim que se sentavam. O exercício revelou algo que nossa rotina costuma esconder: ocupamos cada espaço do dia e levamos essa agitação até para os momentos em que desejamos ouvir o Senhor.
Eu também comecei esperando uma ocasião ideal. Mas meus momentos mais preciosos com Deus aconteceram justamente nos dias movimentados, com a casa cheia, mensagens chegando e responsabilidades à minha espera. Precisei decidir que permaneceria ali durante aqueles minutos.
Em uma dessas ocasiões, enquanto tentava silenciar os pensamentos, senti-me pequena e sozinha. Perguntei ao Pai se Ele via que eu estava ali. Então percebi um aroma de flor, inesperado naquele lugar. Aquilo me levou às lágrimas e me fez reconhecer Seu cuidado. Deus também nos encontra no meio da rotina, quando escolhemos nos voltar para Ele.
O chamado alcança mulheres que já estão ocupadas
Voltei a pensar em Débora. A Bíblia a apresenta como juíza em Israel. Ela tinha uma responsabilidade diante do povo. Por isso, quando penso em seu levantar, não imagino uma mulher aguardando sem nada para fazer.
Também não preciso supor que ela estivesse negligenciando seu chamado anterior. A questão que sua história coloca diante de nós é outra: podemos estar cumprindo muitas responsabilidades e, ainda assim, precisar responder ao que Deus nos chama a fazer agora.
Às vezes, esperamos algo extraordinário antes de agir. Pedimos uma confirmação, depois outra, enquanto uma necessidade já está diante dos nossos olhos. Precisamos levar essas coisas à presença do Senhor e ouvir Sua direção.
Há mulheres que esperam pelo momento de se levantar. Há outras que estão tão ocupadas que já não conseguem perceber o chamado. Nós também precisamos ajudar umas às outras a despertar.
O peso dos nossos muitos papéis
Se escrevêssemos tudo o que fazemos ao longo de uma semana, talvez nos cansássemos apenas de ler a lista. Há mulheres que trabalham fora e cuidam da casa, dos filhos, do casamento e dos pais. Muitas acompanham compromissos, percebem quando alguém adoece e procuram manter a rotina funcionando enquanto atendem às exigências da profissão.
Vivemos também sob muitas expectativas. Espera-se que sejamos capazes de dar conta de tudo e que continuemos disponíveis para a próxima demanda. Em meio a essa pressão, podemos perder a atenção ao Senhor e às pessoas que Ele colocou diante de nós.
Não podemos permitir que os afazeres ocupem todo o nosso olhar. É em meio à vida que temos que precisamos ouvir a Deus e reconhecer a responsabilidade que Ele nos confiou nesta geração.
O Senhor nos chama no meio do cotidiano
Nosso cotidiano não está separado daquilo que Deus deseja fazer. Enquanto trabalhamos, preparamos uma refeição ou cuidamos dos filhos, podemos manter o coração voltado para Ele. Podemos orar por nossa casa, pelas mulheres brasileiras, por nossas cidades e pelo Brasil.
Também precisamos separar momentos para parar e ouvir. Quando fazemos isso, percebemos com mais clareza o que merece nossa atenção e o que vinha apenas nos mantendo ocupadas.
Já me perguntaram se ainda tenho esperança em um Brasil melhor. Tenho. Escolho não entregar meus pensamentos ao pessimismo. Vejo as dificuldades do país, mas continuo crendo que devemos orar por ele, pelas famílias e pelas pessoas que exercem autoridade.
Nosso clamor alcança os municípios, as cidades e as instituições. Podemos orar pelo Legislativo, pelo Judiciário, pelo Executivo e por quem toma decisões que afetam a vida de tantas pessoas. Podemos pedir que o Senhor levante mulheres atentas à Sua voz em cada lugar onde elas estão.
Mulheres cuidadas por Deus que se levantam por sua geração
Muitas mulheres atravessam dias de cansaço, ansiedade e dor. Não quero ignorar isso ao falar sobre se levantar. Precisamos ser honestas sobre o que vivemos, buscar ajuda quando necessário e permitir que outras pessoas caminhem conosco.
Talvez, enquanto respondemos ao chamado de Deus, também estejamos sendo cuidadas por Ele. Podemos nos aproximar do Senhor com nossos pensamentos confusos, nossas preocupações e aquilo que já não conseguimos carregar sozinhas. Diante d’Ele, aprendemos a ouvir novamente.
Débora se levantou como mãe em Israel. Hoje, desejo ver mulheres se levantando em oração por suas casas e pelo Brasil, com os olhos atentos também às próximas gerações. Quero ver nossas autoridades agindo com justiça e temor do Senhor. Quero ver famílias alcançadas por Sua presença e pessoas reconhecendo que Jesus Cristo é Senhor.
Por isso, podemos nos reunir para orar. Mulheres de diferentes igrejas podem conversar com suas pastoras, chamar outras mulheres e perseverar em intercessão pela nação. Há lugar para cada uma nessa oração, em sua comunidade e em sua cidade.
Também penso na herança que deixaremos aos nossos filhos. Que país receberão? Que testemunho encontrarão em nossas casas? Não sabemos tudo o que veremos acontecer em nossa geração, mas podemos ser fiéis ao que Deus colocou em nossas mãos.
Levante-se por sua casa
Comece ouvindo o Senhor. Separe tempo para estar em Sua presença, mesmo que sua rotina esteja cheia. Apresente a Ele sua casa, seus filhos, sua família e aquilo que tem pesado em seu coração. Peça discernimento para reconhecer o que precisa ser feito.
E, ao orar pelo Brasil, lembre-se de que essa oração começa também nos lugares que Deus confiou a você.
Pai, obrigada porque o Senhor ouve Suas filhas. Conhece a rotina de cada mulher, suas responsabilidades, seu cansaço e as preocupações que muitas vezes ela não consegue compartilhar.
Ensina-nos a aquietar o coração diante de Ti. Em meio a tantas vozes, queremos reconhecer a Sua. Não permitas que a desesperança nos afaste da oração nem que os afazeres nos impeçam de perceber o Seu chamado.
Nós nos colocamos diante de Ti por nossas casas, nossos filhos, nossas famílias e por esta geração. Oramos também pelo Brasil, por nossas cidades e por aqueles que exercem autoridade. Tem misericórdia da nossa nação e conduz-nos segundo a Tua vontade.
Como Débora, queremos ouvir e responder. Desperta-nos para aquilo que o Senhor confiou às nossas mãos e ajuda-nos a levantar outras mulheres. Que nossa voz permaneça em oração e que nossa vida seja fiel ao que ouvimos de Ti.
Em nome de Jesus. Amém.
