Até que eu me levantei para dar suprimento a essa nação

QUANDO UMA MÃE SE LEVANTA, UMA GERAÇÃO É ALIMENTADA

Outro dia, uma amiga me perguntou se eu poderia adiantar o horário de uma live. Respondi que naquele momento estaria fazendo comida. Ela brincou: “Então você já pode falar: ‘Até que eu me levantei e fui fazer comida’”.

Aquilo ficou na minha cabeça. Naquele dia, eu havia levantado às cinco e dez da manhã para preparar o almoço, porque todos os dias deixo a comida pronta para os meus filhos. Enquanto cozinhava, comecei a pensar no tema que havíamos abordado na Conferência Modeladas: “Até que eu me levantei”.

Percebi que aquilo também era se levantar como mãe. É deixar o suprimento, preparar o alimento. E nem sempre esse alimento é comida. Quando oramos e intercedemos, também estamos preparando um suprimento. Podemos alimentar nossa casa, nossa geração e até nossa nação com aquilo que carregamos.

Naquela manhã, cinco amigas da minha filha iriam almoçar em casa. Eu não estaria lá no horário, porque estaria no escritório, mas deixaria a comida pronta. Quando minha filha diz que as amigas vão almoçar conosco, eu já sei o que preparar: estrogonofe, porque é o que elas gostam.

Enquanto fazia aquela comida, pensei que nem sempre vamos alimentar apenas os nossos. Existem pessoas que podemos alcançar mesmo quando não estamos fisicamente presentes. Eu nem estaria em casa quando aquelas meninas se sentassem à mesa, mas o alimento estaria preparado. Às vezes, não temos dimensão de quantas pessoas podemos tocar e abraçar, mesmo de longe.

1 LEVANTAR-SE É PREPARAR SUPRIMENTO

Durante os dias da Conferência Modeladas, passei alguns dias fora de casa. Saí na quarta-feira e só voltei no sábado à noite, já entrando pela madrugada de domingo. Antes de sair, preparei comida para deixar em casa.

Essa é uma realidade muito comum para nós, mulheres. Estamos constantemente pensando no que precisa ficar pronto, no que precisa ser organizado e no suprimento de quem está ao nosso redor.

Naquela manhã em que preparava o estrogonofe, fui procurar uma tábua de que gosto muito e não a encontrei. Procurei por todos os lados, sem saber onde alguém havia guardado. No fim, peguei outra tábua e cortei o frango nela. Não era a tábua que eu queria, mas havia algo que precisava ser feito.

Aquilo também falou comigo. Quantas vezes nós, mulheres, precisamos improvisar e fazer o que precisa ser feito sem ter exatamente aquilo que gostaríamos de ter?

Nem sempre será como desejamos. Nem sempre teremos as condições ideais, o horário preferido ou os recursos que gostaríamos. Mas existem momentos em que a questão principal não é como faremos. A questão é que precisamos nos envolver.

Eu precisava cortar o frango, preparar o almoço e deixar a comida pronta. A maneira poderia não ser exatamente aquela de que eu gostava, mas o alimento precisava chegar à mesa.

Pensei nisso também enquanto fazíamos aquelas lives. Talvez alguém preferisse falar às seis da tarde, enquanto outra precisaria estar disponível às seis da manhã. Uma faria no início do dia, outra no final. Cada mulher teria uma rotina e uma maneira diferente. Não era apenas sobre o horário de que gostávamos. Estávamos ali para fazer algo e oferecer alimento.

Foi assim que compreendi ainda mais aquele chamado da Modeladas: “Até que eu me levantei”. Eu me levantei para quê? Para dar suprimento, alimentar e interceder.

2 O SUPRIMENTO VAI ALÉM DA NOSSA CASA

Daqui a pouco, como mãe, eu vou acordar meus filhos. Na minha casa, se eu não os acordar, eles não acordam. Isso também me fez pensar no papel de uma mãe. Uma mãe não apenas alimenta. Muitas vezes, ela também acorda.

Talvez seja exatamente isso que precisamos fazer neste tempo: preparar alimento e acordar aqueles que estão dormindo. Existem pessoas que adormeceram na desistência. Pessoas que dizem: “O Brasil não tem jeito”, “Minha casa não tem jeito”, “Meu casamento não tem jeito” ou “Minha família não tem jeito”. Algumas já se tornaram apáticas porque deixaram de acreditar que alguma coisa pode mudar.

É nesse lugar que podemos chegar e dizer: “Levanta. Tem café na mesa, tem comida na mesa. Vamos nos alimentar”.

E qual é o alimento? É aquilo que eu e você temos preparado. Pode ser uma palavra de ânimo, de esperança ou de fé. Pode ser estender a mão para alguém e dizer: “Vamos, eu vou te dar a mão. Nós vamos sair dessa”. Pode ser uma oração, uma mensagem ou uma atitude que devolva esperança a quem já estava desistindo.

Isso não começa apenas em uma dimensão nacional. Começa dentro da nossa casa, nas famílias, nos casamentos, na relação entre pais e filhos, ao redor da mesa e até na beira do fogão.

Eu amo esse lugar de preparar comida. Também gosto de cuidar da minha casa. Certa vez, em um dia de culto no campus onde sou pastora, decidi permanecer em casa porque era a única noite que eu teria disponível para cuidar dela. Um querido que trabalha comigo disse: “Te vejo à noite”. Respondi: “Você não vai me ver. Preciso cuidar da minha casa, lavar e arrumar”.

Naquela noite, lavei roupas, banheiro, casa e área. Quando meu marido voltou da igreja, eu havia terminado aquilo que precisava fazer. Esse é um dos lugares onde o Senhor mais fala comigo.

Há algo muito significativo em compreender que nossa vida prepara um ambiente para aqueles que estão próximos de nós. Enquanto cuidamos da casa, preparamos comida, servimos uma mesa ou realizamos aquilo que parece comum, nossa vida também está comunicando alguma coisa. Precisamos estar nesse lugar de cuidado e cura dentro do nosso lar para preparar alimento para a nossa geração.

3 A MÃE QUE ALIMENTA UMA GERAÇÃO

Quando digo “até que eu me levantei”, penso também em como me levantei. Eu me levantei como intercessora, e a intercessão é um alimento para esta geração. Eu me levantei como mãe, e a mãe alimenta.

A imagem da maternidade está profundamente relacionada à nutrição. A criança sente fome e procura alimento. Desde os primeiros momentos da vida, existe essa imagem tão forte da mãe que amamenta, nutre e oferece aquilo de que o filho precisa para crescer.

Foi pensando nisso que compreendi o chamado para o jejum e para a oração como a resposta de mães que ouviram o clamor de uma nação. É como se uma geração estivesse dizendo: “Mãe, eu estou com fome”.

Nós, mulheres, carregamos essa capacidade de nutrir e podemos oferecer à nossa geração aquilo que recebemos de Deus. Quando falo em amamentar uma geração, estou usando uma metáfora para falar desse lugar de oferecer alimento espiritual àqueles que estão ao nosso redor. Podemos nutrir com a Palavra, com oração, com intercessão, com fé e com aquilo que Deus colocou em nós.

Eu vejo isso dentro da minha própria casa. Todos os dias, durante o ano inteiro, vejo meu marido fazendo suas lives enquanto estou preparando comida. Ele está ali lendo a Bíblia e nutrindo pessoas com a Palavra. Já houve dias em que começou uma live às quatro e vinte da manhã e outra às cinco e vinte.

Nas madrugadas, minha casa é tomada pela leitura da Palavra. Meus filhos acordam ouvindo a voz do pai lendo a Bíblia. Para mim, isso é nutrição.

4 O ALIMENTO PODE CHEGAR ONDE VOCÊ ESTÁ

Como mulheres que decidiram se levantar nesta geração, precisamos desejar que pessoas acordem ouvindo a Palavra, recebendo oração e sendo alcançadas pela intercessão.

Isso não significa que todas precisam fazer uma live. Talvez você esteja dentro de uma sala de aula, em um escritório, dentro de casa, visitando uma amiga ou conversando com alguém pelo WhatsApp. Você pode nutrir alguém a partir do lugar onde já está.

A questão é decidir participar e dizer: “Eu quero fazer parte dessa nutrição. Eu quero fazer parte das que se levantaram como mães nesta nação”. Então, você se levanta onde está e decide que tipo de mãe será.

5 DOIS TIPOS DE MÃE

Em Juízes 5, encontramos duas imagens maternas muito diferentes. Débora declara que se levantou como “mãe em Israel”. Ela se coloca em uma posição de liderança em um momento em que o povo precisava de direção, mobilização e resposta.

Mais adiante no mesmo cântico, aparece outra mãe: a mãe de Sísera. Da janela, ela espera o retorno do filho e imagina que a demora talvez aconteça porque ele e seus homens estariam repartindo os despojos da guerra, incluindo mulheres capturadas.

São duas imagens muito diferentes dentro do mesmo capítulo. Débora se levanta em favor de Israel. A mãe de Sísera espera o retorno daquele que participava da opressão do povo.

Isso nos coloca diante de uma pergunta importante: que tipo de mãe estou me levantando para ser?

Não se trata apenas da maternidade biológica. Estamos falando de uma postura diante da geração que está ao nosso redor. Podemos nos levantar para nutrir, despertar, interceder e servir.

6 A PALAVRA É O ALIMENTO

Existe um princípio importante na orientação que Deus deu ao seu povo durante o exílio:

“Orem pela prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela” (Jeremias 29.7).

Existe um chamado para orar pelo lugar onde Deus nos colocou. É por isso que continuo crendo no valor de nos levantarmos em oração pela nossa nação. Enquanto intercedemos, também estamos preparando alimento.

Estamos nos colocando diante de Deus por nossa casa, nossa família, nossa geração e nossa nação. Talvez, em alguns dias, isso aconteça diante de muitas pessoas. Em outros, enquanto você prepara o almoço, limpa a casa, acorda seus filhos ou envia uma mensagem para alguém.

O lugar e a forma podem mudar. Nem sempre teremos a tábua que gostaríamos, mas podemos continuar preparando o alimento.

Foi isso que compreendi naquela manhã, diante de uma panela de estrogonofe: levantar-se como mãe também é decidir que aqueles que Deus colocou ao nosso alcance encontrarão suprimento.

Até que eu me levantei como mãe.