Ceia do Senhor: o significado dos quatro cálices da Páscoa e a mesa da comunhão

Ceia do Senhor - Discernindo a Mesa da Comunhão | JB Carvalho — thumbnail do vídeo

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão, e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha. Pelo que, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Prove-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para si mesmo o juízo, não discernindo o corpo do Senhor.

1 Coríntios 11.23-29 (ACF)

Por causa disso, há entre nós muitos fracos e doentes e muitos que dormem. Se, porém, nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Quando, porém, somos julgados, somos disciplinados pelo Senhor para não sermos condenados com o mundo. Portanto, quando nos reunimos para comer, esperamos uns pelos outros. A ceia do Senhor, a mesa da comunhão, é um ritual de aliança de sangue. E é o mais alto nível de aliança que alguém pode ter.

Uma aliança de sangue chamada festa do amor

No tempo apostólico, essas ceias eram chamadas de festas ágapes, festas de amor. Os primeiros cristãos não chamavam a ceia de eucaristia, mas de coinonia, de participação, de comunhão. O termo eucaristia só vai surgir no segundo século. A ceia nasce no contexto de aliança, aliança de sangue. Jesus, ao partir o pão e erguer o cálice, usou os símbolos centrais da aliança semítica, as antigas alianças dos descendentes de Sem, de onde vieram os judeus: o pão e o vinho.

Cerca de 2150 anos antes de Cristo houve um episódio que alguns pais da igreja chamam de a primeira figura eucarística do Antigo Testamento. Ireneu de Lyon, Justino Mártir, Orígenes viram no encontro de Abraão com Melquisedeque o protótipo da ceia do Senhor. Justino Mártir escreveu que Melquisedeque prefigurou a ceia, oferecendo pão e vinho em sinal do sacrifício eterno que Cristo cumpriria. É o ponto onde a teologia da aliança, o sacerdócio eterno e o pão e o vinho se encontram.

Melquisedeque: o sacerdote sem genealogia

E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra. E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dízimo de tudo.

Gênesis 14.18-20 (ACF)

Esse é um texto de Gênesis capítulo 14. Estamos no início da história já com a tipologia do que viria a ser o sacrifício de Jesus e daquilo que estamos celebrando aqui. Estamos falando de pelo menos 4150 anos na história, algo que aconteceu há muitíssimo tempo.

Melquisedeque aparece de um modo abrupto. Ele não tem genealogia, não tem descendência, não tem contexto de nenhuma narrativa anterior. O que sabemos sobre ele? O seu nome, Melquisedeque, Malqui Tzedek, significa rei de justiça. Ele é rei de Salém, e Salém significa paz, é a raiz de Jerusalém, fundação da paz. Melquisedeque representa um reino de justiça e de paz. Sem genealogia, sem início de dias, sem fim de dias.

Melquisedeque traz então pão e vinho. Na cultura semita, pão e vinho são elementos da aliança. O pão representa sustento, alegria, sangue, comunhão. Abraão e Melquisedeque selaram uma aliança de bênção. Não há nenhuma espada, apenas um altar, apenas mesa e pão.

O salmo mais citado do Antigo Testamento no Novo

Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.

Salmo 110.4 (ACF)

Essa foi a declaração de Davi sobre o encontro de Melquisedeque com Abraão. Foi um dos salmos mais citados pelo cristianismo primitivo para provar a messianidade de Jesus. Na verdade, o Salmo 110 é o texto mais citado do Antigo Testamento no Novo Testamento. E o escritor de Hebreus interpreta esse episódio como um encontro que representa Cristo.

Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando este voltava da matança dos reis, e o abençoou, a quem também Abraão deu o dízimo de tudo; e primeiramente é, por interpretação, Rei de justiça, e depois também Rei de Salém, que é Rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.

Hebreus 7.1-3 (ACF)

O texto de Hebreus desenvolve a ideia citando justamente o Salmo 110: “Porque assim testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 7.17, ACF). Melquisedeque abençoa Abraão, mostrando que o seu sacerdócio é superior ao sacerdócio posterior, o sacerdócio de Levi, da tribo de Levi, dos sacrifícios.

Saímos de Gênesis e chegamos agora a Hebreus, quase no final da Bíblia, para mostrar uma história de milênios e aplicar isso dentro daquilo que estamos celebrando hoje na ceia. Jesus não foi um sacerdote levita, mas foi designado diretamente por Deus como um sacerdote de uma linhagem sem início e sem fim, sem começo, sem término.

O precursor que abre caminho

A qual temos como âncora da alma segura e firme, e que penetra até ao interior do véu, onde entrou por nós, como precursor, Jesus, feito Sumo Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

Hebreus 6.19-20 (ACF)

A palavra “precursor”, em grego prodomos, é um termo náutico que significa aquele que vai à frente e prepara passagem segura. Jesus entra antes de nós na presença de Deus, abrindo o caminho para o acesso eterno. Como disse o próprio autor de Hebreus, além do véu, pelo novo e vivo caminho, pelo sangue de Jesus, acheguemo-nos confiadamente perante o trono da graça, a fim de recebermos socorro e graça para ocasião oportuna.

Jesus é o verdadeiro Melquisedeque, rei e sacerdote, que traz pão e traz vinho, não apenas como gesto de amizade, mas como uma oferta de redenção. A Bíblia diz que Abraão lhe entrega o dízimo. Tanto a ceia do Senhor como o dízimo precedem a lei. O pão e o vinho precedem a lei. Antes de Moisés, antes do tabernáculo, antes dos sacrifícios, já havia pão, vinho e sacerdote.

Melquisedeque é a figura do sacerdócio eterno de Jesus. Ele surge sem genealogia, apontando para um sacerdócio eterno e espiritual, não transmitido por herança carnal. Não é mais a tribo de Levi que vai carregar a presença ou a arca. O templo seria destruído no ano 70, Tito destruiria Jerusalém, o templo não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derrubada. E Jesus estava falando sobre a destruição de uma era e o recomeço de outra no seu próprio corpo: destruirei esse templo, em três dias o levantarei outra vez. Ele estava falando do seu corpo. Estamos aqui perante a mesa que representa o corpo, o sangue de Jesus. O pão é o corpo. O vinho representa seu sangue derramado pela causa dos nossos pecados.

O encontro de Abraão e Melquisedeque é a primeira ceia e a primeira bênção sacerdotal messiânica na Bíblia. Melquisedeque abençoa Abraão com pão e com vinho. Cristo abençoa a sua igreja com seu corpo e com seu sangue. São atos de aliança que apontam para a mesma realidade eterna: Deus compartilhando sua vida com o homem. O pão e o vinho são vida compartilhada. Deus está compartilhando a sua vida com a sua igreja. A sua saúde, a sua força, o seu vigor, a sua cura, a sua prosperidade, a sua restauração.

A nova aliança e os quatro cálices da Páscoa

Quase 2200 anos depois do encontro de Abraão e Melquisedeque, Jesus se levantou, levantou o cálice e disse: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue.” O termo nova aliança ecoa de Jeremias 31, onde Deus promete o novo pacto, não escrito em tábuas, mas no coração.

Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que farei um novo concerto com a casa de Israel e com a casa de Judá. Porque este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no interior deles, e a escreverei em seus corações; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.

Jeremias 31.31,33 (ACF)

Em hebraico, berit hadashá, a nova aliança, é o nome dado até hoje ao Novo Testamento nas Bíblias hebraicas modernas. Para Paulo, o altar agora é a mesa e o sacrifício é Jesus. A expressão “mesa do Senhor” era usada nos sacrifícios do templo e nas refeições da aliança, está lá em Malaquias.

Agora, para compreender tudo isso que celebramos por anos, muitas vezes sem entendimento e sem intencionalidade, precisamos entender os quatro cálices da Páscoa. Na época de Jesus, durante a Páscoa, cada família judaica deveria ter quatro cálices na mesa. Até mesmo os pobres deveriam ter esses cálices. A Mishná declara que mesmo o mais pobre em Israel não deve comer até reclinar-se e não deve ter menos de quatro taças de vinho, mesmo que recebidas por caridade.

A ceia é a continuidade espiritual da Páscoa, só que agora centrada em Cristo, que representa o cordeiro que foi imolado em Êxodo. Uma das chaves simbólicas mais profundas para compreender esse momento são essas quatro taças da Páscoa judaica. Durante o Seder Pêssach, a cerimônia, a refeição ritual da Páscoa, os judeus bebem quatro taças de vinho. Essas taças não são simples gestos cerimoniais. Cada uma representa uma promessa redentora de Deus pronunciada a Moisés em Êxodo capítulo 6.

Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, e vos livrarei da sua servidão, e vos resgatarei com braço estendido, e com grandes juízos; e eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios.

Êxodo 6.6-7 (ACF)

Cada verbo da promessa, tirar, livrar, resgatar e tomar, originou uma taça. Essas taças expressam as quatro fases da redenção.

A primeira taça: santificação

“Eu vos tirarei debaixo das cargas do Egito.” É o cálice inicial que representa a separação do povo santo, a escolha divina e a libertação do jugo. Simboliza o início da aliança. É a decisão divina de intervir, o momento em que Deus nos tira do sistema do mundo, do Egito. Corresponde à chamada de cada um de nós, ao arrependimento e à conversão.

A segunda taça: libertação

“Eu vos livrarei da escravidão.” Representa a libertação do cativeiro e o julgamento dos opressores. Esse é o cálice da libertação do pecado e de Satanás. Alguns se converteram e agora estão no seu segundo momento, o de ser liberto do jugo opressor de Satanás. Cristo é o nosso novo Moisés, que nos livra do faraó espiritual.

A terceira taça: redenção

“Eu vos resgatarei com braço estendido e com grandes manifestações de julgamento.” Esse é o tema central e o mais sagrado do Seder, a refeição sagrada da Páscoa. É a bebida feita depois da refeição, acompanhada de um pão partido ao meio. É o resgate através do sangue do cordeiro pascal. Esta é a taça que Jesus levantou na ceia. Não a primeira, não a segunda, não a quarta. A terceira.

“E tomando o cálice, deu graças e o deu aos seus discípulos, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vocês.” Jesus se declara então o cordeiro da redenção. Lembre-se da história: pegava um cordeiro, sacrificava o cordeiro, colocava o sangue nos umbrais, servia para toda a família, era a passagem, o pêssach, da terra da escravidão para a terra da liberdade. Jesus se declara o cordeiro, como João faria posteriormente: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” Ele é o cumprimento de todas as promessas, de todos aqueles sacrifícios, da oferta de manjares, do bode expiatório que levava a culpa para o deserto no Dia da Expiação, que passou agora recentemente, e que colocava o sangue sobre o propiciatório uma vez por ano.

A cruz como o braço estendido

“Eu vos resgatarei com braço estendido.” É a terceira taça. O braço estendido é a cruz. E a cruz é o grande ato de juízo sobre o império das trevas. Precisamos entender um pouco mais sobre o que significa o Calvário. As dez pragas do Egito eram os atos de libertação de Deus contra os opressores, a maneira de fazer o inimigo soltar suas garras e libertar o povo da escravidão.

A cruz foi esse último gesto. Em Êxodo capítulo 12, na última das pragas, Deus disse que ia derrubar de uma só vez todo o panteão dos deuses do Egito, destruir todos aqueles que se afirmam deuses e não são, em um só momento.

Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma sorte nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente em espetáculo, e triunfou deles por ela.

Colossenses 2.14-15 (ACF)

A cruz e a ceia. O terceiro cálice é um ato de julgamento contra todos os poderes que nos infernizam, que nos oprimem, que tentam nos resistir, que tentam nos impedir. Precisamos ser intencionais, ter a percepção do que fazemos cada segundo domingo do mês aqui. Essa é a reunião mais importante de todo o mês. É o dia em que declaramos que na cruz o jugo foi quebrado, foi despedaçado, que o faraó espiritual foi derrotado, que os carros e os cavalos e as carruagens de faraó foram afogados no mar. Deus está nos levando a uma terra de liberdade. Ele nos transportou do império das trevas para o reino do filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Essa é a terceira taça, a taça da redenção.

A quarta taça: a consumação adiada

A quarta taça, a taça da consumação, não era bebida naquela noite. Na ceia, Jesus não a tomou. A afirmação diz: “Eu vos tomarei por meu povo.” É a taça final, bebida após o Hallel, que é a segunda parte dos Salmos 113 a 118. A Bíblia diz que os discípulos cantaram uma canção depois da ceia. Provavelmente estavam cantando salmos, e essa taça representa a plena comunhão com Deus, a restauração completa da aliança e o louvor da redenção consumada.

Jesus não bebeu essa taça na última ceia. Ele interrompeu o ritual dizendo:

Porque vos digo que, desde agora, não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus.

Lucas 22.18 (ACF)

Cristo adiou a quarta taça. Ela é a do louvor final, o banquete das bodas do Cordeiro, a ceia final, porque esse ritual, essa celebração, ainda não terminou. A mensagem é: come o pão, bebe o cálice, até que eu venha beber convosco no reino dos céus. É um anúncio de uma reunião muito maior que vai acontecer na eternidade. Essa quarta taça só será bebida na eternidade, quando ele nos tomar por seu povo para sempre. O Hallel era cantado entre a terceira e a quarta taça, o mesmo cântico que os discípulos entoaram antes de sair para o Getsêmani.

Na ceia, Jesus encerra as três primeiras taças e projeta a quarta para o futuro. Até lá, cada ceia é apenas um ensaio. Estamos aqui ensaiando um memorial do passado e um anúncio para o futuro. Todas as vezes que comerdes esse pão e beberdes esse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha.

Coinonia: participação, não ritual mecânico

Depois dessa introdução, a mesa do Senhor é a comunhão com o sangue de Cristo e com o seu corpo. Como disse Paulo, porventura o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Você tem consciência do que está fazendo nessa mesa?

Note a expressão: o cálice da bênção, comunhão, o cálice da comunhão. A palavra comunhão é coinonia, que é participação, compartilhamento de vida, denota uma relação viva e não apenas um ritual mecânico. Não é mera lembrança, mas participação espiritual no corpo e no sangue de Jesus.

Na faculdade de teologia se discute severamente sobre Jesus, quem ele é, sua divindade e todos os aspectos que envolvem sua humanidade e divindade. E a Santa Ceia também é objeto de discussões antigas: transubstanciação, consubstanciação, várias visões que dividiram a igreja por séculos. Mas uma coisa é certa: nos cultos gregos pagãos, coinonia descrevia o ato de participar da mesa dos deuses. Na ceia, estamos participando da mesa do Deus vivo, do Deus altíssimo. Isso não é um ritual vazio que se vem fazer para massagear o próprio ego uma vez por mês. Isso é um ato de vida, é um ato de devoção. É voltarmos 4000 anos atrás e lembrarmos do que Melquisedeque fez com Abraão quando lhe deu pão e vinho e o abençoou, e Abraão entregou o seu dízimo.

Elion: o nome que Melquisedeque usou para abençoar

Melquisedeque, segundo as Escrituras, antes da lei, antes do templo, antes do sacrifício, era sacerdote de El Elion. Antes de aparecer o nome Yahvé, o YHWH, o tetragrama, “eu sou, eu causo”, Deus era chamado, antes do pacto com os judeus, de Elion, o Deus Altíssimo. Elion é uma das revelações mais sublimes do nome de Deus na história. É o título que Melquisedeque usa para abençoar Abraão.

Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.

Salmo 91.14 (ACF)

É tão importante que você conheça aquilo que está fazendo e não simplesmente participe de um ritual. Tem gente que levanta a mão em um ritual como se estivesse sendo assaltado. Tem gente que faz tudo de uma maneira tão mecânica, tão fria, tão automática. Você tem que colocar vida na sua religião. Você tem que colocar vida na sua adoração. Você tem que colocar vida no seu culto. Você tem que colocar vida na hora de participar do pão e do vinho. Você tem que fazer isso com intencionalidade. Você tem que fazer isso com alegria. Você tem que fazer isso com discernimento. Você tem que fazer isso com compreensão.

Elion descreve Deus em sua supremacia universal. A palavra significa o Deus que está acima de todos os poderes. É a forma mais antiga do nome genérico de Deus entre os povos semitas. Vem da raiz força, poder, autoridade, e designa aquele que é forte e digno de confiança, o Deus que age com poder real. El aparece em nomes compostos.

El Shadai, o Deus Todo-poderoso, ou o Deus mais que o bastante, aparece em Gênesis 17, quando Deus se apresenta a Abraão:

Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda em minha presença, e sê perfeito.

Gênesis 17.1 (ACF)

Eu não sou o Deus que pinga, que conta gotas para te abençoar. Eu sou o Deus que derrama. Eu sou o Deus que criou esse vasto universo. Eu sou um Deus abundante que faz o seu cálice transbordar. Eu sou um Deus que está a ponto de te abençoar se você acreditar que eu quero e que eu vou fazer isso.

El Roi, é aquele que vê, aparece no episódio de Ismael. Deus tem uma bênção para todo mundo. Se Deus tem uma bênção para Isaque, Deus tem uma bênção para Ismael. Deus viu o menino chorando, e a Bíblia diz que ele é o Deus que vê. Deus está vendo. Deus está vendo o sofrimento. E Deus tem uma bênção para todos nós. Ele aparece também como El Olam, o Deus eterno, ou como El Betel, o Deus da casa de Deus.

Elion vem da raiz hebraica subir, elevar, ascender. Significa literalmente o Altíssimo, aquele que está acima de todos, o supremo. Tem gente que se acha, e Deus vai dizer a ele: “Eu sou de fato o supremo, sai da minha frente.” Elion significa o Deus Altíssimo, o Senhor dos céus e da terra. Ele é o dono de tudo, aquele que está acima de todas as potestades, tronos, deuses e reinos.

A bênção de Melquisedeque a Abraão vem do Deus soberano sobre todas as nações, sobre todo o cosmos. É ele quem designa os limites e as geografias dos povos. Quando aparecem nomes de Deus na Bíblia, é preciso entender o que Deus está fazendo ali, porque Deus tem um nome, mas tem alguns sobrenomes, e cada expressão dos nomes divinos representa o atributo de Deus que está em manifestação naquele momento. Como disse Paulo sobre o Espírito Santo, um só é o Espírito, mas várias são as suas manifestações.

Se as pessoas estão doentes, ele é Yahweh Rafá, o Senhor que sara. Se as pessoas estão angustiadas e desesperadas, ele é Yahweh Shalom, o Senhor, a nossa paz. E se você precisa dele por perto, ele é o Senhor que está presente. Ele não está tão longe. Nunca te deixarei, jamais te abandonarei. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. Algumas pessoas estão buscando um Deus tão distante quando ele está tão perto. É quando Jesus fala que ele está entre nós e está dentro de nós. Quando você nasce de novo, o Espírito Santo vem morar em você. Cristo em você é a esperança da glória. Maior é o que está em você do que aquele que está no mundo.

Aquele que habita no esconderijo de Elion, do Altíssimo, à sombra de El Shadai descansará. Você vai ver em versículos vários nomes de Deus, e cada um deles representa um tipo de ação de Deus que ele por fazer, está fazendo ou vai fazer. Quando você entende quem é o Altíssimo, você passa a andar sobre essa frequência de que ele é quem estabelece os limites e as geografias dos povos, conforme Deuteronômio.

Quando o Altíssimo distribuiu as heranças às nações, quando dividiu os filhos de Adão, pôs os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel.

Deuteronômio 32.8 (ACF)

Ele é o soberano sobre os povos que estabelece as destinações e as fronteiras das nações. É ele quem está no comando. Os inimigos, os demônios, podem parecer que estão no controle em algum momento, mas o mal é limitado e ele não é sólido. Ele vai derreter. Os poderes que se erguem e tentam se colocar como altos, sublimes, vão sucumbir diante daquele que é mais alto, que é mais sublime, que é elevado, que é o Altíssimo sobre todos os poderes.

Louvarei ao Senhor segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor altíssimo.

Salmo 7.17 (ACF)

No Salmo 97, o salmista faz um contraste entre Elion e os ídolos das nações:

Porque tu, Senhor, és Altíssimo sobre toda a terra: tu és muito exaltado sobre todos os deuses.

Salmo 97.9 (ACF)

Nabucodonosor diante do Altíssimo

Em Daniel capítulo 4, Nabucodonosor vai se encontrar cara a cara com o Altíssimo, como todo déspota, como todo tirano vai encontrar alguém mais alto do que ele, alguém superior a ele. E é isso que a Bíblia mostra. Ele reconhece que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens. Quem está falando? Nabucodonosor, o que fazia a casa das pessoas em monturo, o que tinha a última palavra, o que declarava vida ou morte sobre as pessoas. Assim é Elion, o nome de Deus entre as nações gentílicas, mostrando que ele governa até mesmo sobre os impérios pagãos.

Isso está sendo escrito pelo doido, agora convertido. Deus vai converter alguns doidos aqui essa manhã, Deus vai converter os doidos aqui do Brasil.

Ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e voltou a mim o meu entendimento; e eu bendisse ao Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive eternamente, cujo domínio é um domínio eterno, e o seu reino de geração em geração. E todos os moradores da terra são reputados como nada; e conforme a sua vontade ele opera no exército do céu, e nos moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?

Daniel 4.34-35 (ACF)

Ele está dizendo: eu sou uma página na história, ele é a história inteira. E o salmista diz que Deus vai zombar dos que conspiram contra ele:

Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntamente conspiram contra o Senhor, e contra o seu ungido… Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.

Salmo 2.2,4 (ACF)

Enquanto você está desesperado com relação ao Brasil, angustiado com tudo que está acontecendo, Deus já sabe que tem algo preparado ali na frente. Tem uma curva na história, tem um momento de encontro, tem uma página nova que vai entrar. O Brasil vai entrar numa página nova. As nações entrarão numa página nova. E a boa notícia é que você vai viver para ver isso acontecer.

Nabucodonosor continua o relato: logo lhe tornou a vir o entendimento, também a dignidade do seu reino, sua majestade e seu resplendor. Buscaram-no os seus conselheiros e os seus grandes, foi restabelecido ao seu reino, e a ele se ajuntou extraordinária grandeza. Mas veja como ele termina: “Pois eu, o doido, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do Céu, porque todas as suas obras são verdadeiras e os seus caminhos justos, e pode humilhar aos que andam na soberba.”

Elion é o nome com que ele era adorado antes do Sinai, antes da lei, antes de Israel. Em Melquisedeque, Elion vem com pão e com vinho. Melquisedeque oferece em nome de El Elion pão e vinho aos homens. Em Cristo, o próprio Elion se faz pão e vinho pelos homens. Na profecia do anjo Gabriel à Maria, ele será chamado filho do Altíssimo.

Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai.

Lucas 1.32 (ACF)

O Deus Altíssimo desce da eternidade para a mesa, e a mesa se torna o lugar onde os céus e a terra se encontram. Jesus. O mesmo Deus que abençoou Abraão em Salém é o mesmo que nos abençoa hoje na ceia, onde o Elion se manifesta na comunhão.

A mesa preparada diante dos inimigos

Há coisas que parecem mais altas, há situações que parecem superiores, mas hoje se libera uma bênção daquele que é superior aos superiores, uma palavra de superação das dificuldades, das limitações. Ao pegar o terceiro cálice e o segundo pão, invocamos os atos de juízo que acompanham a celebração desse momento.

Não há como medir as implicações do que é participar dessa mesa, a mesa preparada na presença dos nossos inimigos. Na próxima vez que você ler a Bíblia, não leia da maneira como leu antes. A mesa é o altar onde o pacto é celebrado e onde temos comunhão com a vida, com a vitória e com todas as atribuições que Deus nos oferece por aquilo que Cristo passou por nós naquela cruz. É o terceiro cálice, é o segundo pão.

Para acompanhar essa ministração na íntegra, com todos os detalhes da mensagem sobre a Ceia do Senhor, assista ao vídeo completo e ouça também o episódio no podcast pessoal de Bispo JB Carvalho.