A vitória é composta antes da batalha: reflexão sobre Apocalipse 15.2
Não esperamos o fim da guerra para levantar as mãos. Não guardamos a adoração para o dia em que tudo estiver resolvido. Celebramos agora, porque a vitória não nasce depois da batalha, ela é composta durante ela.
O devocional de hoje parte de Apocalipse 15.2, um texto que descreve uma cena curiosa: vencedores em pé, com harpas nas mãos, adorando a Deus junto a um mar de vidro misturado com fogo. O detalhe importante é a ordem dos acontecimentos. Esses vencedores aparecem cantando antes da consumação final, antes do derramamento das últimas taças de juízo. A vitória já está sendo celebrada enquanto a história ainda caminha para seu desfecho.
E vi como que um mar de vidro misturado com fogo; e os que tinham alcançado vitória sobre a besta, e sobre a sua imagem, e sobre o seu sinal, e sobre o número do seu nome, estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus.
Apocalipse 15.2 (ACF)
A vitória começa antes de ser vista
Costumamos inverter essa lógica. Esperamos a porta abrir para agradecer. Esperamos a batalha terminar para adorar. Apocalipse mostra o contrário: os vencedores adoram enquanto tudo ainda está em movimento, enquanto o conflito ainda não chegou ao seu ponto final. Isso muda a forma como encaramos as pressões, as crises e as incertezas de hoje. A circunstância pode continuar difícil, mas a posição de quem está em Deus não precisa se mover junto com ela. É possível estar no meio de uma batalha real sem pertencer à derrota que ela tenta impor.
A adoração muda a perspectiva
O cântico dos vencedores não começa descrevendo o tamanho do problema. Começa descrevendo quem Deus é: grandes e admiráveis são as suas obras, justos e verdadeiros são os seus caminhos. Essa é a virada que a adoração provoca. Ela não nega a batalha, mas desloca o olhar do tamanho do conflito para o tamanho de Deus. Mesmo quando tudo parece fora de controle, o texto apresenta um Deus que continua soberano, que segue governando as nações, a economia e a história. Vitória, nesse sentido, não é ausência de guerra. É permanecer fiel enquanto ela ainda acontece. Há momentos em que Deus não remove a luta de imediato, mas concede graça suficiente para permanecer de pé dentro dela.
Cristo é o centro dessa vitória
O cântico é chamado de cântico de Moisés e do Cordeiro. Moisés representa o Deus que abriu caminho no Mar Vermelho e libertou um povo de uma impossibilidade concreta. O Cordeiro representa a redenção completada em Cristo. As duas referências apontam para a mesma verdade: o Deus que abriu mar continua sendo o Deus que conduz através das impossibilidades de hoje. Adorar antes da resposta chegar é uma forma de declarar fé. É dizer, em meio à dificuldade, que a situação não é maior do que Deus, e que a fidelidade de quem crê não depende de as circunstâncias já estarem resolvidas.
Essa mesma confiança aparece quando o salmista levanta os olhos para os montes buscando socorro.
Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro. O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.
Salmos 121.1-2 (ACF)
Celebrar antes da vitória plena não é ingenuidade, é confiança de que o socorro já está em movimento. E se a pergunta que resta é sobre quem pode se opor a esse Deus, a resposta já foi dada.
Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Romanos 8.31 (ACF)
Quem aprende a adorar durante a batalha não é destruído por ela. Sai dela com um cântico de vitória.
Não abandone a harpa. Adorar hoje, em meio à luta, é a forma mais concreta de declarar de quem você pertence.
Assista ao devocional completo com Ronaldo Chaves para se aprofundar nessa palavra.
