A Mãe que o Mundo Quer Calar

Julyana Cayado ministrando no Modeladas Mais 2026
Julyana Cayado ministra sobre maternidade no Modeladas Mais 2026, no dia do lançamento do livro “A Mãe que o Mundo Quer Calar”.

Senhor, obrigada por essa oportunidade. Fale aos nossos corações, ministre aquilo que muitas vezes a gente ainda não consegue ver. Senhor, faça como o cego falou para Jesus uma vez: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim e abre os meus olhos. Abre os nossos olhos para que a gente possa ver de verdade tudo aquilo que a gente precisa mudar, mexer, pedir perdão, se arrepender. Fala conosco, Senhor. Me usa apesar de mim, através de mim. Em nome de Jesus, eu Te agradeço. Amém.

Julyana Cayado segura o livro A Mãe que o Mundo Quer Calar no Modeladas Mais 2026
Julyana Cayado ministrando no Modeladas Mais 2026.

Débora parava, e por isso estava disponível

Já tinham desistido os camponeses de Israel; já tinham desistido, até que eu, Débora, me levantei. Eu me levantei como mãe em Israel.
Juízes 5.7

A conferência inteira está falando de Débora, e Juízes 5.7 fala sobre maternidade.

A Palavra de Deus diz que Débora era profetisa, esposa de Lapidote, mas não fala que ela era mãe. Só aqui, depois que ela se levantou, depois que tudo aconteceu, no cântico dela, é que aparece: levantou-se uma mãe em Israel. E eu quero entender que o Senhor tem para nós a mensagem de que a gente precisa se posicionar.

Débora parava para trazer resposta na tamareira. Ela parava para ouvir e para responder. Nossos filhos não conseguem nos encontrar, não sabem onde nós estamos, porque nós estamos correndo demais, agitadas demais, então eles não têm acesso à gente. Débora estava na tamareira dela, então ela estava disponível. Muitas de nós não estão. Na realidade, até acham que estão, mas os filhos não sabem disso. Nem quando, nem como.

E tem uma coisa importante que eu quero repetir: Débora resolvia as questões, mas Débora era profetisa, e profetisa é boca de Deus. Então, com certeza, a resposta dela era “assim diz o Senhor”. Só que, antes de dar uma resposta, ela precisava ouvir qual era a questão. Nós, mães, precisamos dar muitas respostas todos os dias. Precisamos decidir todos os dias: é ou não é, vai ou não vai, pode ou não pode, deixo ou não deixo. Todos os dias, independente da idade. Eu criei sete, mas a minha sétima está com 11 anos e eu nunca criei uma Bia com 11 anos. Eu criei uma Carol com 11 anos, uma Duda com 11 anos. A gente passa por desafios todos os dias.

Nós conhecemos os nossos filhos? Nós estamos tendo tempo para caminhar com eles, para ouvir a dor deles, para que a gente possa ouvir do Senhor a resposta, o posicionamento, o que a gente precisa fazer?

Quem tem que causar o primeiro sofrimento somos nós

Nós estamos com dificuldade de nos levantar porque estamos amarradas a conceitos, a percepções de perfeição, a um lugar em que a gente entende que qualquer atitude nossa um pouco diferente vai traumatizar filho. Então a gente dá e tira, a gente diz não e desiste, porque nós estamos o tempo inteiro com medo de causar sofrimento.

Deixa eu contar uma coisa para você: quem tem que causar o primeiro sofrimento para os nossos filhos somos nós. Não dou, não compro, não vai, não deixo. Esse é o nosso papel. Mas, se a gente não entende isso, a gente está o tempo inteiro entendendo a maternidade errado. A gente entende que maternar é impedir sofrimento de filho e passa a vida tentando salvar os nossos filhos das dificuldades que muitas vezes o Senhor coloca nos filhos dele, porque eles não são nossos, para que eles possam crescer, amadurecer e estar prontos para viver o propósito deles. E nós os impedimos.

O Senhor não está dando mais gravetinho para a gente. As flechas estão vindo bem robustas para a gente moldar esses filhos. Por quê? Porque o Reino precisa de crianças e de adultos fortes, posicionados cada vez mais. Vocês não vão receber gravetinhos fáceis de lidar. São crianças posicionadas, fortes, que precisam de Déboras, de mulheres que se levantem para dizer isso sim, isso não, para que a gente possa moldar esses meninos para um futuro com Deus.

Maria não podia salvar Jesus do propósito dele

O pai e a mãe do menino estavam admirados com o que fora dito a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe de Jesus: Este menino está destinado a causar a queda e o levantamento de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição, de modo que os pensamentos do coração de muitos sejam revelados. Quanto a você, uma espada atravessará a sua alma.
Lucas 2.33-35

Esse trecho, como mãe, mexe comigo. Jesus está sendo apresentado no templo, José e Maria estão lá, e ela escuta essa palavra. Maria sabia o que Jesus ia passar. Maria não podia fazer nada, nem deveria salvar Jesus do propósito que ele tinha.

A Palavra de Deus diz que Maria guardava tudo em seu coração. Maria era uma mulher serva, obediente. E percebe quantas vezes isso é repetido na Bíblia? Maria guardava tudo no seu coração. Vocês acham que essa palavra, de que uma espada ia atravessar a alma dela, não estava reverberando o tempo inteiro, enquanto Jesus era humilhado, xingado, rejeitado, crucificado? O tempo inteiro isso vinha. Ela foi avisada, mas o que ela poderia fazer? Nada. E a gente acha que a gente tem que fazer.

No dia a dia, durante a nossa vida, nós entendemos que o nosso papel é impedir sofrimento de filho. Estamos criando filhos fracos e, pior, estamos nos cobrando absurdamente do que a gente está fazendo, do que a gente está falando, como se perfeição fosse aquilo que o Senhor quisesse da gente na hora de criar os nossos filhos. Não é perfeição e não é performance, é graça.

A tela está matando mais que faca

Crianças de 7, 8 anos com a tela na mão não é algo que o Senhor gostaria. Deixa eu fazer uma comparação com vocês. Se um filho seu de 2 anos corre no meio do corredor da sua casa com uma faca na mão, você deixa? Você toma. Ele pode dar a birra que for, pode chorar, e você não devolve. Por que a tela você devolve? Está matando mais que faca. Está matando alma, está matando coração.

Eu vou contar um episódio que eu passei com a minha filha. Ela tem 11 hoje, mas, quando tinha 5 anos, por causa das irmãs, ela acessava pelo iPad desenhos fofinhos. Muito fofinhos. Eu olhava e falava: nossa, que fofinho, aquelas bonequinhas. Um dia, no carro, só eu e ela, ela virou e falou assim para mim, chorando:

“Mãe, por que que de vez em quando eu tenho vontade de pegar uma faca na cozinha e matar a minha irmã Carol? Isso não é meu, mamãe, porque eu amo tanto a minha irmã. Eu lembro um dia que estava chovendo e ela me tirou da chuva por causa dos raios. De onde vem isso? Isso não é meu.”

Eu senti o Espírito Santo dizer para eu checar o que ela estava assistindo. Eram vídeos de aparência inofensiva carregando mensagens absurdas. A gente orou, a gente conversou, e a tela dela foi zerada. Minha filha tem 11 anos hoje. Ela assiste? Assiste, na sala. Ela tem telefone? Não. Mas todo mundo tem, e esse é o problema de todo mundo: a gente tem medo de se posicionar naquilo que já sabe que tem que fazer, porque vai dar a birra, o choro, o “não te amo”, o “prefiro minha avó”.

Discipular o coração, não só o comportamento

Nós precisamos resgatar a autoridade na nossa casa. Se você não é a autoridade dentro da sua casa e não determina até onde eles podem ir, quais são as bordas, o sim e o não, alguém está fazendo isso no seu lugar. Alguém é autoridade, alguém está contando, alguém está ensinando.

E nós não queremos obediência por obediência. Obediência por obediência é assim: na sua frente ele faz, e, assim que você sai de casa, ele faz o contrário. Isso é medo. Eu preciso discipular o coração dos nossos filhos, não só o comportamento, para que eles amem o Senhor e, a partir desse amor, obedeçam.

O inimigo, se tem um pecado que ele não tem, é preguiça. Ele não cansa de repetir mentira no ouvido do seu filho: olha como sua mãe prefere seu irmão, olha como seu pai não te ama, você não é suficiente. Mas a gente cansa. A gente quer uma técnica, cinco dicas para falar uma vez só e ele ouvir. Maternidade é repetir de novo, de novo, de novo, se for preciso todo dia.

A gente não cria filho igual, a gente cria filho da maneira com que a gente entende que o Senhor está demandando. Eu tenho trigêmeas de 17 anos, nasceram na mesma época da vida, no mesmo dia, e elas não têm nada a ver uma com a outra. Me desafiam absurdamente. Tem filho que a gente tem que empurrar, tem filho que a gente tem que puxar. Tem filho com quem a gente tem que subir o volume, tem filho com quem a gente tem que abaixar o volume. Mas o Senhor precisa nos ensinar e dizer: este é meu filho, com este propósito.

E aqueles filhos nossos que nos irritam, que nos machucam, que nos incomodam, com quem a gente não consegue lidar? Eu brinco que filhos são como missionários. Eles vêm com uma missão, que é nos fazer olhar para aquilo que talvez a gente precise curar e resolver. Aquele choro que a gente não conseguiu chorar, aquele perdão que a gente não conseguiu dar.

O check-list de boa mãe não existe

Parece que a gente tem, num imaginário coletivo, uma caixinha, um check-list que diz: boa mãe é aquela que brinca, boa mãe é aquela que. E a gente está sempre devendo. A gente nunca vai atender isso, porque isso não existe e não existe uma só mãe que atenda todas as expectativas que existem sobre ela. Então, como a gente não alcança esse lugar, a gente tem uma sensação eterna de dívida.

Eu não sei se a minha avó, com doze filhos, tinha isso. Eu não sei o que aconteceu com a gente, mas essa sensação de estar sempre devendo, sempre culpada, sempre errada, sempre tendo que compensar, o diabo fez isso de uma maneira muito estratégica. Nós perdemos o que é importante para focar naquilo que é distração, performance. A gente deixa de ter presença para entregar presente, para compensar a falta de presença.

Nós somos marcadas de alguma maneira por pai, por mãe, por avó, por alguém. Nossos filhos também serão. Não tem jeito. Eu não estou dizendo que a gente não tem que guardar os nossos filhos, cuidar dos nossos filhos, mas não é um lugar em que você vai conseguir 100%. Porque o amor perfeito foi um só, Jesus Cristo. Todos nós vamos falhar. E para que servem essas falhas? Para mostrar aos nossos filhos que nós somos humanas. Que tem dia que a gente dá conta e tem dia que não dá, que tem dia que a gente falou como não deveria e vai pedir perdão. A nossa humanidade ensina os nossos filhos que eles também têm espaço para errar.

A carta da filha

Eu quero terminar lendo uma mensagem que a minha filha Maria Eduarda, uma das trigêmeas, publicou no dia do lançamento do livro:

Minha mãe é uma mãe incrível, não porque nunca errou, nunca cansou ou porque sempre soube exatamente o que fazer, mas porque, mesmo nos dias mais difíceis, ela nunca desistiu. Eu cresci vendo uma mãe que estava sempre aprendendo, que nem sempre teve todas as respostas, que cometeu erros, que pediu perdão e aprendeu, mas, acima de tudo, uma mãe que escolheu continuar. Mãe, você não precisa ser perfeita para ser uma boa mãe. Você vai falhar em alguns momentos, vai se cansar, vai tomar decisões e depois voltar atrás. E isso não apaga todo o amor, cuidado e dedicação que você entregou por nós.

Eu olho para isso e falo: está dando certo.

Sobre Julyana Cayado

Julyana Cayado é escritora, empresária, palestrante e mentora de mulheres, casais e famílias. Engenheira civil de formação, é mãe de sete filhos e autora de A Mãe que o Mundo Quer Calar, livro que nasceu da própria experiência e que foi lançado oficialmente na Expo do Modeladas Mais 2026. É casada com Kleber Cayado.