Débora, acorda para o seu destino
Esta é a palavra que a Bispa Dirce Carvalho ministrou na abertura do Modeladas Mais 2026, em Brasília, na primeira noite da conferência que tem como tema “Governadas pela Presença”. O texto abaixo traz a mensagem na íntegra.
Nós estamos aqui como vasos nas mãos do oleiro
Senhor, nós estamos aqui para render as nossas coroas diante de Ti nesta primeira noite. Nossas conquistas, nossas dores, nossos desafios. E para nos comprometer a ficar imersas estes dias na Sua presença, para que as áreas da nossa vida que ainda não provam do Seu governo comecem a ser afetadas, trabalhadas, governadas pela Sua presença.
Sabe, Senhor, nós estamos aqui como vasos, e às vezes precisamos, sim, ser trabalhados novamente pelo oleiro. Às vezes estamos com imperfeições, às vezes somos até só cacos. Mas o Senhor pode fazer um lindo painel. O Senhor não desperdiça nada.
Nós estamos aqui dispostas a ter a Sua mão sobre nós, o Seu Espírito sobre nós, nos ensinando, nos guiando, nos posicionando para este tempo que o Senhor nos chamou. Para esta estação, que estamos aqui em Brasília juntas, num ano tão desafiador, um ano em que tronos passam, em que governos passam, em que outros são levantados.
Então, Senhor, usa-nos para a Tua glória nesta temporada aqui no Planalto Central. Para gerar o Brasil, para gerar nossas famílias, para gerar nossas empresas e ministérios.
Põe a mão na sua mente e diga: mente, seja aberta e liberada para receber as instruções do Senhor. Põe a mão no seu coração e diga: coração, seja descortinado, seja limpo para receber as instruções do Senhor. Porque sabe o que acontece quando nós temos uma mente e um coração em concordância? Nós somos guerreiras alinhadas com o céu e com a vontade do Senhor.
Bate na mão da sua irmã do lado e diga: muito bom ter você aqui no Modeladas Mais, governadas pela presença.

Uma década inteira sobre a presença
Eu quero compartilhar o meu coração nesta primeira hora com você, e contar como nasceu este momento de Governadas pela Presença.
No início desta década, eu ouvi muito claro que eu deveria fazer do tema principal das conferências da década toda a presença. E se você veio conosco desde o início da década, nós estamos no sexto ano, e todas as conferências tiveram a ver com a presença. Abraçadas pela presença. Indo além da presença. A presença.
Foi um compromisso pessoal que eu fiz com Deus, de que o Modeladas faria uma entrega ao Brasil sobre a presença, sobre honrar a presença. E este ano, este tema, Governadas pela Presença, foi crescendo no nosso coração desde o final do ano passado.
O texto base que nós, pastoras CN, escolhemos está em Juízes, capítulo 4. Eu amo o número quatro. Quatro é porta, e eu amo o que o número quatro carrega.
Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo. Mandou ela chamar a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes de Naftali, e disse-lhe: Porventura, o Senhor, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: Vai, e leva gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom? E farei ir a ti para o ribeiro Quisom a Sísera, comandante do exército de Jabim, com os seus carros e as suas tropas; e o darei nas tuas mãos.
Juízes 4.4-7

O seu localizador espiritual
Eu quero pensar um pouco com você, primeiro, sobre o nosso localizador espiritual. Todas nós estamos localizadas em algum lugar espiritualmente, queiramos ou não.
Débora tinha um localizador espiritual muito claro. Ela estava debaixo de uma palmeira. A Bíblia fala da região montanhosa e cita duas cidades próximas. Débora tinha o gabinete jurídico dela, o gabinete de governo dela, o gabinete ministerial dela, debaixo de uma palmeira.
Palmeira na Bíblia é a palavra tamar. Você vai encontrar essa palavra na tribo de Judá e vai encontrar como nome de uma filha de Davi. Então palmeira tem referência a mulheres muitas vezes. E o Salmo 92.12 diz que o justo florescerá como a palmeira.
Débora era uma juíza. O povo vinha até ela para receber instrução, para ser julgado, para ser governado. Mas com essa pequena fala que nós lemos aqui, você percebe que ela tinha acesso aos ministros. Talvez hoje a gente fosse chamar de ministro da guerra, ministro da defesa, ministro do exército.
Ela chama Baraque, e ela relembra Baraque. Porque a Bíblia começa dizendo que ela era profetisa. E ela fala assim: Baraque, você já não recebeu uma palavra do Senhor? Por que você ainda não cumpriu a palavra do Senhor?
E essa é a primeira pergunta para mim e para você.

O que você está procrastinando que Deus já mandou fazer?
Por vinte anos Israel estava sendo extorquido, oprimido pelos cananeus. E Deus já havia dado uma instrução a Baraque. Baraque, junte pessoas dessas duas tribos, junte dez mil guerreiros, vá para a beira do ribeiro. Eu vou atrair Sísera e Jabim até lá e eu vou entregá-los nas suas mãos.
Eu amo o pessoal da Bethel, e eles dizem uma coisa que eu não esqueço: você precisa trabalhar pelas profecias que você recebe. Às vezes eu e você recebemos palavras e ficamos esperando que Deus trabalhe por nós, ou que as pessoas trabalhem por nós.
O que está no meu coração é que Deus está nos juntando aqui neste período em Brasília para nos relembrar de palavras, de missão, de destino que Ele nos deu e que nós ainda não fomos cumprir. Que nós estamos ignorando, ou esperando o tempo favorável.
Talvez Baraque estivesse esperando que os inimigos desistissem. Ou talvez esperando que um número menor de inimigos viesse. Eu e você geralmente vamos esperar por circunstâncias favoráveis para ir cumprir aquilo que Deus disse que nós cumpriríamos.
Então este é o primeiro pensamento que eu quero trazer: o que nós estamos procrastinando, se Deus já disse para nós fazermos?
Eu já disse para você entrar na política, e por que você não entrou? Eu já disse para você queimar as carroças e os bois, como Eliseu fez, e ir ministerialmente. Por que você não foi? Eu já disse para você adotar uma criança. Eu já disse para você se posicionar como uma adoradora. Eu já te dei uma instrução.
A nossa ênfase aqui é falar com você que lidera. E todas nós lideramos de algum lugar. Quando eu me sinto muito humilhada, eu falo que eu lidero os gatos lá em casa, porque eles sempre querem estar comigo, eles querem comida, e sou eu que digo se vou dar ou não. Então a gente lidera de alguma forma. Todo mundo lidera.
Mas o que eu creio que está no coração de Deus para nós neste final de semana é que nós precisamos assumir o lugar que Ele nos disse para estar. Nós precisamos assumir as guerras e os desafios que Ele nos disse para assumir.
Jacó provou da presença, mas demorou a ter experiência com ela
Eu fico lembrando muito da história de Jacó, lá em Betel. Quando Jacó toma o direito de primogenitura do irmão, faz aquela troca e vai para a casa do tio. De repente ele chega numa cidade com as portas fechadas, tem que dormir do lado de fora, e ali ele tem um sonho. Quando ele acorda, ele fala:
Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia.
Gênesis 28.16
Mas deixa eu te dizer uma coisa: certamente Jacó já tinha tido outros sonhos com Deus. Ele vinha desse berço, desses pais e avós que falavam sobre isso. Só que ali ele reconhece a presença.
E sabe o que eu quero te dizer? Que muitas vezes, como Baraque e como Jacó, eu e você estamos provando da presença, mas não estamos tendo experiência com a presença. A gente fala: ah, foi só um sonho muito lindo. Ah, Deus me deu essa palavra, mas vai que o profeta errou. Vai que não é para agora.
Porque a presença que eu vou experimentar é a presença que eu vou honrar, é a presença com a qual eu vou me comprometer.
E sabe o que Jacó faz? Ele imediatamente pega o azeite que tinha e derrama sobre a pedra. Ele fala: não vai ser como das outras vezes, que eu sonhei e não fiz nada. Desta vez eu vou honrar ao Senhor com tudo que eu tenho. Ele é rápido em obedecer.

Deus cumpriu a parte Dele. Agora Ele quer falar do seu destino
E quando Jacó está ali honrando ao Senhor, ele faz um pedido que eu quero que você preste muita atenção. Ele fala: eu quero coisas básicas. Eu nem estou mais interessado em direito de primogenitura.
Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus.
Gênesis 28.20-21
Ele não pede mais as fazendas e as riquezas do pai. Primeiro, isso mostra que a ansiedade nos leva a perder até aquilo a que a gente tem direito. Mas guarda essa outra parte.
Deus disse: está tudo bem com o que você está me pedindo. Eu vou com você. Eu vou te dar paz, comida, família, e eu vou te trazer de volta a esta terra em paz.
Eu acredito, queridas e queridos, que talvez há dez anos, ou há cinco anos, nós tivemos encontros assim como Jacó. E nós falamos: Deus, eu quero abrir a minha empresa. Eu quero ter uma família. Eu quero fazer este curso. Eu quero ser uma grande profissional, na política, no mercado. E Deus disse: eu vou te dar isso que você quer.
Só que isso muitas vezes não tem a ver com o destino e com a missão que Deus tem para nós. Mas Ele nos respeita nesse nível. Ele falou: tudo bem, eu vou trabalhar com você por vinte anos pelo que você quer. E se você olhar o texto, Jacó fica exatamente vinte anos na casa de Labão. Ele prosperou, teve filhos, teve bens, saiu de lá mais rico que Labão.
Só que um dia Deus fala para ele: agora você precisa voltar.
E será que eu e você não estamos nesse lugar? Porque essa é a impressão espiritual que eu tive. Que Deus está dizendo: eu fiz o que você me pediu. Eu honrei você, eu trouxe você em paz, eu te dei comida, você casou os seus filhos, você enviou eles para a universidade, você abriu o seu ministério e é um grande ministério. Eu honrei a minha parte. Mas agora nós vamos ter um encontro, para eu falar com você sobre por que eu trouxe você ao planeta Terra. Agora nós vamos ter um encontro para eu dizer qual é o seu destino.
Sabe por que muitas vezes eu e você batalhamos contra o nosso próprio destino? Porque o nosso destino sempre vai passar por uma grande marca na nossa vida. E nós queremos afastar de nós essa marca.
O Vau de Jaboque, onde Deus quer marcar você
Deus vai com Jacó, ajuda ele, e ele volta. Só que depois vem o episódio do Vau de Jaboque.
Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem. Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares.
Gênesis 32.25-26
Deus falou: Jacó, na minha idealização para você na terra, no meu Salmo 139 sobre a sua vida, a ideia que eu tinha para você não era que você fosse rico, que você tivesse esposas e que você não fosse morto por Esaú. Isso é o que você queria.
Só que tudo aquilo que nós queremos vai servir de adubo para o que Deus quer amanhã.
E Ele falou: mas agora eu e você precisamos ter uma conversa. Agora eu e você precisamos ajustar sobre o que eu quero para a sua vida. Porque eu cumpri a minha parte.
Eu acredito que muitas de nós estamos nesse lugar. Deus cumpriu a parte Dele, talvez melhor ou maior do que o que nós esperávamos. Mas agora nós nos encontramos aqui no Vau de Jaboque. E esse vale é uma conferência onde, mesmo tendo pessoas do seu lado, Deus quer ter um encontro único com você.
E não é um encontro para simplesmente encher você mais da presença. Isso Ele vai fazer também. Mas é sobre Ele dizer: filha, eu quero marcar você e introduzir você no destino para o qual eu estou chamando você, e que você está evitando por causa de uma faculdade a mais, por causa de dinheiro, por causa da temporada política, ou por causa de alguma outra razão.
Tanto que Jacó reconhece que ele precisa de uma autorização espiritual vinda de Deus. Ele fala: eu não te deixo ir até que você me abençoe.
A própria pele no jogo
Quando eu leio esse texto, eu me lembro de um livro que eu gosto muito, do Nassim Taleb, Skin in the Game, “arriscando a própria pele”. Ele diz o seguinte: não confie em ninguém que não está com a própria pele no jogo.
Era isso que Deus estava falando para Jacó. Jacó, agora eu quero a sua pele no jogo. Agora eu quero que todas as pessoas vejam que você é um homem rico, abastado, mas que você vai mancar.
Nasceu-lhe o sol, quando ele atravessava Peniel; e manquejava de uma coxa.
Gênesis 32.31
Todo mundo vai ver isso. Vai ser visível. E você vai depender de um quadril que vai dizer que você depende da minha presença para fazer as coisas. Tanto que, quando Esaú olha para ele e vê aquele homem mancando, aquele homem debilitado, provavelmente Esaú pensa: não, esse não é o meu irmão que me roubou, aquele que era todo arrogante e dizia “eu consegui, você não”.
Então, o que eu acredito para nós, queridas, é que Deus talvez vá nos desconfigurar mesmo. Talvez a gente não vá usar mais as mesmas cores, o mesmo estilo, as mesmas joias. Talvez Deus vá mexer em algo aparente na nossa vida.
E talvez Deus já esteja mexendo. Talvez na sua reputação. Talvez você esteja enfrentando comentários na internet que você nunca enfrentou. Talvez Deus esteja mexendo na sua situação financeira, ou na sua situação política. Você confiou que alguém iria com você, e essa pessoa disse: não, eu não estou com você. Isso acontece muito no mundo político.
De repente você está como Baraque estava aqui, e como Jacó estava lá: meu Deus, eu não sei o que será de mim se Deus não intervier.
Então eu quero dizer que é para esse estilo de mulher que Deus marcou esta conferência. Não é sobre mais uma bênção ou mais uma unção. É sobre transformação. É sobre entrar no seu destino. Não é apenas sobre receber algo a mais. É sobre ser marcada.
E talvez você esteja resistindo ao Vau de Jaboque, que é a marca. De repente a gente fica assim: passa de mim este cálice. Mas se Deus tivesse passado o cálice de Jesus, onde estaríamos nós com a salvação?
Os cálices que vêm para nós, eles vêm muitas vezes para nos autorizar a entrar no nosso destino. Então não queira cessar a dor, o desconforto, a zona do ridículo. Queira dizer: Senhor, não vá embora até que o Senhor me marque para a próxima estação. Até que eu seja uma dependente, como Jacó. Até que as pessoas olhem para mim e digam: meu Deus, algo mudou em você.
Até que eu me levantei como mãe em Israel
E é isso que Débora nos ensina.
Se você for ao capítulo 5, ela vai contar que Israel estava devastado. Os carros não passavam pelas estradas. Aqui tem vários amigos mineiros, e em Minas a gente fala “vamos andar no trilho”. Trilho é quando você faz um caminho batido no meio do mato, que não é uma estrada oficial. Era isso que eles faziam. Andavam nos trilhos escondidos, porque os cananeus pegavam as colheitas. Eles viviam escondidos.
E lá no capítulo 5 você vai ver que Débora diz que havia quarenta mil em Israel, mas as espadas estavam fora da mão deles. Não é que não tinha soldado. Tinha. Só que não tinham coragem de ir à guerra.
E Deus fala para Baraque: não precisa pegar os quarenta mil. Pegue apenas dez mil. Porque a matemática de Deus, a didática de Deus, é sempre muito diferente da nossa. Parece a história de Gideão: não é tanta gente, pegue trezentos.
E se você ler o capítulo 5, vai ver quantas tribos disseram: eu não vou, estou ocupada. Eu não vou, estou cuidando dos barcos. Eu não vou, não quero mais problema com Sísera. Eu não vou, estou com medo. Só duas ou três tribos, Naftali, Zebulom e Issacar, disseram: nós vamos arriscar a nossa própria pele com você, Baraque.
E sabe o que acontece? Nesse capítulo, Débora vai dizer:
Ficaram desertas as aldeias em Israel, repousaram, até que eu, Débora, me levantei, levantei-me por mãe em Israel.
Juízes 5.7
Ela já era profetisa. Ela já era governadora. Ela já era juíza. Ela já era esposa. Provavelmente já era mãe de filhos biológicos. Mas ela não disse “até que eu me levantei como pastora”, nem “como senadora”, nem “como profetisa”.
Deus falou para ela: Débora, acorda. Débora, acorda. Débora, acorda.

Desperta do que você já está fazendo. Porque Débora não era uma mulher sem atividade. Ela estava debaixo de uma palmeira e todo Israel descia até ela para que ela julgasse as causas. Pensa em um juiz hoje, o tanto de causa que ele tem. E a Bíblia nem fala de outros juízes ali. Talvez ela fosse a única para toda a nação. Era uma mulher com muito trabalho. Ela não estava desempregada nem parada.
Mas Deus diz: acorda para o seu destino. Não é acorda para mais uma atividade. Não é acorda para ser produtiva. Não é acorda para ganhar mais um dinheiro, ou mais um seguidor na rede social. É acorda para aquilo que eu te chamei e você ainda não está fazendo.
Ela já era uma líder espiritual. Ela profetizava, chamava o ministro da defesa e dizia: eu tenho uma palavra de Deus. Nos nossos dias, ela seria uma apóstola. Só que Deus disse: não basta você profetizar. Não basta você fazer reuniões e julgar Israel. Eu quero que você se levante como mãe.
E não tem jeito de deixar de ser mãe depois que você é mãe. O seu útero não volta a ser virgem. Não tem jeito de desver. Então mãe é uma marca. Mãe é uma marca.
E Deus nos chamou aqui estes dias para sermos marcadas. Tem um lugar que está precisando da nossa maternidade, não só do nosso governo, não só da nossa instrução profética.
Porque a mãe arrisca a própria pele pelos filhos. A mãe dá tudo o que ela pode pelos filhos. Você já viu aqueles vídeos em que a mãe suspende um carro para tirar a criança, em que a mãe entra na frente do leão para salvar a criança. A mãe arrisca toda a pele, todos os cabelos, todos os neurônios, toda a maquiagem, para ver um filho bem, para salvar um filho.
Então Deus falou: Débora, eu preciso que você se levante como uma mãe. É um pouco além daquilo que nós já fazemos. E eu acredito que este é o nosso chamado neste final de semana: nos levantarmos como mães.
A palmeira que cresce para baixo antes de dar fruto
E é tão interessante, porque Débora já estava ali debaixo de uma palmeira. Ali era o escritório dela.
A palmeira é uma planta muito interessante. Antes de dar os seus frutos, ela cresce muitos metros para baixo. Ela cresce de dez a vinte metros para baixo. As raízes dela são profundas e são horizontais, além de verticais. É por isso que, se você tem palmeira em casa, e eu tenho, o vento vai ser muito intenso, elas vão dobrar para lá e para cá, mas, quando o vento passa, elas estão na mesma posição. Lá em casa nunca teve uma palmeira derrubada pelo vento. Porque ela tem profundidade.
Todas as vezes que a Bíblia nos conta uma história, não é por acaso. Ela está dizendo: mulheres, eu designei vocês para ter raízes profundas, raízes verticais e horizontais, para que, quando o vento vier, vocês não se dobrem à circunstância, à falta, ao medo, à acusação, à opressão.
Débora estava ali debaixo da palmeira e vivia toda aquela situação de Israel. Mas ela era como aquela palmeira: firme, justa, ereta. Ela provocava sombra, porque as pessoas vinham até ela e descansavam nas decisões dela, na direção dela. E provavelmente era uma tamareira, então ela produzia fruto.
Talvez eu e você também estejamos debaixo de uma palmeira. A palmeira da minha vida foi a Comunidade das Nações, foi o Bispo JB Carvalho. A sua talvez tenha sido o seu marido, ou a empresa onde você trabalha. Porque a palmeira é esse lugar onde a sua autoridade flui, onde você é produtiva, onde você consegue abençoar outras pessoas.
A palmeira de Jacó por muito tempo foi a casa de Labão. Ele esteve lá, prosperou, teve filhos, esposa, teve aquela guerra toda com as ovelhas, e saiu de lá mais rico que Labão. A palmeira geralmente é esse lugar que nos deu sombra para chegar até aqui.
Mas então Deus fala para ela: eu não quero que você fique governando só a partir da sua palmeira. Eu quero que você se arrisque. Que você vá à guerra com esse homem que não quer ir sozinho, com esse homem que diz que só vai se você for.
E não é porque ela era uma boa guerreira, nem porque tinha armas fortes. É porque ele reconhecia a autoridade e a cobertura espiritual que estava sobre a vida dela.
E é isso que eu e você precisamos fazer pelo Brasil. De repente você vai chegar em uma área e vai dar uma palavra para alguém. É como eu: eu não entendo nada de política, mas de vez em quando eu quero orar com pessoas da política, e eu falo “eu vou com você”. A pessoa deve pensar: meu Deus, para fazer o quê? Ela não sabe nada sobre isso. Mas eu falo: eu vou. Eu vou estar lá, eu vou orar, eu vou profetizar, eu vou jejuar, eu vou chamar pessoas para virem juntas.
Então não é sobre ser especialista nessa guerra, nesse desafio, nessa missão. É sobre dizer: eu vou com tudo o que o Senhor confiou a mim até aqui. Eu administrei a minha casa, eu administrei os recursos, eu administrei a família, eu administrei as minhas crises internas.
Da mesma forma que a palmeira foi crescendo, Débora foi crescendo. Crescendo no Senhor, crescendo na oração, no jejum. Cada dor, cada vento que ela teve que passar serviu para fortalecer a pele dela, os cabelos dela, assim como a palmeira estava sendo fortalecida.
Então a sua palmeira até aqui, a sua vida até aqui, é o adubo que Deus precisa para o seu desafio, para a sua missão, para o seu destino.
A promessa vem em cima da sua escassez
Débora ficou conhecida, depois dessa época, como a mulher que fez cessar as guerras em Israel. Como a mulher que se levantou e ajudou Israel a sair da opressão.
Eu vim aqui para concordar com o céu sobre a sua vida. Que você vai ser conhecida não pelo que você já é conhecida, pela sua palmeira. Você vai ser conhecida por um destino que está se abrindo diante de você.
Ah, mas eu já tenho oitenta, noventa. Não tem problema nenhum. Sara foi conhecida pelo destino dela aos noventa. Abrão aos noventa e nove, e foi ali que Deus mudou o nome deles: você não vai mais ser Abrão, e ela não vai mais ser Sarai.
E sabe o que é interessante na história de Abraão e de Sara? É que a profecia do destino deles estava em cima da área de escassez deles.
Isso talvez seja para nós. As pessoas dizem: você vai ser conhecida como pura e santa. E de repente você foi alguém que adulterou, alguém que pecou, alguém que se prostituiu, que fez abortos. Você fala: como assim, eu vou ser conhecida como alguém pura e santa?
De repente você vai ser conhecida como uma milionária, e Deus fala: não, você vai ser multimilionária. E você responde: mas eu não tenho dinheiro para pagar as contas, eu vivo pegando emprestado.
Eu não sei como funciona a didática de Deus, mas eu sei que geralmente a promessa está em cima da nossa escassez. Então a sua escassez é um sinal do destino de Deus para você.
Porque Abrão não tinha filhos. E qual era a promessa? Pai de nações. Você vai ter um povo. Um dia ele se cansou, está lá em Gênesis 15, e falou: Senhor, o Senhor vive dizendo que eu vou ser pai, o Senhor diz sempre a mesma coisa, e não acontece nada. Da primeira promessa, em Gênesis 12, até o dia em que Deus trocou o nome dele, em Gênesis 17, se passaram vinte e quatro anos de espera.
Então talvez nós estejamos nessa hora irritadas com Deus. Não se irrite com o lugar da escassez. Diga: Senhor, eu vou continuar esperando naquilo que o Senhor prometeu.
Débora, a abelha que transforma néctar em mel
E quando você vê no hebraico, o nome Débora é o mesmo nome para abelha. Por isso você está vendo tantas coisas de abelha por aí.
O principal objetivo da abelha é produzir mel. E é tão interessante como a palavra de Deus está sempre relacionada ao mel.
Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.
Provérbios 16.24
Olha que forte. As palavras são como favos de mel, e curam inclusive o corpo.
Mas o mel não é um produto já pronto na natureza. Na natureza existe o néctar, que é a matéria-prima, o produto bruto. E a abelha pega o néctar, que é algo que a vida oferece.
Talvez o nosso néctar seja uma dor, uma acusação, uma frustração. Talvez seja dinheiro, sucesso. O néctar é algo que naturalmente surgiu na vida.
A abelha pega o néctar e coloca num lugar chamado papo. Se você é mineira, você sabe o que é papo. É onde ficam depositados os grãos que a galinha come. Não é o estômago digestivo. E as enzimas daquele lugar vão quebrando o açúcar do néctar, formando moléculas de açúcar menores.
Depois ela chega na colmeia e começa a entregar o néctar pré-processado para outras abelhas, que vão colocando no papo delas, até chegar no depósito, até chegar no favo. E ali no favo ele vai amadurecer, e a água que tinha no néctar vai evaporando com o trabalho delas, batendo as asas. E aí o mel está maduro e pronto.
Eu já comi muito néctar de planta quando era criança. Minha mãe falava: uma hora você morre, porque você não sabe se é venenoso ou não. Mas era uma delícia ficar comendo o nectarzinho das flores.
Essa é Débora. Ela pegou as dificuldades da vida e a beleza da vida. Ela pegou todo o néctar que a vida produziu, todo o produto que veio para ela, bom ou ruim, internalizou, e com a presença de Deus foi fabricando favos de mel.
Sabe por quê? Porque se cumpre nela o Salmo 68.
O Senhor deu a palavra, grande é a falange das mensageiras das boas-novas. Reis de exércitos fogem e fogem; a dona de casa reparte os despojos.
Salmo 68.11-12
Essa é a história de Débora. Porque Débora não pegou em arma. Débora anunciou boas novas para Baraque. Débora animou o povo. Débora falou: vamos chamar as tribos. Débora falou: vamos lá, Deus nos prometeu. Débora foi empolgada.
Ela cumpre essa palavra. E essa é a nossa maior arma de guerra: liberar boas novas, para que os exércitos e os príncipes de exércitos fujam. Porque a palavra tem uma frequência, e ela vai produzir realidades.
Deus drenou a força do inimigo depois que eles obedeceram
Quando eles chegaram lá na beira do ribeiro, era um lugar meio descampado. Porque o que Deus nos chama a fazer para entrar no nosso destino é um posicionamento. É ficar firme em um lugar. Não é exatamente sobre um trabalho, é sobre uma resposta.
Eu imagino que os soldados falaram: agora é que eles vão nos matar. Porque se a gente já estava escondido nos trilhos e eles já levavam tudo, agora a gente vai para o descampado.
E a Bíblia diz que, quando Sísera e Jabim viram que Baraque, Débora e o exército foram para o descampado, eles correram para lá. Imagino que pensaram: agora Israel muda de nome, somos os donos do país.
Mas olha a didática de Deus quando nós obedecemos. Diga para a sua irmã do lado: o que Deus está pedindo de você é que você obedeça ao primeiro comando que Ele te deu. A guerra é Dele, não é sua. Você só tem que obedecer a um comando.
A Bíblia diz que, quando o exército estava ali, os céus começaram a se manifestar. Os anjos começaram a trabalhar. Israel é seco, é raríssimo ver uma tempestade ali. E a Bíblia diz que uma tempestade se formou. E tudo foi a mão de Deus, dando ordem à chuva, ao vento, aos anjos. Débora vai registrar isso. Ela fala que o universo começou a trabalhar.
E quando o universo fez isso, sabe o que aconteceu naquele ribeiro? Lama.
E qual era a força do exército inimigo? Carros e cavalos.
Se você não prestou atenção em nada, preste atenção só nisso: Deus drenou a força do inimigo. Ele drenou aquilo que era vantagem, e deixou de ser vantagem.
Sabe por quê? Porque Débora e Baraque obedeceram. Deus não fez isso antes de eles arriscarem a própria pele. Antes de eles confiarem na direção do Senhor. Mas, quando eles estavam ali, eles nem precisaram batalhar. Os carros ficaram enterrados, os cavalos ficaram enterrados. E aquele povo só sabia guerrear com carros e cavalos. Sabe o que eles fizeram? Fugiram.
É isso que vai acontecer quando você obedecer. Não fique olhando para os cananeus. Se Deus falou para você ir para um lugar vulnerável, para um lugar que parece mais exposto ao ataque, vá. Porque o seu Deus vai mover o universo, se preciso for, para drenar a força do inimigo.
Então você não precisa ter medo de entrar no seu destino. Você não precisa ter medo de mancar, de arriscar a própria pele, de as pessoas dizerem que agora você vai ser exposta, que agora acabou a sua reputação.
Morto não precisa de reputação. É Deus que está nos chamando para esse lugar de mulheres mortas. Porque, se alguém praticar justiça com o morto, ele não vai reagir. E se praticar injustiça, ele também não vai reagir. Deus está nos chamando para esse lugar. Sejam mulheres mortas. Mortas para a reputação, mortas para o ego, mortas para aquilo que a gente quer guardar a qualquer custo.

Porque quando Deus nos chama para entrar no nosso destino, é sobre a força Dele, não é sobre a nossa força.
Dispõe-te. Entra em cena
Esse texto de Débora, “desperta, desperta, desperta, Débora”, e o “até que eu me levantei como mãe”, estão intimamente ligados a Isaías 60.
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti.
Isaías 60.1
Isaías 60 é um capítulo que depois você pode ler inteiro, e vai ver tudo o que a gente pede a Deus. Senhor, eu queria riquezas. Eu queria isso. Eu queria paz. Eu queria aquilo. E tem um único comando para mim e para você: se levanta. Se posiciona.
E sabe o que significa essa palavra, se levantar? Significa se dispor onde eu não quero me dispor. Significa ficar de pé, permanecer, erguer. Significa tornar-se poderoso. Significa ser estabelecido. Significa resistir até o sangue. Significa ficar fixo. Significa ser provado para depois ser aprovado. Significa erigir, levantar, realizar, estabelecer.
E o significado que mais se repete é este: entrar em cena.
Tem um lugar onde Deus está chamando a mim e a você para entrar em cena. Não é sobre mais uma atividade. É sobre o meu destino e sobre o seu destino.
E isso depende de dizer: Senhor, eu não tenho apoios humanos. O meu apoio não está nas finanças. O meu apoio não está em quem me indica. O meu apoio não está no meu partido. O meu apoio está em Ti, que está me comandando.
A tâmara e o encerramento de ciclos
As pastoras vão passar deixando quatro ingredientes com você. E um deles é uma tâmara.
Todo ano novo judaico que se encerra, e este ano acontece em setembro, eles comem uma tâmara. É o fruto da palmeira debaixo da qual Débora estava.
E sabe o que significa comer uma tâmara? Encerrar ciclos.
É para isso que eu e você estamos aqui nesta primeira noite. Isso primeiro, antes de ir à guerra, antes de se levantar, antes de qualquer coisa. Nós vamos encerrar ciclos.
Não queira manter todas as portas abertas, senão você vai manter portas abertas erradas. Queira manter as portas certas.
Baraque precisava encerrar um ciclo. O ciclo de quê? De procrastinação. Deus me mandou, Deus deu a estratégia, mas eu ainda não estou confiando. Talvez seja encerrar um ciclo de prostituição. Encerrar um ciclo de pornografia.
Você está aqui diante de uma assembleia divina. E quando Deus nos convoca para assembleias, Ele dá mandatos, Ele expede decretos, Ele diz: isso está selado, isso vai acontecer. Por mais que não mude nada nas suas circunstâncias agora.
Então pensa: qual é o ciclo que tem que encerrar?
Porque Débora estava debaixo de uma tamareira, de uma palmeira, e ela estava ali julgando. E eu creio que hoje os anjos estão aqui. Eu creio que hoje há um tribunal do Senhor aqui, pela misericórdia do Senhor, e que Ele está dizendo: hoje nós vamos encerrar essa causa. Hoje os anjos vão levar o decreto. Porque o juiz de Débora está aqui.
Ciclos de derrota. Ciclos de vergonha. Ciclos de promiscuidade. Ciclos de dívida. Ciclos de relacionamentos quebrados. Ciclos de culpa, de dor, de ameaça. Ciclos de abusos. Ciclos de palavras que estão se levantando contra a sua vida.
Pega essa tâmara. Nós vamos comer juntas.

Levante-se.
Três lembretes para você levar desta noite
Esta noite é sobre recebermos uma marca. Você está sendo marcada com coragem para o seu destino.
Nós preparamos três pins para você. O primeiro é uma palmeira, para você lembrar que você precisa de uma cobertura espiritual. Débora estava ali debaixo da cobertura espiritual dela, e tudo foi possível por causa dessa cobertura. A palmeira onde você está assentada.
O segundo é uma abelha, para você lembrar que você vai produzir mel com qualquer coisa que a vida te trouxer. Não é sobre o que a vida te trouxe. É sobre o que você produziu com o que a vida te trouxe. E você vai sempre produzir mel, mesmo debaixo de situações difíceis, porque o seu processador espiritual é o Espírito Santo, é o sangue de Jesus, é a cruz.
Deus é atraído pelo caos. Então qualquer caos vai ter o governo de Deus. E quando qualquer caos, qualquer escassez, qualquer desafio tiver o governo de Deus, vai sair mel do outro lado.
Sabe por que vai ser mel? Porque você vai testemunhar. Você vai dizer: no início do ano aconteceu isso, mas no final do ano o mel saiu. Eu fui naquela viagem, aconteceu isso, mas no final o mel saiu. Eu fui naquela licitação, aconteceu isso, mas no final o mel saiu. Você vai ter sempre uma boa nova.
O seu processador é espiritual. Não é aquele da cozinha. É o mundo espiritual que vai processar. Você vai naquela guerra e vai parecer muito vulnerável, mas o universo inteiro vai ser chamado para batalhar.
E o terceiro é um sol, para você declarar Isaías 60 sobre a sua vida. Eu vou me levantar e eu vou resplandecer. A glória do Senhor virá sobre mim. E as trevas podem estar cobrindo a terra, é verdade, pode estar ficando pior, que é o que o próprio texto diz. Mas a glória do Senhor está se levantando sobre mim. O sol se levanta todos os dias. É por isso que nós o escolhemos. Porque todos os dias há misericórdia, há graça, há favor.
São três pins simples, mas para lembrar você desta noite profética, em que você encerrou ciclos e em que, como uma Débora, você se levantou. Para ser mãe, para ser intercessora, para ser política, para ser governadora, para ser ajudadora idônea, para ser professora.
Qual é o destino para o qual Deus chamou você, como chamou a Jacó, a Baraque e a Débora?
Fique debaixo da palmeira do Senhor recebendo, para que, quando você for anunciar as boas novas, os príncipes de exércitos e os exércitos corram. E deixa eu te falar: eles correm e deixam despojos. O texto de Débora diz isso. Eles fugiram e deixaram despojos. Então tem algo financeiro reservado para você também nesse futuro.
Abraça a sua irmã do lado e fala: o meu nome é Débora. O meu nome é abelha.
Lembra que Deus trocou o nome de Abrão e de Sarai. Você vai ser conhecida por uma marca a partir deste final de semana.

