Coral Atoto: a história de Uganda que a dor não conseguiu calar

Culto Bem Mais que Vencedores • 23.07.2026 | 20h SIA — thumbnail do vídeo

Deus ainda não terminou. Dias melhores estão por vir.

Houve noites em que a Comunidade das Nações recebeu pregação. Nessa noite, recebeu testemunho. E talvez não haja forma mais honesta de pregar o evangelho do que deixar que a própria vida transformada suba ao palco e cante.

O convite feito no início do culto já indicava que a experiência seria diferente, com uma proposta de adoração a Deus que reunisse leveza, profundidade e força. Quem chegou naquela noite, presencialmente ou acompanhando de casa, foi recebido pela notícia de que a igreja receberia o coral Atoto, formado por crianças ugandesas. O nome do grupo, na língua local, significa simplesmente “criança” e carrega uma mensagem coerente com aquilo que seria apresentado ao longo do culto.

A Comunidade das Nações sempre afirmou que as crianças não são apenas o futuro da igreja, porque elas já são igreja no presente. Naquela noite, essa verdade ganhou rostos, vozes e histórias reais.

Crianças que subiram ao palco para testemunhar

A abertura do culto trouxe para o centro algo que poderia facilmente ficar escondido pela emoção de uma apresentação infantil. Aquelas crianças não estavam ali apenas para encantar, mas para testemunhar.

Eram crianças órfãs e abandonadas, cujas histórias começaram em meio à perda e à tristeza profunda, mas que aprenderam a transformar aquilo que viveram em testemunho e adoração.

Antes de qualquer música, a igreja foi convidada a abaixar a cabeça, preparar o coração e entregar os pensamentos a Deus. Independentemente de como tivesse sido o dia, a semana ou o mês de cada pessoa, o convite daquela noite era para adorar.

A oração que abriu o culto trouxe a referência de Salmos 8 e lembrou que, pela boca dos pequeninos, o Senhor estabelece força e silencia o inimigo. A declaração feita naquele momento apontava para aquilo que aconteceria durante toda a noite, pois a vida de cada pessoa pode contar os feitos maravilhosos de Deus, e tudo o que é vivido na terra pode se tornar, nas mãos dele, conteúdo celestial de esperança.

Segundo a própria oração de abertura, aquela noite seria uma visita aos céus de Uganda. O lugar de onde vinham aquelas crianças ofereceria sua adoração por meio delas, enquanto a igreja se juntaria a esse louvor.

Quarenta anos cuidando de histórias que pareciam perdidas

O vídeo de apresentação do ministério trouxe Joana, uma das vozes do Atoto, ao lado de Beatrice e Shakira, para contar a origem do trabalho.

O Atoto está em Uganda, no leste da África, distribuído em três vilas. Joana descreveu o lugar como cheio de esperança e da paz de Jesus Cristo. Ao falar de Beatrice e Shakira, afirmou que as duas são resultado de muito amor e ampliou a declaração ao dizer que tudo no Atoto é resultado de amor.

Essa história começou há cerca de 40 anos, quando Gary e Marilyn Skinner fundaram o Atoto como uma igreja que celebra Cristo e cuida da comunidade. Na prática, esse propósito significou resgatar bebês abandonados, educar crianças órfãs e vulneráveis e cuidar de mães solo das comunidades ao redor.

Desde então, o compromisso do Atoto tem sido criar dias melhores e lembrar pessoas ao redor do mundo de que ainda existe esperança. O cuidado com órfãos e viúvas não é tratado como uma atividade separada do evangelho, mas como parte da maneira pela qual a igreja entende sua missão.

Depois da apresentação, a igreja foi convidada a acompanhar uma jornada de restauração e esperança. As primeiras canções apontavam para o socorro que vem do Senhor e anunciavam uma mensagem que atravessaria toda a noite, lembrando que Deus ainda não terminou, que a esperança pode se levantar e que dias melhores ainda estão por vir.

Uma terra marcada pela dor, mas não definida por ela

O culto não escondeu o contexto de onde aquelas crianças vieram. Uganda foi apresentada como uma nação cuja história carrega sofrimento, pobreza, guerra e doenças. Mulheres e crianças foram abandonadas e deixadas para sobreviver em circunstâncias extremamente difíceis, muitas vezes sem que suas vozes fossem ouvidas ou seus rostos fossem vistos. Uma geração inteira esteve perto de ser perdida.

A vida pode ser cruel e impiedosa, e algumas histórias parecem difíceis demais para serem completamente compreendidas. Foi justamente diante dessa realidade que Salmos 68 apareceu como resposta, apresentando Deus como Pai dos órfãos, defensor das viúvas e aquele que dá família aos solitários. A mensagem lembrava que Deus vê essas crianças e mulheres e conhece cada uma delas pelo nome.

Um dos testemunhos que deram rosto a essa verdade foi o de Asaia. Logo depois de seu nascimento, sua mãe o deixou no hospital e nunca retornou. As autoridades locais tentaram encontrá-la, mas não conseguiram.

Ao contar sua história, Asaia falou sobre uma experiência que alcança muito além de sua própria vida. Todos carregamos sonhos e situações em relação aos quais exercemos fé e esperamos que se tornem realidade, mas, em alguns momentos, esses sonhos são despedaçados ou adiados. Diante disso, Asaia deixou um convite para que ninguém desista ou desanime, porque, em Jesus, ainda existe esperança.

O nome de Jesus sobre aquilo que parece sem resposta

Depois dos testemunhos, o culto entrou em um tempo de declaração sobre o nome de Jesus. A igreja foi lembrada de que Deus exaltou Jesus à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, diante do qual todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor.

Essa verdade foi aplicada às situações concretas das famílias presentes, e o nome de Jesus foi declarado sobre a solidão, as famílias e as circunstâncias específicas enfrentadas por quem estava ali. A mensagem apresentada foi a de que seu nome tem poder para destruir cadeias de trevas, trazer cura e dar vida.

Em seguida, a igreja entrou em oração com base em Salmos 46, reconhecendo Deus como refúgio e força, presente para ajudar em meio à necessidade. Havia naquele ambiente pessoas que se sentiam completamente sozinhas ou abandonadas, assim como pessoas que lidavam com situações que não haviam terminado como esperavam.

A resposta apresentada não foi a de minimizar a dor, mas de entregá-la a Deus e confiar em seu cuidado.

A oração coletiva alcançou diferentes áreas de uma vida ferida. Houve clamor por cura, vida sobre sonhos perdidos, restauração de casamentos, reconstrução de famílias, portas abertas para trabalho e provisão, novas ideias, libertação do medo e da depressão, paz sobre a mente, alegria sobre o coração e cumprimento da vontade de Deus.

A decisão que sustenta toda esperança

Depois daquele momento de oração, o culto chegou ao ponto que estrutura o evangelho, apresentando a entrega da vida a Jesus como a decisão mais importante que uma pessoa pode tomar.

João 3.16 foi usado para lembrar que Deus amou o mundo de tal maneira que entregou seu único Filho para que todo aquele que nele crê tenha vida. O convite foi feito sem pressão e apresentou Jesus como aquele que pagou o preço para que cada pessoa pudesse ser livre do pecado, mostrando que a verdadeira liberdade é encontrada quando o coração e a vida são entregues a ele.

O chamado também alcançou aqueles que já haviam feito essa entrega, mas tinham se distanciado. Essas pessoas foram convidadas a se comprometer novamente com Jesus e retomar um relacionamento pessoal com ele.

Com a cabeça baixa e os olhos fechados, a igreja refletiu sobre sua própria caminhada. Quem desejasse entregar a vida a Jesus ou se comprometer novamente poderia levantar a mão e ser conduzido em uma oração simples e direta, com confissão de pecado, pedido de perdão e entrega do coração a Jesus como Senhor e Salvador.

Quem tomou aquela decisão foi recebido com uma palavra de boas-vindas à família de Deus e com a afirmação de que os propósitos dele se tornariam cada vez mais visíveis à medida que essa pessoa continuasse a segui-lo.

Dias melhores estão por vir porque a promessa já foi selada

A música seguinte retomou a mensagem que atravessava a noite ao declarar que dias melhores estão por vir. Essa afirmação, porém, não ficou sustentada apenas pela emoção daquele momento.

A referência de 2 Coríntios 1.20 foi apresentada como fundamento para lembrar que todas as promessas de Deus encontram seu “sim” em Jesus e que, por meio dele, pronunciamos o “amém”. Assim, a esperança anunciada naquela noite não negava as circunstâncias difíceis, porque estava fundamentada em Cristo.

Foi nesse momento que os números voltaram a ganhar rostos. Milhares de mulheres se tornaram viúvas em Uganda, enquanto milhares de crianças ficaram órfãs ou foram abandonadas, muitas delas chegando a viver nas pilhas de lixo da cidade de Campala. Para quem nunca enfrentou uma realidade semelhante, é difícil compreender completamente a dimensão dessa dificuldade.

O trabalho do Atoto parte da convicção de que a história não precisa terminar dessa forma. A igreja acolhe mulheres e crianças que vivem em situações de sofrimento e oferece amor, esperança e auxílio em suas necessidades básicas.

Lucky contou que seus pais se separaram quando ela ainda era muito pequena. Sua mãe fez o possível para cuidar dela, mas a realidade era difícil. Houve problemas para mantê-la na escola e momentos em que Lucky precisava dormir com fome.

Emanuel contou que, ainda bebê, foi deixado em uma comunidade sem ninguém para cuidar dele, e seus pais nunca retornaram.

Os dois foram resgatados pelo Atoto, e foi ali que suas histórias começaram a mudar. O Atoto tornou-se seu lar, onde encontraram amigos e família, tiveram acesso à escola, atividades esportivas e atendimento médico quando adoeciam. Mais importante para eles, encontraram uma igreja onde podiam celebrar Jesus.

A pergunta que surge diante dessas histórias é onde essas crianças estariam sem esse cuidado.

O sonho apresentado para o futuro de Uganda é o de uma realidade em que corações quebrados sejam curados e sonhos despedaçados sejam restaurados, em que toda criança saiba que pertence a Deus, mulheres vulneráveis não precisem mais viver com medo e pessoas possam conhecer Deus como Pai e amigo.

O passado pode ter sido doloroso, amargo e escuro, mas a mensagem anunciada naquela noite lembrava que Deus ainda não terminou.

Uma liderança que continua a mesma missão

Depois dos testemunhos e das músicas, o culto apresentou os atuais líderes do Atoto, pastor Julius e Vermita. Em 2023, após um período de planejamento, preparação e mentoria, Gary e Marilyn Skinner os comissionaram para assumir a liderança da obra.

Receber essa responsabilidade foi descrito por eles como uma honra e um privilégio. Para essa nova fase, a visão é continuar crescendo sem abandonar o compromisso que marcou o Atoto desde o início, permanecendo como uma igreja que celebra Cristo e cuida dos feridos, dos pobres e dos perdidos na comunidade.

Quando surgiu a pergunta sobre como outras pessoas poderiam participar dessa história, a resposta foi prática. O Atoto precisa de padrinhos, e uma das formas de ajudar é participar daquilo que já está acontecendo.

Há aproximadamente quatro décadas o Atoto atua em Uganda e, há alguns anos, também no Sudão do Sul. Grande parte desse trabalho é possível porque pessoas ao redor do mundo decidiram amar uma criança por meio do apadrinhamento.

Uma visita recente a uma comunidade fora do Atoto mostrou a diferença entre as crianças que já foram alcançadas e aquelas que ainda vivem em situação de extrema vulnerabilidade. Ver de perto como essas crianças vivem e o que enfrentam diariamente torna difícil ignorar a necessidade.

Outro ponto destacado foi a realidade de crianças que ainda têm suas mães, mas continuam vivendo sem esperança. Por isso, na última década, o Atoto ampliou sua atuação para cuidar também de mulheres vulneráveis, oferecendo capacitação profissional e discipulado enquanto acolhe seus filhos.

Independentemente de a criança ser órfã ou ainda ter sua mãe presente, a convicção apresentada é a de que a igreja foi chamada a colocar o amor em ação. O apadrinhamento ajuda a prover alimentação, educação e cuidados médicos, além de permitir que uma criança ferida saiba que pode contar com pessoas que não irão abandoná-la.

Rita recebeu uma nova oportunidade de vida

Um dos testemunhos mais fortes da noite veio de Rita, hoje adulta, formada e servindo no próprio Atoto.

Seus pais se separaram quando ela tinha 3 anos, e o pai levou Rita e os irmãos para morar com uma madrasta que, segundo seu relato, era muito cruel com eles. Ainda criança, Rita sofreu abuso por parte de um primo e, pouco tempo depois, aos 7 anos, foi abandonada pelo próprio pai nas ruas de Campala, onde ficou completamente sozinha e sem ninguém para cuidar dela.

Aos 8 anos, Rita foi resgatada pelo Atoto. Ali, recebeu uma nova oportunidade de vida, encontrou uma família onde foi amada, conheceu Jesus e experimentou restauração e cura. Também entrou para a escola do Atoto, teve acesso à educação e, anos depois, formou-se em engenharia elétrica.

Foi Rita quem conduziu o convite final para que outras pessoas se juntassem à família do Atoto por meio do apadrinhamento. Segundo ela, é esse apoio que torna possível o cuidado oferecido às mulheres e crianças vulneráveis atendidas pelo ministério, proporcionando lar, família, comunidade, igreja e oportunidades.

Muitos daqueles que cresceram no Atoto hoje são adultos. Assim como Rita e Tina, líder de adoração que também estava no palco, muitos chegaram à faculdade, formaram suas próprias famílias, construíram negócios e se tornaram padrinhos de outras crianças.

Durante aquela noite, a igreja também pôde conhecer perfis de crianças que ainda precisavam de padrinhos, entre elas alguns dos próprios irmãos de Rita. Muitas chegam ao Atoto depois de anos vivendo em pobreza e circunstâncias extremas, mas o tempo que demoraram para chegar não encerra suas possibilidades.

A convicção do Atoto é a de que Deus tem um plano para cada uma delas e de que a igreja pode ajudá-las nessa jornada até que se tornem tudo aquilo que Deus deseja que sejam.

Sonhos que precisam de uma oportunidade

Antes do convite ao apadrinhamento, duas crianças compartilharam seus sonhos. Jess contou que deseja ser policial quando crescer, enquanto Rachel disse que quer ser médica.

Por trás de sonhos como esses existe uma necessidade concreta de acesso à alimentação, à educação, à saúde, ao cuidado e às oportunidades necessárias para que possam se tornar realidade.

Durante o culto, o apadrinhamento foi apresentado no valor de R$ 140 mensais. Também foi destacada uma necessidade atual do projeto entre adolescentes e jovens adultos que precisam de apoio para concluir os estudos.

O convite feito à igreja foi para que pessoas apadrinhassem uma ou duas crianças e passassem pela mesa preparada ao final do culto para conhecer melhor o projeto. As próprias crianças estariam ali para receber as pessoas, abraçá-las e tirar fotos.

Os melhores dias não ficaram no passado

A última palavra daquela noite retomou a mensagem que as crianças haviam cantado e testemunhado por meio das próprias histórias. Os melhores dias não precisam ter ficado no passado, porque dias melhores ainda estão por vir.

Essa foi a história que o coral Atoto trouxe para dentro da Comunidade das Nações. Mais do que uma apresentação, o que a igreja recebeu foi um testemunho vivo de que o evangelho alcança o órfão, a viúva e o solitário.

Histórias que começaram marcadas pelo abandono, pela fome, pela pobreza e pela perda chegaram ao palco como testemunho de que essas circunstâncias não precisam determinar o fim de uma vida.

Deus ainda não terminou, e os dias melhores ainda estão por vir.

Quem quiser ouvir essas vozes, conhecer esses rostos e acompanhar os testemunhos e as músicas pode assistir ao culto Bem Mais que Vencedores completo no YouTube.