Cavar Novamente: A Diferença Entre Bênção e Legado
Muitas vezes, confundimos bênção com legado. Existe uma diferença entre ambos. A palavra que o Espírito Santo trouxe para este tempo é: cavar novamente.
Em Gênesis 26, a Bíblia apresenta alguém que foi gerado em uma visão, fruto de uma promessa e esperado durante toda uma vida. Isaac era o filho da promessa. Seu nascimento trouxe alegria a Abraão e Sara. Ele representa aquilo que parecia impossível aos olhos humanos, mas que foi gerado pela fidelidade de Deus.
Antes de Isaac, houve Abraão. Houve uma geração que abriu caminhos onde não existiam caminhos. Uma geração que ergueu altares, rompeu com a idolatria, deixou para trás a segurança do conhecido e respondeu ao chamado de Deus pela fé.
Eles caminharam sem possuir todas as respostas, mas tinham convicção de quem os havia chamado. Sua força não estava na clareza do destino, mas na confiança naquele que os conduzia. A verdadeira segurança não está em possuir todas as respostas. A verdadeira segurança está em saber quem caminha ao nosso lado. Por isso, mesmo sem conhecer todos os detalhes do caminho, existe uma certeza: seremos bem-sucedidos porque Deus está conosco, Ele preparou obras maiores, obras extraordinárias.
Talvez existam pessoas que acreditam que o tempo passou. Pessoas que pensam que certas promessas já não podem mais acontecer. Mas a mesma verdade permanece: o Deus que prometeu continua fiel para cumprir aquilo que falou. Assim como Isaac nasceu quando tudo parecia impossível, Deus continua gerando promessas onde muitos enxergam apenas limitações.
Em Gênesis 26, Isaac enfrenta um tempo de crise. Diante disso, Deus lhe dá uma direção clara: permanecer. A instrução não foi seguir a multidão, mas ficar onde Deus o havia plantado. Pode ser um lugar de crise, dificuldade ou incerteza. Ainda assim, a ordem continua a mesma: permaneça.
Satanás sempre tenta remover pessoas da posição que Deus lhes deu, porque ele próprio abandonou a sua. Por isso, existe um chamado para permanecer firme. Isaac ouviu a voz de Deus e permaneceu. Como resultado, colheu naquele mesmo ano. Não foi uma colheita apenas natural, mas sobrenatural. Há uma dimensão em que Deus abre as janelas dos céus e derrama provisão além da lógica humana. Por isso, existe uma expectativa profética para este tempo: colheremos mais do que esperávamos, viveremos mais do que imaginávamos, entraremos em uma dimensão de abundância que vai além das capacidades naturais.
Essa é a razão da esperança, o mundo pode parecer instável, os sistemas podem parecer cada vez mais fortes, mas a história continua nas mãos de Deus, Ele continua conduzindo todas as coisas.
A Bíblia afirma que Isaac prosperou, cresceu e se tornou extremamente rico, mas sua prosperidade não passou despercebida. O sistema ao redor não observou seu crescimento com admiração, observou com oposição, e existe uma guerra espiritual real. Existem forças que tentam impedir pessoas de alcançarem aquilo para o qual foram chamadas, mas a verdade continua sendo a mesma: maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo, somos cabeça e não cauda, somos mais que vencedores em Cristo Jesus. Ainda que as circunstâncias digam o contrário, essa continua sendo a realidade espiritual.
O Espírito de Vítima e a Mentalidade de Guerreiro
Muitas vezes, as pessoas se tornam vítimas daquilo que foram chamadas para vencer, mas Deus não chamou seu povo para viver dominado pelas circunstâncias. Existe uma convocação para abandonar a mentalidade de vítima e assumir a postura de guerreiro. Todo espírito de vitimização precisa ser quebrado, o guerreiro precisa emergir.
Nenhum sistema possui poder para impedir os planos que Deus estabeleceu, se foi Deus quem sonhou, será Deus quem completará. Os filisteus perceberam a prosperidade de Isaac e começaram a agir contra ele. Eles representam tudo aquilo que tenta interromper o fluxo do legado, da bênção e dos propósitos de Deus, por isso, a presença de adversários nem sempre é sinal de fracasso, muitas vezes, é evidência de que algo importante está acontecendo.
O sucesso, o avanço, o crescimento, a prosperidade chamam atenção. Existe uma batalha espiritual em torno daquilo que Deus está construindo. A história de Jó revela esse mesmo princípio, a batalha nunca foi apenas pelos bens que ele possuía, era pela sua adoração. Ainda hoje existe uma batalha pela fé, pela confiança e pela perseverança, as dificuldades procuram enfraquecer a convicção de que Deus continua no controle. As dificuldades não terão a palavra final, a fidelidade de Deus continuará prevalecendo.
Por isso, mesmo em tempos difíceis, permanece uma declaração: Deus continua escrevendo a história, continua cumprindo suas promessas, e aquilo que Ele começou, Ele também completará.
Os Poços de Abraão
Os poços de Abraão foram entulhados. Os inimigos contaminaram, lançaram lixo, sujeira e impediram o fluxo das águas. Naquela época, um poço representava muito mais do que uma fonte de água, era sinal de legado, continuidade e futuro. Sua existência determinava até mesmo onde cidades poderiam florescer, onde há água, há vida.
Muitas das águas que fluem hoje não foram cavadas pela geração atual. Há águas fluindo para casas, igrejas e ministérios porque alguém, em algum momento, decidiu cavar onde ninguém acreditava que havia algo valioso. Existem poços dos quais muitos bebem sem jamais terem participado da escavação, existem promessas que estão sendo vividas porque alguém pagou um preço anteriormente. Isso é legado.
O Fluxo Que Foi Interrompido
Os filisteus impediram o fluxo. A questão é: quais águas foram interrompidas?
Muitas vezes, existe a falsa impressão de que certos princípios pertencem apenas às gerações passadas. Porém, algumas verdades permanecem inalteráveis. Pecado continua sendo pecado, ainda que determinadas práticas se tornem modernas, populares ou culturalmente aceitas, a verdade de Deus não muda, enquanto a Igreja continuar rejeitando a iniquidade, haverá preservação. Quando o pecado deixa de ser confrontado e passa a ser adotado como cultura, o juízo se torna inevitável.
Existem coisas que Deus faz, existem coisas que o homem faz e existem coisas que cada pessoa precisa fazer por si mesma. A oração é fundamental, mas não substitui a responsabilidade pessoal, a oração prepara para a ação.
A oração é uma declaração de guerra contra o inferno e de obediência a Deus, muitas vezes, o problema não está na falta de oração, mas na ausência de atitude. Não é possível retirar alguém de um ambiente no qual existe acomodação, não é possível transformar pessoas permanecendo passivo diante da realidade. A missão da Igreja não é adaptar-se ao sistema e sim salvar aqueles que estão no sistema.
Diante dos poços entulhados, surge uma pergunta: o que precisa ser restaurado? Os poços do batismo no Espírito Santo, das línguas espirituais, do arrependimento, do “Eis-me aqui, Senhor”, da disponibilidade para Deus, do jejum, da oração, da intimidade.
Quando a Bíblia fala de um homem segundo o coração de Deus, apresenta alguém alinhado à agenda de Deus. Davi não era perfeito, mas caminhava com Deus.
Ezequiel 47 apresenta uma visão poderosa, o profeta vê águas saindo debaixo do limiar do templo. O limiar representa os fundamentos, as águas não fluem de qualquer lugar, elas fluem da casa de Deus, do lugar de encontro, de sacrifício, do lugar preparado para a presença, reservado para a comunhão com Deus, ali existem fontes capazes de satisfazer toda sede. Jesus continua oferecendo a água que satisfaz completamente.
Chegou o tempo de uma nova estação
Timóteo enfrentava um tempo de intensa pressão, a perseguição era real, o medo e a intimidação eram reais, mas Paulo o relembra de algo importante: a fé que existia nele não começou com ele, primeiro habitou em sua avó, depois em sua mãe e agora estava nele, por isso, a orientação era clara: voltar a ser ousado, voltar a adorar, voltar a falar em línguas, a evangelizar, confrontar principados e potestades, avançar novamente, pois Deus não deu espírito de covardia, mas de poder.
Conclusão
O chamado desta geração é voltar a cavar os poços, não criar novas fontes, mas remover os entulhos que foram colocados sobre aquilo que Deus já liberou. A chuva virá, as águas voltarão a fluir, a fonte não morreu, a fonte continua viva. O propósito não é apenas abraçar uma geração, mas transformá-la pela fé, pela verdade e pela presença de Deus.
Que venha sobre esta geração a unção para cavar poços e restaurar fontes, que todo espírito de medo e desânimo seja removido, que haja ousadia, perseverança e paixão renovada pela presença de Deus, que as águas voltem a fluir com força e abundância, que a fonte jamais seja interrompida. Que haja uma marca do Senhor sobre esta geração de cavadores de poços. Homens e mulheres comprometidos em restaurar fontes, reabrir caminhos espirituais e preservar o legado que receberam.
