Salmo 91: por que esse texto não é um amuleto, mas uma morada

Faça do Altíssimo a sua habitação | Devocional da Comunidade das Nações — thumbnail do devocional

Quem trata promessa como amuleto prova que nunca fez do Altíssimo a sua habitação. Essa é a tensão que atravessa o devocional de hoje, a partir de um dos textos mais conhecidos e também mais mal compreendidos das Escrituras: o Salmo 91.

Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio! Feito tens o Altíssimo a tua habitação; nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.

Salmos 91.9-10 (ACF)

O Salmo 91 ficou conhecido como o cântico contra pragas, contra tragédias, contra o mal que ronda a vida. Mas o perigo não está no texto. O perigo está em como ele é lido. Há quem leia esse salmo de forma supersticiosa, como quem busca proteção num papel, como se a página fosse um escudo mágico capaz de afastar o mal pela simples repetição das palavras. Esse salmo não foi dado para ser exibido. Foi dado para ser habitado.

Qual é o lugar mais seguro do mundo? Não é um bunker. Não é um endereço. O lugar mais seguro do mundo é a presença. Não é um objeto que se carrega, é uma morada que se assume. Habitar, segundo o próprio salmo, não é visitar ocasionalmente, não é recorrer a Deus só nos momentos de aperto. Habitar é um refúgio completo e assumido, é dizer ao Senhor que ele é o meu refúgio e baluarte, o Deus em quem confio plenamente.

Dessa confiança e dessa habitação nasce o descanso. E descanso aqui não significa negligência, não significa deixar de agir ou de cuidar da própria vida. Descanso é alinhamento interno, é a certeza de que existe um Deus poderoso e altíssimo em quem se habita, em quem se confia, a quem se entrega toda a existência. Quando o Altíssimo se torna morada, ele mesmo se torna retaguarda.

Existem livramentos que a gente percebe na hora. Outros só são reconhecidos ao longo dos anos, quando se olha para trás e se entende o tamanho da cobertura que esteve ali o tempo todo. Ainda que caiam mil ao lado e dez mil à direita, aquele que habita no esconderijo do Altíssimo não é atingido por aquilo que não tem permissão para atravessar sua cobertura. A fé, nesse texto, não é discurso. É escudo.

A segurança interior não amadurece pela repetição de fórmulas, mas pela troca da superstição pelo descanso real. As escolhas diárias revelam qual é o coração de quem as faz: um coração que de fato habita no esconderijo do Altíssimo, ou um coração que apenas repete palavras bonitas esperando que elas funcionem sozinhas.

Faça hoje do Altíssimo a sua proteção real. Não um amuleto. Uma morada.

A oração que encerra esse devocional pede exatamente isso: que o Senhor seja feito morada, não apenas endereço de proteção. Que não se busque nele um amuleto supersticioso, mas a sua presença viva, entregando-se por inteiro para descansar debaixo das asas desse Deus poderoso.

Quem habita verdadeiramente não precisa provar proteção. Vive coberto.

Para acompanhar essa reflexão na íntegra, assista ao devocional completo.