O Bom Samaritano e a Verdadeira Liderança: Por Que os Relacionamentos São a Hierarquia do Reino

Não transforme pessoas em meios | Devocional da Comunidade das Nações — thumbnail do devocional

O mundo costuma medir liderança pela quantidade de atividades cumpridas, pela agenda cheia, pelo ritmo mantido. Mas existe uma pergunta que atravessa essa lógica inteira: de que adianta uma espiritualidade ocupada se ela nunca para diante de alguém que sofre? No devocional de hoje, baseado no livro Conversas Íntimas com o Espírito Santo, dos bispos Dirce Carvalho e JB Carvalho, Aline Oliveira conduz essa reflexão a partir de uma frase direta: espiritualidade que não para em favor do amor torna-se apenas um movimento religioso.

O texto base é a conversa de Jesus com um intérprete da lei, registrada em Lucas 10.

Qual, pois, destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faze tu da mesma maneira.

Lucas 10.36-37 (ACF)

Para responder à pergunta do intérprete da lei sobre quem seria o próximo, Jesus narra a história de um homem espancado por salteadores e abandonado à beira do caminho, numa situação de total vulnerabilidade. Dois religiosos passam por ali, mas não param. Estão ocupados demais com suas próprias atividades, e para eles o exercício da compaixão não é prioridade. Depois passa um samaritano, alguém que, vindo de um povo rejeitado, reconhece a dor daquele homem. Ele se compadece, para e cuida de cada detalhe da restauração daquele que sofria.

Diante dessa cena, existem três formas possíveis de lidar com pessoas. Podemos estorquir, como os salteadores fizeram. Podemos evitar, como os religiosos fizeram. Mas também podemos amar, como o samaritano fez.

É exatamente no momento em que escolhemos entre essas três reações que se revela o estado real do coração.

Jesus amava pessoas, e era por isso que as multidões o seguiam. Ele tocava em vidas por onde passava, e cada toque trazia cura física, espiritual e emocional. Os relacionamentos não eram um detalhe do ministério de Jesus, eram o centro dele. Ao narrar essa parábola, Jesus deixa claro qual é a hierarquia do Reino: ela não é construída sobre produtividade religiosa, mas sobre como tratamos as pessoas que cruzam o nosso caminho.

A liderança saudável, a que permanece, não é um talento social. É a capacidade de sustentar vínculos sem transformar pessoas em meios para alcançar objetivos.

Essa verdade convida a uma avaliação honesta. Como você tem se relacionado com as pessoas ao seu redor? Como está a saúde dos vínculos que você construiu? Existe alguém que você deixou à margem do caminho, alguém que começou a caminhar com você e desistiu pelo meio? Essas perguntas não servem para gerar culpa, mas para revelar onde o amor precisa ser restaurado.

O devocional se encerra com uma oração pedindo que, assim como o intérprete da lei foi confrontado por Jesus, cada coração seja também mexido e alinhado a um amor verdadeiro e genuíno, capaz de produzir relacionamentos que permanecem.

Pessoas são a hierarquia do Reino.

Assista ao devocional completo e envie para alguém que precisava ouvir essa palavra hoje.