A Eira da Vida: Guardar o Coração e Soltar o Que Não É Seu Futuro

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Muita gente já ouviu falar sobre plantar e colher. É um ensinamento comum na vida cristã, presente no dia a dia de quem caminha há tempos com Deus, e é uma verdade válida. Mas existe uma etapa que fica no meio desse processo, pouco falada, e que precisa ser compreendida: o momento da eira.

A eira acontece quando a colheita já foi feita e é hora de separar o que é fruto do que é palha, o que é semente do que é estorvo, aquilo que vai ser guardado daquilo que precisa ser queimado ou jogado fora. No processo tradicional, joga-se tudo para cima, e o vento carrega para longe o que não presta, deixando ali somente o que tem valor.

Essa imagem é uma lição direta para a vida. Muitas vezes carregamos coisas pesadas ao nosso redor, dentro do nosso caminhar, que não fazem parte do que Deus planejou para o nosso futuro. E seguramos essas coisas por um instinto de sobrevivência, pelo medo de que, se soltarmos, não sobra mais nada. Uma amizade que distorce o caminho, mas que parece ser a única que temos. Um recurso financeiro guardado a sete chaves, porque parece ser tudo o que se tem, quando na verdade poderia ser usado para ajudar alguém ou ser dado como oferta.

A palavra de Deus é clara sobre a importância de zelar por aquilo que está dentro de nós:

Guarda o teu coração com toda a diligência, porque dele procedem as fontes da vida.

Provérbios 4.23 (ARA)

Guardar o coração não é apenas proteger de ataques externos. É também ter a coragem de examinar o que já está lá dentro e perguntar a Deus se aquilo pertence ao futuro que Ele preparou. A ira mais decisiva não é a que vem de fora, é a que precisa ser processada dentro de nós.

Um exemplo simples ilustra bem essa verdade. Durante um passeio que deveria ser leve e prazeroso, uma mochila pesada nas costas impedia que o momento fosse aproveitado. As costas doíam, o passo ficava mais lento, e a experiência se tornava um peso em vez de alegria. Só quando a mochila foi deixada num guarda volumes é que o passeio se tornou realmente maravilhoso. Muitas vezes é exatamente isso que carregamos na vida: coisas que impedem de alcançar o que Deus reservou, mas que seguramos por medo de ficar sem nada.

Quando a vida aperta, é natural entrar num modo de sobrevivência egoísta, segurando com força tudo o que se tem medo de perder. Mas é justamente nesses momentos que Deus está soprando, como o vento que sopra sobre a eira. Cabe a cada um pegar tudo o que está ao redor, levantar diante de Deus e perguntar: o que aqui é fruto e o que é palha? Quais amizades precisam ser deixadas para trás? Quais perfis precisam deixar de ser seguidos? Quais grupos precisam ser liberados?

Quando aquilo que não pertence é solto, Deus entrega muito mais do que se pode pensar ou imaginar. O deserto não é o destino final, é apenas a passagem para a terra prometida, e a frutificação vem depois do processo de separação.

Este devocional termina com uma oração de entrega, pedindo que Deus mostre o que precisa ser abandonado e que libere as recompensas já pedidas há tempo, a partir do momento em que os espaços forem abertos para o novo de Deus.

Assista ao devocional completo no canal da Comunidade das Nações e reflita sobre o que você tem carregado sem necessidade.