Governadas Pela Presença
“Eu amo a ciência, todos que me conhecem sabem o quanto eu gosto de estudar. Mas nós temos um Deus que é a fonte da ciência, Ele é o autor da ciência, Ele que deu inteligência e sabedoria aos homens. Então, quando nós olhamos para a palavra de Deus, e sabemos que Ele nos criou, e como Ele nos criou, Ele sabe exatamente os pontos mais obscuros da nossa história. Ele conhece as feridas mais profundas da nossa alma. Ele sabe exatamente onde Ele tem que ir, e aonde a ciência esbarra no seu limite. Mas nós temos o Espírito Santo, que vai nessas áreas mais ocultas da nossa vida, e é lá onde só Ele pode tocar.”
“Eu fiz uma avaliação de alguns heróis da fé, inclusive Raabe, para olhar para uma perspectiva do que a palavra nos ensina, e a alma dessas pessoas que foram consideradas heróis e heroínas. O que tinha na história delas que as moveu, de uma forma tão corajosa, tão ousada, para fazer o que fizeram e que estão na galeria dos heróis da fé? E eu amo esse texto de Hebreus 12, porque, quando chega lá no final, no último versículo, nos mostra que a galeria não se fechou. A galeria de heróis continua aberta, porque diz que sem nós eles não fossem aperfeiçoados. Então nós, hoje, neste tempo presente, assim como Deus levantou mulheres como Débora, Deus tem nos dado essa oportunidade de também termos atitudes ousadas, corajosas, que nos levam mais além.”
A Dor da Falta do Lar
Que sentimento é esse que ainda trazemos, como humanos que somos, que muitas vezes traz uma sensação de nostalgia? Nostos, que vem do grego, significa lá, volta para casa, e algos, a dor. A dor da falta do lar. Que lar é esse original que perdemos, e que a alma anseia por isso? É por isso que ansiamos ser governados pela presença, aquela presença que lá no Éden vinha toda tarde, na viração do dia, encontrar com o homem e a mulher.
Quando eles se escondem, e ouviram os passos do pai no jardim, os passos do pai que dava segurança e conforto, naquela tarde trouxe angústia na alma, turbulência, e correram a se esconder, porque tinham perdido o lugar do encontro. A conexão com o divino, ali foi a primeira perda. A perda original marcada na alma. Expulsos do jardim, os anjos interditaram a entrada. Ali começou o transtorno de ansiedade. Ali entraram os sentimentos mais primitivos na alma do ser humano, medo e vergonha. Ali a alma tumultuou, ali a alma perdeu a presença, essa presença que ansiamos e buscamos cada dia.
“O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos em uma terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam.”
— Isaías 58.11
O jardim interditado volta como profecia, como promessa a existir dentro de nós. E vemos o cumprimento desse jardim quando Jesus chega e diz:
“Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”
— João 7.38
E aí, quando Ele volta para o Pai, Ele diz:
“Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês.”
— João 14.18
Mas Ele vai deixar aqui o Espírito Consolador, aquele que rega a alma, que refrigera a alma, que começa a trazer esse jardim para a alma. Esse jardim que é cultivado pela presença do Espírito Santo de Deus. Porque do jardim viemos, ao jardim voltaremos.
“Àquele que vencer darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.”
— Apocalipse 2.7
Ali toda cura se consolida.
Débora, esposa de Lapidote
Quando a infertilidade começa na alma, os bloqueios, os emperramentos, aquilo que vai fechando a alma através do medo de ser mãe.
Quantas mulheres estão bloqueadas na fertilidade pelo medo de ser mãe, gostariam de se levantar como Débora, como mãe? E aqui é o tema do Modeladas.
O texto começa assim: Débora, esposa de Lapidote. Nem precisava falar do marido dela. Ela era chamada de juíza, mas ali está dizendo que Débora era mãe, era esposa, tinha uma família, e tinha um governo sobre a própria vida. Quantas mulheres estão bloqueadas na sua fertilidade, e às vezes acontece um encontro infértil, um homem e uma mulher carregando histórias bloqueadas que não conseguem fundar a descendência. É muito bom pensar como temos um Deus que trabalha todas essas coisas por nós.

O filho passa nove meses no ventre antes de o pai se presentificar na sua vida. E é a mãe quem, com as próprias atitudes, constrói ou destrói a figura do pai diante do filho. É ela quem legitima, ou não, a autoridade e a liderança dele dentro da família.
Não foi por acaso que satanás foi a Eva, ele queria roubar o que ela já carregava.
“Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e a descendência dela, que ferirá a sua cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.”
— Gênesis 3.15
O que sai do ventre da mulher é palavra profética apontando para Jesus, que pisou a cabeça da serpente na cruz e deixou, como antídoto, o Seu sangue para qualquer ferida, e calçou os pés com a preparação do evangelho da paz.
Antes de conduzir pessoas, uma mulher precisa ser conduzida por Deus
Preparando a palavra, veio uma frase da Bispa Dirce Carvalho: antes de conduzir pessoas, uma mulher precisa ser conduzida por Deus. E parece tão fácil uma mulher conduzir pessoas. Afinal, ela aprende muito cedo a conduzir, seja como esposa, como mãe, conduzindo os filhos na formação para a vida, ou como profissional, carregando a sua função inclusive em cargo de gestão. Uma mulher hoje alcança, no mundo corporativo, níveis muito altos pelas suas competências, mas a maior parte dessas competências ela desenvolveu em casa, na família, cuidando de marido, de filhos, as demandas, os desafios, se levantando como Débora.
Mas o que é, para nós, ser conduzida por Deus? E o que pode impedir de sermos governadas pela presença? Porque a frase fala de uma condução mais além. Não somente em tarefas e atribuições que seriam muito fáceis, não somente nas crenças e valores implantadas no coração de um filho desde que ele vem para o ventre, mas uma condução que atravessa o natural de uma vida, num destino profético para um filho que uma mãe recebe. E esse é o contexto para uma mulher que busca ser governada pela presença para cumprir a sua missão.
Nas nossas múltiplas demandas, nos movemos muitas vezes no automático. Podemos ter inúmeros argumentos para justificar a falta de tempo para tomarmos consciência do que significa ser governado pela presença. Mas chega um momento em que a alma começa a se angustiar. E percebemos que não suportamos mais esse automatismo da urgência, do tenho que, o tempo inteiro. E sentimos a necessidade de parar para escutar a alma. Muitas vezes é o corpo gritando pela via dos sintomas.
E chega aquele momento em que nem percebemos que estamos diante de uma presença que não se manipula e não se negocia com as nossas argumentações. Porque, nesses momentos, o temor nos toma, não medo, mas a consciência da santidade, quando a presença nos alcança. E a alma clama pela presença de Deus, e nesse momento as demandas deixam de ser tão importantes. Porque a alma não se satisfaz apenas com as ações rotineiras. Ela quer a presença.
Pai nosso que estás nos céus
Nunca vimos um tempo com tantas mulheres angustiadas, doentes.
“A psiquiatria dá conta disso, escuta isso todos os dias. Os consultórios, os terapeutas, os psicólogos, todos os dias têm essa demanda. Mulheres angustiadas, mulheres adoecidas, mulheres que na condição financeira têm tudo o que querem e precisam, mas que têm algo lá dentro que está pulsando.”
Ao pensar sobre isso, a oração do Pai Nosso, que Jesus ensinou em Mateus 6, pulsou no coração. Ao pensar sobre o clamor da alma, Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome, a alma anseia pelo Pai, como aquela criança que anseia pelo momento em que o pai chega em casa, e corre para os seus braços, para o seu colo. Geralmente começamos a orar essa oração tão especial como uma oração rotineira que aprendemos desde criança, e a tendência é seguir muito rápido para os versículos seguintes: vem o Teu reino. O reino é inevitável, queridas, quando o rei é reconhecido. Mas antes do governo, o nome. Antes das obras, o santo. Antes do movimento, o temor. Orar essa oração é pedir a presença de uma forma íntima, e sermos tomados por essa santa presença.
“Feche seus olhos nesse momento, que você possa dizer: Pai nosso que estás nos céus. Pai, revela a Tua paternidade agora, revela para nós o Teu coração. Compartilha os Teus pensamentos e os Teus planos para nós. Aviva o nosso coração, Senhor, meu Pai, preencha a gente com a certeza da filiação, nós somos Tuas filhas, Teus filhos, e nós queremos ser governados pela presença.
Pai, nós queremos a Tua presença aqui, manifesta a Tua presença aqui agora, nos nossos corações. Presta, Pai, com essa certeza que faltou na vida de tantas mulheres que carregam a menina ferida dentro da alma, que anseia ter firmeza, mas a inconstância sempre bate a sua porta. A menina que ainda busca o olhar do pai, a atenção do pai, o abraço do pai, o reconhecimento que nunca veio. Em meio a tantas críticas, a menina que viveu o desamparo, o abandono, a negligência, a menina que ficou sentada à porta, à espera da presença do pai que não vinha, a menina que carrega a sensação de orfandade, que desistiu de esperar pela presença, e que virou uma mulher adulta, mãe, que nem percebe que a instabilidade espiritual e emocional que ela vive é muitas vezes uma criança ferida tentando sobreviver dentro de um corpo adulto.
Nenhuma mulher se torna verdadeiramente segura enquanto a sua história governa as suas emoções. Supre, Pai, a menina carente que desejava ser conduzida pela mão firme do Pai nos caminhos da vida. E que hoje a mulher adulta, que lidera, que governa tantas coisas, mas ainda tem a menina insegura atuando nos seus pensamentos, emoções e vontade, ainda tem medo de ser rejeitada, ainda busca excessivamente aprovação para tudo que faz, ainda tem o coração ferido da menina, e não consegue confiar que a Tua presença pode curar as feridas, pode trazer a segurança que faltou, o senso de pertencimento que afirma a identidade, e a compreensão de que o Teu governo se presentifica hoje para conduzi-la ao propósito que o Pai preparou para ela, como filha amada.”
Aquele que foi para a cruz está levantando mulheres curadas. O Pai Nosso não está apenas levantando e conduzindo mulheres fortes, Ele está curando mulheres feridas, para que se permitam ser governadas pela presença, para que a dor deixe de governá-las. A alma doente não assimila a presença, porque não confia no governo amoroso do Pai. Líderes fortes, querida, não são aquelas que nunca choraram, mas são aquelas que permitiram que Deus tocasse as suas feridas.
“Só ele cura os de coração quebrantado e enfaixa as suas feridas.”
— Salmo 147.3
Muitas mulheres aprenderam a servir, a liderar, a cuidar de tudo e de todos, a suportar, mas nunca aprenderam a curar suas feridas. E a criança ferida sempre encontra uma forma de falar dentro da mulher adulta, numa palavra, numa atitude. Quantas aprenderam a conduzir, sustentar, cuidar, realizar, mas continuam fazendo tudo isso sem perceber que saíram do lugar de filhas conduzidas e governadas pela presença do Pai. Esse é o pior lugar que se pode estar.
“Olhe para a sua menina no espelho da sua alma nesse momento. Peça a Deus para te mostrar aquela menina guardada no espelho da sua alma, e diga para o Pai nosso: Pai, cura a menina que existe dentro de mim, para que eu me torne a mulher firme que o Senhor quer governar, porque eu quero ser governada pela Tua presença, Pai. Para aquela menina que um dia ficou sentada à porta da casa, e que está hoje à porta da vida, esperando alguém que lhe dê valor, alguém que lhe preste atenção. Às vezes espera isso de um marido, às vezes de um filho, às vezes de um líder, porque o pai nunca chegou, a mãe nunca teve tempo, a palavra de afirmação nunca veio, o abraço nunca aconteceu.”
Os anos passam, e a menina se tornou essa mulher que trabalha, lidera, serve, cuida de todos, mas dentro dela ainda continua sentada à porta, esperando. Mas um dia Jesus chega naquela porta, olha para a menina, se abaixa e diz: você não precisa mais esperar, eu estou aqui. Hoje Jesus está visitando portas antigas da sua história, para curar os quebrantados de coração. E você vai poder caminhar, a menina, a mulher, e o Pai Celestial. E quando você caminha com o Pai Celestial, a menina é curada.
“A Tua presença suave, que produz reverência. Aquela presença que toma este lugar, Pai. Toma o nosso coração, não como uma teoria sobre o Teu governo, mas como presença palpável. Vem, Jesus, com a resposta da oração que o Senhor nos ensinou. Vem revelar o Pai aqui e agora, assim como o Senhor revelou para Felipe, quando Felipe chegou diante de Jesus e perguntou, Jesus, mostra-nos o Pai. E a resposta de Jesus foi tão forte: eu estou há tanto tempo com você e você ainda me pede, mostra-me o Pai? Eu e o Pai somos um.”
Quantas vezes, por não compreender essa verdade, resiste-se ao governo da presença, porque o pai terreno não era confiável e produziu tantas dores na alma. O Pai quer curar filhas que carregam feridas paternas, feridas de rejeição, e não têm conseguido descansar no governo do Pai. A paternidade revelada na presença, queridos, é onde toda a dor do desamparo se acaba. Porque a consciência da santidade de Deus, que produz temor e reverência na vida, quebranta o coração, e é o lugar onde precisamos estar se quisermos ser governadas pela presença.
Quantos não têm a consciência da santidade de Deus? Uma geração dispersa, distraída, se deixando levar por tanta coisa. E aí não tem temor, não tem reverência. Porque a consciência da santidade produz sabedoria, a revelação do propósito de vida, e produz obediência aos princípios do reino, e desarma todas as nossas resistências.
Governados pela presença começa aqui, agora, na presença do Pai, com temor e reconhecimento à santidade de Deus. Que essa compreensão entre hoje e limpe a consciência, e quebrante a consciência, e tire toda a dureza da consciência, toda a casca da consciência que nos tornou tão insensíveis para a presença. Precisamos urgentemente compreender o que significa o nome de Jesus. Santificado seja o Teu nome não é uma nomeação qualquer. O apóstolo Paulo fala em Filipenses 2 que Deus Pai exaltou Jesus soberanamente e lhe deu um nome acima de todo nome:
“Por isso, Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e debaixo da terra.”
— Filipenses 2.9-10
O céu reconhece, queridas.
Dependência não é fraqueza
Muitas vezes estamos fazendo tantas coisas para Deus que podemos perder a sensibilidade do que Deus quer fazer dentro de nós. E esse é o perigo de crescer e perder a dependência. Há um paradoxo na maturidade. Crescemos para adquirir autonomia, mas espiritualmente amadurecemos para reconhecer a nossa dependência.
“Confie no Senhor de todo o coração e não se apoie no seu próprio entendimento. Reconheça-o em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.”
— Provérbios 3.5-6
Uma mulher experiente tem repertório, tem história, tem competência, já resolveu muitos problemas, já atravessou crises, já aconselhou pessoas, já liderou projetos, já criou filhos, já tomou decisões difíceis na vida. E aí pode vir um perigo silencioso, o de ficar tão boa em conduzir pessoas e coisas a ponto de deixar de perguntar a Deus para onde Ele quer levar. Continuamos funcionando, produzindo, ministrando, cuidando, mas dependemos cada vez mais da experiência acumulada e cada vez menos da presença.
A maturidade espiritual não é precisar cada vez menos do Pai, é descobrir cada vez mais o quanto precisamos dEle. Porque só isso sustenta a aliança. E para aceitar o governo da presença, quem alcança a maturidade não são crianças emocionais, que ainda vivem correndo de um lado para o outro, sendo levadas por qualquer vento de doutrina, como ensina o capítulo do amor, o caminho sobremodo excelente.
“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.”
— 1 Coríntios 13.11
“Desista, minha irmã, para de pirraça, de silêncio dentro de casa, de emburrar, de fechar a cara, de agir como criança, de criar guerra de silêncio em casa, de agir na igreja como criança que não suporta muitas vezes um alimento sólido, porque está acostumada com esse mundo de consumismo, e quer muito consumir mensagens consoladoras. Mensagem consoladora é necessária, mas não forma caráter, não dá concretude à obra. Nós precisamos sim de coisa sólida.”
Quando a filiação é ferida, a performance tenta ocupar o seu lugar. A menina que não recebeu reconhecimento pode se tornar uma mulher extremamente realizadora. A que não se sentiu vista pode crescer tanto para se tornar indispensável. A que precisou merecer afeto pode levar para sua relação com Deus a mesma lógica: se eu fizer mais, talvez Ele me ame mais. E aí nasce a performance espiritual. Fazer, fazer, fazer. Às vezes fazemos para Deus aquilo que secretamente esperamos que Ele nos faça, nos sentir mais amadas. Isso é exaustivo, cansativo.
“Quantas mulheres cansadas eu vejo em qualquer lugar. E aí, fulana, como você está? Cansada. Ainda mais que hoje tem diagnóstico, estou de burnout. Cansada, exausta, exaurida. O trabalho pode nos cansar, mas nada que uma boa noite de sono não resolva. Agora, quando o cansaço é na alma, a noite não resolve, porque ela não é boa, porque a cabeça não desliga, porque continua trabalhando o tempo inteiro numa tentativa de pagar dívida, uma dívida que não existe. A dúvida, a dívida, a culpa e a negação são quatro coisas que ficam nesse percurso.”
Entenda uma coisa: filhas não compram o amor do Pai. Filhas recebem. A performance diz, eu faço, portanto eu mereço o amor. A filiação diz, eu sou amada, portanto eu respondo ao amor.
“Pois vocês não receberam um espírito de escravidão, para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os torna filhos por adoção, por meio do qual clamamos: Aba, Pai.”
— Romanos 8.15
Se traduzíssemos Aba, Pai, não seria só papai. Pai, no hebraico, é potência paterna. É o Pai que não falha, o Pai pleno, o Pai perfeito, feito da paternidade suprema, absoluta e poderosa, pelo qual podemos confiar. Portanto, o reino não é sustentado por escravas tentando impressionar Deus, é vivido por filhas que aprenderam a descansar no governo do Pai.
Algumas de nós precisamos de um verdadeiro batismo de arrependimento. Arrependimento por termos trocado dependência por competência, intimidade por atividade, presença por performance, obediência por eficiência, e filiação por reconhecimento. Arrependimento não é apenas chorar pelo caminho errado, mas é voltar o coração para o Pai. É voltar para casa. É voltar para o lugar onde não preciso provar nada, onde não sou amada porque prego, porque lidero, porque cuido, porque sirvo, porque trabalho, porque produzo, porque entrego resultados. Mas sou amada porque sou filha.
Governa-me
Mas no Pai Nosso, antes do reino, Ele nos ensinou o relacionamento, antes de vir o Teu reino. Jesus colocou isso nos nossos lábios, Pai. Onde o nome é restaurado, o reino se manifesta, e agora podemos pedir: venha o Teu reino. Porque o reino é inevitável, como falei, quando o rei é reconhecido, vem o Teu governo e nos governa realmente, Senhor, porque Teu reino começa quando o meu próprio governo termina.

Mas muitas vezes nós não queremos abrir a mão do nosso próprio governo, e eu penso que aqui está uma das maiores dificuldades da nossa vida. Nós queremos a presença, todo mundo quer, mas nem sempre queremos o governo. Gostamos da presença que consola, que abraça, que cura, que responde. Mas ser governada pela presença significa também entregar o direito de conduzir a própria vida segundo o nosso entendimento. Significa que, naqueles momentos de desafio, quando acontece alguma coisa fora do nosso controle, porque nós gostamos de controlar, quando acontece algo na nossa família que foge do nosso controle, e aí nós precisamos pensar como Isaías, o meu direito está perante o Senhor.
“Ah, Senhor, eu tenho o direito de um casamento perfeito, eu tenho o direito de ter meus filhos na igreja, eu tenho o direito disso, disso, disso. Mas chega o momento da nossa vida em que a gente tem que fazer assim, com a nossa mão: toma, Pai, eu entrego o meu direito. Qual direito seu foi subvertido, foi transgredido, que você pode botar na palma da sua mão e dizer, toma, Senhor, eu não dou conta, essa demanda já me cansou demais, eu estou entregando ao Senhor esse direito, porque o Senhor vela pelo meu direito.”
Mas presta atenção, quando você entrega, Ele vai testar para ver se a entrega foi real, e logo vem a prova. E a prova é quando a coisa acontece, e a tentação é falar, não adianta, eu entreguei para Deus, Deus não fez nada, então eu faço.
“Eu costumo brincar com as minhas pacientes, quando elas fazem umas coisas assim, eu falo: que pena, voltou para o final da fila, sua bênção estava tão próxima, voltou para o final da fila, você tomou o direito de volta. Sabe qual é o sintoma? A raiva que se manifesta em ações, porque não é pecado a ira vir, o pecado é a ira te tomar e você agir fora do propósito de Deus.”
Então a gente tem que escolher, o que vamos fazer? Vem o Teu reino, porque reino, queridos, não é apenas um ambiente espiritual, reino é governo. E a gente poderia fechar dizendo: Pai, governa meus pensamentos, governa minhas emoções, governa minhas escolhas, governa minhas relações, governa minha agenda, governa minhas ambições, governa aquilo que ninguém vê em mim, mas que eu sei que tem.
Podemos ser mulheres que governam muitas coisas, mas Deus está nos perguntando: quem governa você? Porque quando uma mulher volta para o governo do Pai, alguma coisa acontece na sua casa. A presença começa a transbordar para os ambientes que ela habita. Governados pela presença não é uma experiência restrita a uma conferência. A presença vai conosco para casa. No final do dia, a presença tem que ir com a gente para casa, para a mesa, tem que ir para o quarto, tem que ir para a conversa com o marido, tem que ir para a relação com os filhos, tem que ir para as decisões, tem que ir para os conflitos, e tem também que ir para os silêncios.
Então, quando o governo vai conosco, os altares familiares começam a ser restaurados. Porque a mulher governada pela presença não leva apenas princípios para sua casa, ela cultiva fome pela presença dentro dela. A fome por Deus, a mesa, a oração nos quartos. Há conversas que voltam a ter profundidade. Os filhos não ouvem apenas falar de Deus, eles percebem que Deus participa daquela casa. E eu penso que um dos maiores legados espirituais que podemos deixar aos nossos filhos não é ensinar-lhes o que dizer sobre Deus, mas permitir que eles vejam como nós vivemos quando sabemos que Deus está presente.
O altar restaurado começa dentro de nós. Você se lembra de como Elias restaurou o altar? Jogou água onde queria fogo. A água é o símbolo da palavra. Pediu a presença, que se manifestou ali. Quantas pedras foram colocadas naquele altar, quem lembra? Doze. Quantos cântaros, quantas vezes eles foram derramar água? Quatro vezes três, doze. Cada pedra representava uma tribo dos filhos de Jacó. Família. Quando o altar é restaurado na nossa casa, e o altar começa a ser restaurado no nosso coração, o fogo alcança a casa. Não é mais uma atividade na agenda familiar, é uma família aprendendo novamente a reconhecer que Deus está no seu cotidiano.
A palavra no coração primeiro, para ser transmitida aos filhos, assentados em casa, andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar. Essas palavras, primeiro estarão no seu coração, depois você as transmite.
Antes de conduzir pessoas, quero fechar com a mesma frase: uma mulher precisa ser conduzida por Deus. Porque precisamos ficar mais rendidas para sermos governadas. Não com uma lista de coisas para fazer, mas com fome da presença. Não precisamos provar ao Pai que somos boas filhas, precisamos voltar a descansar no fato de que somos filhas. E a oração mais importante dessa conferência é: Pai, governa-me.
“Governa o que eu penso, Senhor. Governa o que eu sinto, meu Pai. Governa o que eu desejo. Governa o que eu faço. Governa a minha casa. Governa o meu ministério. Governa meus relacionamentos. Governa meu futuro. Porque eu finalmente compreendi que não quero apenas a Tua presença comigo, eu quero a Tua presença me governando. E eu posso dizer como Moisés, se a Tua presença não for comigo, não me faça ir.”
Quem é a menina que precisa de cura? Que foi rejeitada, que foi desamparada, que ficou à porta da casa? Quem é a mulher que precisa de um batismo de arrependimento, com tanta atividade, tão pouco tempo para Deus? O Senhor está derramando bálsamo de cura. Meninas feridas vão ser curadas, em nome de Jesus. Você não precisa mais esperar o reconhecimento do Pai que não veio. Você tem um Pai que te ama, você tem um Pai que te acolhe, que te toma pela mão, que te conduz.
Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome, venha o Teu reino, porque eu reconheço o Teu nome, eu me rendo, e a filha pode finalmente descansar na presença do Pai, em nome de Jesus. Permita-se ser curada, modelada e governada pela presença, porque a presença não só nos acompanha no caminho, ela nos modela enquanto caminhamos.
Sobre Ilma Cunha
A Dra. Ilma Cunha é psicóloga, psicanalista, terapeuta familiar e teóloga, com mais de 30 anos de atuação em palestras, treinamentos e consultoria na área comportamental, para empresas públicas, privadas e familiares.
É autora dos livros Família, Lugar de Refúgio ou Campo de Batalha?, Enigmas da Alma e Somos Ouro, a Aliança Conjugal e a Longevidade do Casamento. Sua marca é articular conceitos psicológicos e espirituais de um jeito que a pessoa entenda o próprio comportamento além da superfície. Ministra em encontros de casais, congressos de família e seminários no Brasil e no exterior.

