Escola do Deserto: As Estações que Preparam Você para a Conquista

Conferência Global - Saindo dos Desertos da Vida | JB Carvalho — thumbnail do vídeo

Eis que faço coisa nova, que já vem à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto e rios no ermo.

Isaías 43.19 (ARA)

A Bíblia é o nosso referencial fixo de conteúdo axiológico. É o referencial de valores sobre o qual se baseia toda a fé e todo o sistema de crença do povo de Deus. É lâmpada, é luz, é remédio, é espada, é a verdade que muda corações, que transforma nações e civilizações. É a partir dela que se enxerga a jornada do povo de Israel do Egito até a terra prometida, e é a partir dela que se enxerga a própria jornada de cada um que ainda está atravessando o seu deserto.

Essa jornada tem estações. Cada estação tem nome, tem significado, tem uma lição que não se repete em nenhuma outra parada. E o que aconteceu com aquele povo, entre Ramessés e o Jordão, não é um relato distante. É o espelho exato do que acontece hoje com quem sai de uma escravidão, atravessa um deserto e caminha rumo a uma conquista.

Ramessés e Sucote: a cidade do trabalho escravo e a festa da memória

Tudo começa em Ramessés. Era uma cidade construída por escravos que não conseguiam prosperar, apesar de trabalhar muito. Não havia mobilidade social naqueles dias. As pessoas trabalhavam para comer e não conseguiam construir patrimônio. A verdade é que essa realidade não é tão distante da nossa. O brasileiro empobreceu. As pessoas não estão conseguindo evoluir, construir patrimônio, prosperar. No geral, muitos ainda vivem uma realidade parecida com a dos escravos em Ramessés: trabalho sem construção, esforço sem herança.

Dali eles saíram e passaram por Sucote, de onde vem a festa dos tabernáculos. Mesmo depois de 500 anos, depois de 1000 anos, o povo tinha que voltar ao seu estado mais primitivo e habitar sete dias em tendas. Podiam ter construído palácios, podiam ter ficado ricos, mas tinham que voltar a sete dias de simplicidade e se alegrar, se contentar com o básico, com o primordial. É tão importante voltar a esse momento depois de ter vivido o sucesso, e entender de onde você veio, de onde vieram os seus pais.

Um grupo de adolescentes foi enviado de Brasília para o sul do Piauí. Quando viram aquela condição miserável, voltaram com outra percepção, com outra lógica, com outro agradecimento no coração. Sucote é isso: a festa dos tabernáculos, onde uma vez por ano as pessoas deveriam habitar em tendas, em lugar sem luxo, sem nenhum alimento sofisticado. Deveriam comer de maneira simples, e o mandamento era que fizessem isso com alegria no coração. Deviam celebrar o básico, beber água com satisfação, comer com alegria, celebrar os vizinhos das tendas, fazer isso por uma semana inteira. É um exercício espiritual de gratidão.

Ramessés é a cidade armazém construída pelo trabalho escravo. Sucote é a lembrança do cativeiro. E quando se vive uma condição mais primitiva como essa, aparece Etã.

Etã: a nuvem que guia o que os mapas não alcançam

Em Etã aparece a nuvem pela primeira vez. De repente surge um novo expediente: uma nuvem vai guiar o povo. O povo agora está num lugar de transição. Não é mais o Egito, não é mais Canaã. Os mapas antigos deixaram de funcionar. O futuro não está totalmente visível. Então surge uma coluna de nuvem, uma coluna de fogo. A presença de Deus se torna guia.

Hoje essa mesma presença habita dentro de quem crê, e guia de dentro para fora. Não se sabe de onde vem, nem para onde vai.

O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes onde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.

João 3.8 (ARA)

De repente surge um impulso interior. De repente surge uma direção diferente. De repente alguém é movido a fazer algo, com os ouvidos abertos. De repente alguém fala algo e o coração se entristece. De repente alguém dá um passo e entra em luta, em guerra, e se pergunta o que fez. Então dá um passo atrás para recuperar a paz.

Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.

Colossenses 3.15 (ARA)

O Espírito Santo guia os filhos de Deus, e esse é tempo de decisões acertadas, de decisões de qualidade. É tempo de recolher os despojos de uma guerra que já foi lutada. A nuvem determina o ritmo da jornada. Não se pode correr e atravessar a nuvem. Não se pode ficar para trás da nuvem. Quando a nuvem se levanta, o povo se move. Quando ela para, o povo espera.

Pi-Hairote: o beco sem saída que vira palco da glória de Deus

O clímax dessa primeira estação é Pi-Hairote, o lugar sem saída. De um lado estava o mar. Deus levou o povo para um beco sem saída. Já esteve alguém assim, num lugar sem saída nenhuma? Deus coloca o povo todo ali de frente para o mar, e os carros e carruagens de faraó vêm atrás. Mas a nuvem se interpõe entre os inimigos e o povo de Deus.

Pois eu, diz o SENHOR, lhe serei um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória.

Zacarias 2.5 (ARA)

Existe uma proteção que ninguém vê por fora, mas que sustenta por dentro. Há dias em que se acorda com a sensação de estar cercado de anjos, cercado de glória. E de fato, quem está em Cristo está cercado de anjos, cercado de glória, coberto pelo sangue do Cordeiro. Naquela Páscoa havia sangue nos umbrais, e o destruidor não podia entrar naquela casa.

Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.

Salmos 91.10 (ARA)

Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido.

Salmos 91.7 (ARA)

Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR e o seu direito que de mim procede, diz o SENHOR.

Isaías 54.17 (ARA)

Pi-Hairote é o passado avançando rumo ao povo, que é o Egito e faraó, enquanto o futuro parece bloqueado. É um beco sem saída. Mas o mar não é um erro de rota. É um palco para a glória de Deus se manifestar.

O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado; o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.

Naum 1.3 (ARA)

Deus faz o seu caminho na tormenta. O mar se abre, se torna passagem. Israel atravessa em terra seca, e o mesmo mar que se torna caminho para os filhos de Deus se torna juízo para o exército egípcio. O passado fica sepultado nas águas.

Disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.

Êxodo 14.15 (ARA)

Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR, que ele hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver.

Êxodo 14.13 (ARA)

Os inimigos que se via naquele dia, nunca mais seriam vistos outra vez.

Mara: as águas amargas e o Senhor que sara

Depois de atravessar o mar, Miriã pega o tamborim e começa a cantar como Deus afogou faraó, seus carros e carruagens. Nasce uma nova canção. E a primeira parada é Mara, o lugar das águas amargas, onde o ressentimento brota porque não tem água. O povo reclama, e ali Deus responde colocando uma árvore no meio das águas, que, quando lançada, purifica as águas e as torna potáveis, doces.

e disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o SENHOR, que te sara.

Êxodo 15.26 (ARA)

Quando Deus se apresenta de uma forma, dá para saber o que ele vai fazer. Os nomes de Deus apresentam Deus. Se ele aparece como o Senhor dos Exércitos, pode saber que vai ter briga, que os demônios vão ser atropelados. Se ele aparece como o Senhor a nossa justiça, pode saber que o prumo dele vai se estabelecer, que ele vai corrigir rotas, estabelecer juízos, destronar poderes ímpios e corruptos. E quando ele se manifesta, os demônios não podem ficar. Deus é entronizado no meio dos louvores, e ali cadeias quebram, laços se desfazem.

Elim: o oásis que não pode virar morada

De Mara seguem para Elim, as doze fontes e as setenta palmeiras. Há um oásis preparado por Deus para o seu povo, um tempo de descanso para quem está saindo da guerra, da luta, da tribulação, da batalha. Mas Elim é um teste, porque muita gente começa a querer fazer sua estação permanente nas férias. Ninguém vive de férias, apenas tira férias. Deus dá um tempo de paz para reestruturar, e depois segue lutando e vencendo, sabendo que os inimigos vencidos não serão vistos outra vez. Israel nunca mais viu o Egito.

Quando o Egito reapareceu em Israel, com o faraó Necó, não era para Josias lutar contra o Egito. A situação já estava resolvida, e Josias foi desafiar um faraó numa guerra que Deus já havia encerrado. O grande rei Josias morreu numa guerra que não era dele. Há pessoas morrendo em guerras que não são suas. Escolher as batalhas é parte da sabedoria de quem atravessa o deserto.

Então surge outra vez a fome. O povo romantiza o Egito, e Deus envia o maná. Israel agora vai viver da provisão do céu, não dos armazéns do Egito. Provisão não é estoque, é relacionamento.

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

Mateus 6.11 (ARA)

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Salmos 23.1 (ARA)

Os leões passam necessidade e fome, mas aos que buscam o SENHOR bem nenhum lhes faltará.

Salmos 34.10 (ARA)

Depois de mais de duas décadas de história, dá para dizer com segurança: nada faltou. O Senhor é o pastor, e bem nenhum falta a quem o busca. Cada manhã exige dependência renovada.

Refidim: a murmuração, Amaleque e a bandeira do Senhor

A estação culmina em Refidim, que é o lugar do descanso, mas que se torna lugar de luta por causa da murmuração. A murmuração, segundo o Novo Testamento, traz o destruidor. A murmuração traz as serpentes abrasadoras. A murmuração traz luta.

Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo destruidor.

1 Coríntios 10.10 (ARA)

Reclamar é compartilhar problemas com quem não pode resolvê-los. Fique longe de pessoas que reclamam. E foi essa mesma murmuração do povo que atraiu Amaleque. Ali termina a primeira grande estação. Amaleque é aquele que ataca pelas costas. Quando o povo está cansado, fadigado, fraco, vem uma tribo do deserto e ataca sem regra. Amaleque faz o trabalho do diabo, só que o diabo é um derrotado.

Israel precisa de gerações unidas para vencer Amaleque. Moisés tem as mãos erguidas, e Arão e Hur sustentam Moisés sentado sobre a rocha, que é Cristo. Enquanto Moisés baixava as mãos, Amaleque prevalecia. Quando Moisés levantava as mãos, Amaleque era derrotado. Amaleque é vencido, e Deus diz que haverá guerra contra Amaleque em todas as gerações.

Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu.

Êxodo 17.14 (ARA)

E disse: Porquanto o SENHOR jurou, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração.

Êxodo 17.16 (ARA)

Se em Mara Deus se apresenta como o Senhor que sara, em Refidim ele se apresenta como o Senhor a nossa bandeira. Não se luta pela bandeira do ódio, porque o ódio não vence o ódio. Não se luta pela bandeira da amargura e do ressentimento. Há varões que levantam mãos santas, sem ira nem animosidade.

Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.

1 Timóteo 2.8 (ARA)

A grande estratégia para lutar contra Amaleque é vencer o inimigo sem se tornar o inimigo, porque muita gente faz a obra de Deus com a estratégia do diabo. Muita gente se corrompe por dentro de amargura e ressentimento. Muita gente fica decepcionada, frustrada, e isso amalequiza o coração. Um cristão ressentido e ferido é um provável amalequita, um provável hater da internet, um provável descontente que vai jogar seu veneno onde puder, que vai vomitar em público. É isso que se vê na internet: gente que vomita publicamente.

Sinai: o nascimento de uma civilização sob a lei

Depois de Refidim, o povo vai ao Sinai. E no Sinai nasce uma civilização inteira. O monte fumegava, e o profeta Habacuque descreve o que aconteceu naquela península.

Deus vem de Temã, e do monte Parã vem o Santo. A sua glória cobre os céus, e a terra se enche do seu louvor.

Habacuque 3.3 (ARA)

Aquela geração viu o que ninguém viu até hoje. Viu a glória de Deus descer sobre o monte, e o monte estava incendiado pela presença. Moisés entra naquele monte, fica quarenta dias no tempo de fora, e vive um tempo totalmente diferente lá dentro. Quando volta, traz as dez palavras, os dez mandamentos, que se tornam a regra de vida para toda a civilização ocidental e oriental, para todo o planeta.

Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles. Eu sou o SENHOR.

Levítico 18.5 (ARA)

Esses princípios regem a vida, regem o casamento, regem a criação de filhos, regem os impostos, regem os juros, regem a economia, regem a relação com os estrangeiros, a relação fraternal entre pessoas. A lei que Deus entrega rege cada aspecto da vida. Não é um assunto apenas religioso. A Bíblia descreve todas as relações humanas, pode ser ministrada em cada esfera da vida. Não é um livro sobre religião, apenas transcendência, metafísica. É um livro sobre como tratar as pessoas, como negociar, como honrar acordos, como respeitar a propriedade privada.

Nasce ali, pela primeira vez na história das civilizações, o princípio de que o rei, o líder, o sacerdote está abaixo da lei. Faraó era a lei. Gêngis Khan era a lei. Os reis da Assíria eram a lei. Agora todos estão sob o mesmo prumo, o mesmo código ético, moral, de princípios. E quem erra contra a lei tem que ser punido a partir da lei.

vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.

Êxodo 19.6 (ARA)

A linha do tempo ajuda a enxergar a dimensão disso. O povo sai do Egito no capítulo 14 de Êxodo. No capítulo 15 chega do outro lado do Mar Vermelho. No capítulo 19 chega ao Sinai. Nada de bom aconteceu enquanto o povo murmurou e reclamou. Mas agora entram num pacto, numa aliança. Deus diz que serão uma nação de reis e sacerdotes, um povo santo, nem egípcios, nem cananeus. São o povo de Deus, e se conduzirão conforme a sua lei. Depois que saem do Sinai, não podem mais reclamar e ficar impunes. Não podem mais quebrar princípios achando que os princípios não os quebrarão.

Do capítulo 19 ao capítulo 40 de Êxodo, há apenas a descrição do que aconteceu no Sinai. O povo ficou onze meses ali, e foi naquele tempo que o livro inteiro de Levítico foi redigido. Só saem no capítulo 10 de Números, e nesse ponto já não são mais uma nação de escravos. São uma nação com tribos ordenadas, com bandeiras, um exército organizado para marchar e conquistar a terra prometida.

Taberá, Quibrote-Hataavá e Hazerote: os sepulcros da cobiça

Saindo do Sinai rumo a Cades, o povo passa por Taberá, Quibrote-Hataavá, Hazerote e Ritma. Em Quibrote-Hataavá, que significa os sepulcros da cobiça, o povo reclama de fome, e Deus dá codornizes. Eles não tinham essa dieta. Comiam um maná que era um alimento completo, absorvido, com todos os nutrientes, o tipo de descoberta que faria qualquer nutrólogo ficar rico, porque ninguém ficaria com as gordurinhas do lado.

Em Hazerote, Miriã e Arão questionam a liderança de Moisés. Miriã fica leprosa, e o arraial para. O arraial se levantou e parou durante sete estações, quarenta e duas paradas, e no momento em que Miriã questiona a autoridade de Moisés, confundindo um relacionamento familiar com um relacionamento ministerial, ela fica leprosa. Moisés ora por ela, ela é curada, mas fica sete dias fora do arraial. E o arraial para até que os problemas sejam resolvidos. Não dá para avançar com rebelião, com o coração amargo, com adultério, com cobiça, com avareza. É preciso lidar com o pecado para que a congregação inteira não sofra a contaminação por causa de erros particulares.

Cades-Barneia: o medo que escolheu voltar

O povo chega a Cades-Barneia, e ali escolhe o medo ao invés da fé. Enviam espias por quarenta dias para espionar a terra. Dois deles voltam com relatório de que a terra é boa, de que os inimigos serão comidos como pão.

Se o SENHOR se agradar de nós, então, nos fará entrar nesta terra e no-la dará, terra que mana leite e mel.

Números 14.8 (ARA)

Tão-somente não sejais rebeldes contra o SENHOR e não temais o povo desta terra, porquanto são eles nosso pão; retirou-se deles o seu amparo, e o SENHOR é conosco; não os temais.

Números 14.9 (ARA)

Mas dez espias dizem que a terra é boa de verdade, mas que o povo é como gafanhotos aos seus próprios olhos, e como gafanhotos aos olhos dos inimigos.

Também vimos ali gigantes (os filhos de Anaque são descendentes de gigantes); e éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos e assim também éramos aos seus olhos.

Números 13.33 (ARA)

A visão pequena e o medo fizeram o povo dizer que era melhor eleger um capitão e voltar para o Egito.

E diziam uns aos outros: Constituamos um capitão e voltemos para o Egito.

Números 14.4 (ARA)

Deus então diz que o povo viu demais para fazer isso. Viram o mar se abrir, um exército inteiro se afogar. Viram Deus aparecer no monte como não apareceu para ninguém na história. Viram o maná, a coluna de fogo, sinais e maravilhas, e ainda assim duvidaram de que podiam vencer gigantes pequenos diante de tudo o que já haviam presenciado.

nenhum dos homens que viram a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram já dez vezes, e não obedeceram à minha voz,

Números 14.22 (ARA)

Neste deserto, cairá o vosso cadáver, como também todos os que de vós foram contados segundo o censo, de vinte anos para cima, os que contra mim murmurastes;

Números 14.29 (ARA)

Uma geração inteira morreria no deserto por ter visto a glória e ainda assim escolhido o medo.

Os trinta e oito anos entre Cades e Cades: o ciclo e a sepultura de uma geração

O povo sai de Cades e volta para Cades. Trinta e oito anos depois, uma volta inteira, e nada acontece de novo. Parece a vida de muita gente. Não existem grandes eventos, não existe rompimento, não existe progresso. Alguém preso num ciclo, num loop de tempo, dizendo: já passei por aqui, já estive nesse lugar, esse problema de novo, outra vez essa crise no casamento, esse mesmo problema financeiro acontecendo, a mesma doença, a mesma ameaça, a mesma opressão, a mesma luta, a mesma batalha. A grande tragédia da vida humana é não conseguir romper um ciclo e ficar preso dentro de uma identidade emocional deformada, dentro de um espírito de solidão, tentando algo que nunca acontece porque ainda não buscou o coração de Deus para que ele movesse o que precisa ser movido.

Esses trinta e oito anos ocupam apenas do capítulo 15 ao capítulo 19 ou 20 de Números. Trinta e oito anos em cinco capítulos, onde não existem grandes acontecimentos. É uma volta. Deus não fala mais àquela geração. Durante esses capítulos, ele passa a falar com a próxima geração, porque aquela geração seria sepultada no deserto.

No capítulo 16 acontece a rebelião de Datã, Abirão, os duzentos e cinquenta príncipes da congregação e Coré. O sacerdócio, o setor econômico, a elite da nação se rebelam contra Moisés, e Moisés fica profundamente abalado. É a primeira vez que se vê Moisés levar algo tão para o pessoal, a ponto de dizer que, se aqueles homens morressem como todos os homens morrem, ele não teria sido enviado por Deus.

Se morrerem estes como morrem todos os homens e se forem visitados como são visitados todos os homens, não sou enviado do SENHOR.

Números 16.29 (ARA)

A terra se abriu, consumiu, e o fogo desceu sobre os duzentos e cinquenta príncipes. Mas os filhos de Coré não morreram. Os filhos de Abirão sim, porque estavam juntos na rebelião. Os filhos de Coré estavam em desacordo com aquilo. Os filhos de Abirão ouviam os pais falarem mal da liderança no café da manhã, no almoço e no jantar, repetindo que Moisés não podia ser liderança. Os filhos de Coré, ao contrário, se tornam no futuro sacerdotes, adoradores, salmistas, autores dos Salmos 46, 82, 83 e 84. Os filhos de Coré não precisaram repetir os pecados dos pais.

Deus está preparando herdeiros, financiando uma nova geração que vai entrar na terra prometida. Entre Cades e Cades, Deus enterra uma geração e destrói uma mentalidade. Ele não está apenas tirando o povo do Egito, está tirando o Egito de dentro do povo, destruindo um vírus, um câncer que existe dentro de quem se sente escravo, que é prisioneiro dos próprios sentimentos, que carrega um espírito de vitimização, onde a culpa é sempre do outro, onde o olhar está sempre buscando alguém para acusar pelas coisas que não deram certo.

Moisés, Arão e Miriã caminham entre túmulos, entre sepultamentos, enquanto uma geração inteira morre. No capítulo 20, quem morre é Miriã, logo que chegam a Cades. Depois é Arão que morre, e suas vestes são despidas para que seu filho ocupe o seu lugar, porque no ministério não existe ninguém insubstituível. Como já foi dito por quem já fez muitos enterros: quem se acha insubstituível não é.

O ribeiro de Zerede: a travessia que separa duas mentalidades

De Cades ao ribeiro de Zerede, a Bíblia descreve algo parecido com um portal dimensional. Uma geração fica para trás do ribeiro. Um passo à frente, uma geração nova aparece. O povo cruza o ribeiro, e aquela geração anterior já não existe mais ali. Aquela linguagem e aquela mentalidade ficam para trás, do outro lado da água. Os que têm vinte anos para baixo, e os que nasceram no deserto, são diferentes.

Agora falta água outra vez, mas o povo não murmura, não reclama. Num lugar de escassez, começa a cantar: brota o poço, brota o poço, brota o poço. Os líderes começam a cavar enquanto cantam. No meio das circunstâncias adversas, são eles que dobram a realidade. Olham para diagnósticos de câncer e dizem: brota o poço. Olham para a conta bancária sem dinheiro e dizem: brota o poço. Olham para as dificuldades do casamento e dizem: brota o poço. Em vez de murmurar, adoram, e chamam o futuro à existência.

(como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí), perante aquele em quem creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.

Romanos 4.17 (ARA)

A fé é segurar o nada até que o nada se torne algo. A fé é chamar à existência as coisas que não existem, como se já existissem. Essa sexta estação marca uma mudança radical, e os gigantes que antes paralisavam agora vão ser enfrentados.

Edom, Og e Basã: enfrentando os gigantes que antes paralisavam

Primeiro Deus manda contornar Edom, não lutar contra Edom, respeitá-lo. Aquela guerra não era para aquele povo lutar. Mas logo depois, bloqueados no caminho, os amorreus se colocam na frente, e Deus diz que aquele inimigo precisava ser enfrentado.

Os gigantes que antes causavam pavor agora precisam ser enfrentados de frente. Ogue, rei de Basã, tinha uma cama de quatro metros. Era um dos amorreus do leste de Basã, lugar que, junto com o monte Hermon, segundo o estudioso Michael Heiser, é onde a tradição aponta o encontro e a conspiração de seres angelicais, um assunto registrado no livro de Enoque, mas que pertence a outra discussão.

O que antes era temido agora é enfrentado. A geração que morreu temia os gigantes. A nova geração, com Josué e Calebe à frente, caça gigantes, vai para cima dos gigantes, conquista a terra do leste.

Balaão e as planícies de Moabe: a segunda lei

O povo chega às planícies de Moabe e aos montes de Abarim, onde surge Balaão, um profeta que muda de lado. Entre profeta e bruxo existe apenas uma linha que se cruza. Um dia fala por Deus, outro dia fala pelo diabo, cheio de autopromoção quando fala, anunciando a si mesmo como o homem de Deus que arrebenta, louvado seja o seu próprio nome. Por três vezes ele tenta amaldiçoar e acaba abençoando. Ele estava em cima dos montes enquanto o povo de Israel estava nas planícies de Moabe.

Nas planícies de Moabe é escrito o livro de Deuteronômio, a segunda lei. Deus faz o checklist da terra prometida: eis que vocês vão entrar numa terra, e essas são as regras. Em poucas semanas o povo cruzaria o Jordão, então vive ali um intensivo, um profundo seminário sobre os princípios de Deus que deveriam ser observados. São equipados, treinados e enviados para a terra.

Almom-Diblataim: o horizonte onde a esperança volta ao coração

Depois disso o povo passa por Almom-Diblataim, o ponto de observação da terra. A jornada não terminou, mas o destino já pode ser visto. Quarenta anos depois, finalmente se enxerga a fotografia do futuro. Há um fôlego renovado. Durante décadas o olhar esteve voltado para o Egito, para as cebolas e os alhos, para os fracassos, para os túmulos no deserto, para o que se perdeu. Agora o olhar se volta para a frente.

Há momentos na vida em que Deus sustenta apenas para sobreviver. Há outros em que ele mostra algo para o qual a pessoa foi chamada. Muita gente vive no modo sobreviver, aguentando até o fim. Mas existe um momento em que essa estação termina. O modo tentar pagar as contas, tentar se manter casado, tentar ficar de pé, dá lugar ao modo conquistar, ao modo ocupar, ao modo avançar.

A fé bíblica tem dimensão prospectiva. Abraão olhou para uma cidade cujo arquiteto e edificador era Deus.

porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual o arquiteto e edificador é Deus.

Hebreus 11.10 (ARA)

José falou sobre a saída do Egito séculos antes de ela acontecer, e pediu que levassem seus ossos. Moisés falava ao povo sobre o futuro. Josué se preparou para uma conquista que ainda não havia começado. Os homens de Deus são movidos por promessas futuras.

Almom-Diblataim é o lugar onde a esperança ocupa o horizonte. Depois de anos de disciplina, ali se contempla o cumprimento das promessas. Depois de anos caminhando entre sepulturas, a geração da travessia chega à sua herança. Depois de anos lidando com perdas, passa a falar sobre o futuro. Quem vive olhando apenas para trás dificilmente entrará naquilo que Deus preparou à frente.

Almom-Diblataim é onde sonhos perdidos são recuperados: o sonho do romance frustrado pela dor da traição, o sonho da prosperidade frustrado pela bancarrota, o sonho da pureza manchado pelo pecado. Esperança não significa desejar algo. Significa expectativa, antecipação, confiança, perspectiva favorável. Esperança não é talvez dê certo. É: posso não entender tudo, mas Deus está trabalhando.

A vida não é feita de pontos soltos na história. Existe uma linha atravessando cada momento para construir um tapete e dar a cada coisa solta um significado novo. O abuso, o divórcio, a doença, a perda.

Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Romanos 8.28 (ARA)

Deus dá sentido e significado às histórias de uma estação antiga, explicadas apenas na estação seguinte. Os fracassos, as perdas, as injustiças, as decepções, nada precisa ser desperdiçado. Isso não significa que essas coisas são boas. Significa que Deus é capaz de redimir qualquer situação. A esperança nasce quando alguém acredita que existe um propósito maior, que nada está sendo levado por forças fortuitas ou casuais, mas que tudo está na mão do Pai.

As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.

João 10.27 (ARA)

Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.

João 10.28 (ARA)

Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?

Romanos 8.31 (ARA)

O Jordão à sua frente

Agora é hora de atravessar o próprio Jordão. Há um fim de ciclo sendo marcado, um ponto de inflexão, não só pessoal, mas de uma geração inteira que aprendeu a cruzar o ribeiro de Zerede e falar às circunstâncias ao invés de apenas sofrê-las.

À igreja de Éfeso, Jesus disse conhecer o seu labor.

Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;

Apocalipse 2.2 (ARA)

A palavra grega para labor, kopos, descrevia o trabalho de quem martelava metais, colocando-os sobre o fogo para dobrá-los. Era um labor exaustivo, dobrar metais. Um povo apostólico dobra as circunstâncias. Diz que não está vendo água, mas que tem água ali. Brota negócios, brota contratos, brota felicidade no meio de um casamento indiferente, brota santidade, brota verdade, brota pureza, brota mudança.

Quebrou-se o laço, e o povo se viu livre.

O laço quebrou-se, e nós escapamos.

Salmos 124.7 (ARA)

Um homem ficou preso numa cama, e Jesus disse a ele para se levantar.

Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda.

João 5.8 (ARA)

Aquilo que antes carregava quem estava deitado agora é carregado por quem se levanta, conduzido a uma nova história. Toda paralisia emocional, toda paralisia espiritual, toda fortaleza mental de vitimismo, de miséria, de conformismo, de fatalismo, pode ser quebrada. Deus está tirando o Egito, as coisas velhas, o ressentimento velho, as acusações velhas, fazendo uma coisa nova, colocando um rio no deserto, riachos no ermo.

Eis que faço coisa nova, que já vem à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto e rios no ermo.

Isaías 43.19 (ARA)

O sol está nascendo. O sol da justiça vai brilhar. As trevas estão sendo dissipadas, e a terra se encherá do conhecimento da glória de Deus, assim como as águas cobrem o mar.

Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar.

Habacuque 2.14 (ARA)

Isso não é a geração que morre no deserto. É a geração da terra prometida.

Que o amor de Deus, a graça de Jesus, a comunhão do Espírito Santo seja sobre todos.

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

2 Coríntios 13.13 (ARA)

Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente.

Hebreus 13.8 (ARA)

Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas.

Deuteronômio 28.4 (ARA)

Bendito serás ao entrares e bendito, ao saíres.

Deuteronômio 28.6 (ARA)

O SENHOR te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo e para abençoar toda obra das tuas mãos; emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.

Deuteronômio 28.12 (ARA)

O SENHOR te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do SENHOR, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28.13 (ARA)

Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça.

Eclesiastes 9.8 (ARA)

Eu creio que verei a bondade do SENHOR na terra dos viventes.

Salmos 27.13 (ARA)

Ramessés, Sucote, Etã, Pi-Hairote, Mara, Elim, Refidim, Sinai, Taberá, Quibrote-Hataavá, Hazerote, Cades, o ribeiro de Zerede, Edom, Basã, as planícies de Moabe, Almom-Diblataim. Cada parada ensinou algo que a seguinte não repetiria. E o Jordão, no fim de tudo, não é apenas um rio. É a linha entre quem sobrevive e quem conquista.

Essa mensagem faz parte de uma série completa sobre a escola do deserto e a escola da conquista, ministrada por Bispo JB Carvalho. Para acompanhar a jornada inteira, com todas as estações detalhadas, vale assistir ao vídeo completo e ouvir também o episódio no podcast pessoal do Bispo JB Carvalho.