O rei está no campo
Na Bíblia, os lugares não são apenas lugares. Nomes não são apenas nomes. Números nunca são apenas números. Tudo faz parte do desenho perfeito do Senhor.
E o Brasil tem sido chamado para um tempo como este. Porque de fato os ossos secos estão se levantando. Nós vemos o Israel natural sendo restaurado nos nossos dias, e todos nós, o Israel espiritual, enxertados na oliveira, voltando para as raízes da nossa fé. E isso inclui o calendário bíblico. Porque existe um momento marcado, um momento divino na história bíblica, para a nação do Brasil.
Mas eu quero começar com Débora, porque ela também se alinhou com o calendário de Deus. Ela escolheu um momento determinado, teve coragem profética, uniu a liderança e obteve uma vitória sobrenatural.
Alinhamento começa com o tempo determinado por Deus
Deus colocou sinais, estações, dias e anos dentro da criação. E, antes de Israel sair do Egito, Ele resetou, começou do zero o calendário dele. Essas datas bíblicas ajudam que nós, o povo de Deus, relembremos os atos de fidelidade dele. A maior festa que nós lembramos e comemoramos é a Páscoa, onde o nosso Messias Jesus cumpriu o significado dessa festa e dessa celebração.
Então alinhar-se com esse calendário não é algo supersticioso. É obediência à palavra do Senhor e aos seus propósitos.
Você sabia que o dia da batalha de Débora foi o dia 23 de Iyar?

Mas depois disso veio um ataque enorme. Os amalequitas vieram contra o povo hebreu no meio do deserto. Josué lutou contra os amalequitas na batalha, mas Moisés, Arão e Miriã mantiveram os braços erguidos, sustentando a campanha espiritual. Porque no reino tudo que acontece na terra também acontece nos céus. Assim como no céu, assim na terra. Quando estamos alinhados, estamos no meio de uma conexão sobrenatural.
A unidade entre Arão e Miriã foi o que sustentou a intercessão de Moisés até chegar na vitória. Foi uma vitória avassaladora, de um povo de escravos diante de um reino de guerreiros. E Deus se revelou ao seu povo de uma nova forma. Ele se revelou como Adonai Nissi, o Senhor é a minha bandeira miraculosa.
Débora reconheceu o momento
Débora era alguém que conseguia ouvir Deus e reconhecer o momento apontado. Depois de vinte anos de opressão, Deus levantou Débora, uma profetisa, uma juíza e uma mãe em Israel. Ela permaneceu fiel durante um período de comprometimento nacional.
Na época dos juízes não havia lei, as pessoas faziam o que era bom diante dos seus próprios olhos. Mas Débora creu na palavra de Deus e julgou com a verdade. Ela conhecia bem a palavra e sabia como utilizá-la.
E ela convoca Baraque e o libera na tarefa, naquilo que Deus tinha para ele. Ela declarou, ela profetizou: levanta-te, este é o dia em que o Senhor entregou Sísera nas tuas mãos. A fé dela e o conhecimento que ela tinha da palavra de Deus reconheceram o momento e o movimento que Deus estava fazendo. E ela agiu.
Deus trouxe essa vitória através de uma liderança unida. As duas histórias, a de Moisés e Josué e a de Débora e Baraque, são padrões divinos. O povo de Deus prevalece e vive quando o povo ouve, obedece, restitui e se arrepende.
Moisés intercedeu. Josué guerreou. Arão e a irmã dele o apoiaram. E Deus foi quem lhes concedeu a vitória. E para Débora? Débora liberou a palavra do Senhor. Baraque liderou a batalha. As doze tribos de Israel se ofertaram, elas foram voluntariamente. E Deus até mesmo levantou Jael, uma libertadora inesperada.
Verdadeiros líderes não apenas mandam. Eles se posicionam com o povo e despertam aqueles que estão ao redor.
A liberdade vira testemunho e adoração
Precisamos transformar a liberdade em testemunho e adoração. O que Débora fez foi entoar uma canção e trazer a adoração diretamente ao Senhor pela vitória. Ela reconheceu quem foi a verdadeira fonte da liberdade. Ela testificou que os céus e a criação lutaram contra Sísera. Ela elogiou o povo que voluntariamente se ofereceu para guerrear. Ela descreveu a liderança como algo que protegia e restaurava. E ela se descreveu como uma mãe em Israel.
E a terra conheceu paz durante quarenta anos após essa vitória. Quarenta é um número muito significativo.
Quando uma nação está enfraquecida, dividida ou sob ataque, Deus levanta pessoas que ouvirão a sua voz, que se colocarão na brecha, que despertarão os guerreiros e chamarão outros para que se coloquem debaixo dessa bandeira de milagre dele.
Onde estamos no calendário bíblico
Estamos no mês bíblico de Elul, no meio dos quarenta dias que antecedem o ano novo judaico, Rosh Hashaná, e que seguem até Yom Kippur e a festa dos tabernáculos.
E esse não é um tempo qualquer. É quando o rei se aproxima. Quando o rei sai do seu palácio, quando o rei vai ao meio dos campos, ele entra nas nações buscando pela sua esposa, sua noiva amada. Estamos prontas para sermos achadas por ele nos campos, sendo fiéis como Rute, trabalhando?
Estes também são quarenta dias de arrependimento. Em hebraico, a palavra para arrependimento é teshuvá. É uma dor que vem do Senhor pelo nosso pecado, mas também é um afastar-se, um dar as costas a isso, ir na direção oposta do nosso fracasso e correr em direção ao lar, que é o nosso amado.
Jesus, na sua primeira vinda, cumpriu as festas de primavera e de verão no momento, na hora, até no dia: a Páscoa, os pães sem levedura, os primeiros frutos e o Pentecostes. Depois temos uma longa estação até chegar o outono, e esperar o som do shofar, que vem apenas no Rosh Hashaná. Ele ressoará cem vezes, e a última vez que ecoa é chamada de o grande shofar, quando o Messias voltará.
Então a misericórdia de Deus tem nos dado esse tempo para despertar, para examinar nossos corações, voltar ao Senhor e sermos restaurados.
E Deus lida com as nações olhando para elas como indivíduos, como pessoas. Ele chama Israel de seu filho primogênito. Mas o Brasil também é uma das suas nações de aliança. Nós estamos aqui para levar o Brasil, nesta estação, a retornar ao Senhor. E ao verdadeiro destino que Deus tem para esta nação. É uma grande nação. É uma nação que brilha. É uma nação gloriosa e cheia de adoração. E Deus tem zelo por vocês. E Ele está aqui para lutar pelo Brasil, contra toda maldade, contra todos os exércitos do maligno, contra os amalequitas, um inimigo que o Senhor sempre disse que estaria presente.
Não é sobre condenação, é sobre convite
O mistério desse período de tempo também fala de uma janela oculta e de uma porta aberta de oportunidade. Esta estação não é apenas para você se sentir culpada pelos seus pecados. Não é sobre isso. É uma estação em que nós nos arrependemos para poder voltar àquele que nos chama de volta.
Não é sobre condenação, é sobre convite.

Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos.
Malaquias 3.7
O rei está nos campos. E a palavra diz que Ele se achegará a vós. Este é o momento, este é o lugar. Ele não é um juiz distante. O nosso Rei amado se aproxima de nós. Ele é quem inicia o nosso encontro. Nós respondemos adentrando essa porta que Ele abriu.
Nós já ouvimos o texto que fala: eis que estou à porta e bato. Senhor, nós te permitimos entrar. Nós nos aproximamos dele e falamos com sinceridade: Senhor, recebemos a tua misericórdia, nós restauramos a nossa relação contigo.
O arrependimento faz parte dessa história de amor de Deus contigo. É quando o rei chega até nós, como nosso noivo, buscando a sua amada. Estes quarenta dias de arrependimento são a nossa resposta à canção de amor de Deus por nós.
O som do shofar desperta a nossa alma cada manhã durante esses quarenta dias, para nos aproximarmos de Deus. É como se fosse um alarme de misericórdia, para examinar o nosso coração, para darmos as costas ao pecado e voltarmos para Deus. Que esse som nos mova de decisões atrasadas, de termos apenas uma noção básica do que está acontecendo no âmbito espiritual, para darmos passos e fazermos um esforço consciente de voltar para Ele.
O que foi quebrado pode ser reconstruído
No monte Sinai houve um fracasso do povo que tinha acabado de entrar em aliança com Deus e de receber os dez mandamentos. Logo depois que isso aconteceu, enquanto Moisés ainda estava no monte, eles caíram em pecado. Eles se tornaram uma esposa infiel e adoraram o bezerro de ouro. Um fracasso nacional enorme.
Mas Moisés recusou que o juízo fosse a palavra final sobre Israel, e ele se colocou na brecha pela sua nação em intercessão. E é isso que a amada está chamada a fazer.
Deus é um Deus de misericórdia. E naquele momento Ele revelou um novo aspecto de si mesmo. Ele disse: eu sou Deus compassivo. Deus renova a sua aliança e revela a sua compaixão. E Moisés subiu novamente e recebeu as segundas tábuas da lei, para lutar por restauração.
O que foi quebrado pode ser reconstruído pela graça e por uma resposta fiel. Deus é muito maior em misericórdia e compaixão do que em juízo.
Deus diz: corta duas tábuas de pedra como as primeiras. Moisés cavou a pedra, mas Deus escreveu as palavras de novo. Deus é quem escreveu a aliança.
Então, muitas vezes, o caminho de volta para Deus é marcado por alguns fracassos da nossa parte. Mas não é bloqueado por esse fracasso, porque nunca é o fim da história. Não falta esperança para nenhuma das suas pessoas, do seu povo ou das suas nações.
O Messias personifica o retorno vitorioso. Foi durante os quarenta dias de Elul que Jesus foi testado e provado no deserto. Se a gente segue o calendário bíblico, Ele primeiro foi batizado por João no rio, e depois seguiu o padrão bíblico. Não quarenta anos no deserto, como o povo hebreu, mas quarenta dias. Ele reparou a história da nação. Porque onde Israel fracassou, Jesus permaneceu fiel. Ele venceu por mim e por você. Ele venceu o mundo. Ele venceu o diabo.
Uma canção de amor no nome do mês
O mês de Elul, esses quarenta dias do calendário bíblico, carrega a linguagem do ser amado. Há uma canção de amor até mesmo no nome do mês. As letras do nome formam um acróstico: eu sou do meu amado e o meu amado é meu. E isso vem de Cantares de Salomão.
Teshuvá, o arrependimento, é a nossa resposta a essa canção de amor de Deus por nós. E o Messias se tornou alguém sem reputação e tomou sobre si a forma de servo, para comprar para si uma esposa sem mancha e sem ruga.
Então busque-o enquanto Ele está perto. Há três escrituras que emolduram esta temporada de Elul: um convite, um pertencimento e uma resposta.
Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.
Isaías 55.6
Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele apascenta entre os lírios.
Cantares 6.3
Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.
Tiago 4.8
E esse convite se transforma em um encontro quando nós respondemos. Quando eu e vocês damos uma resposta a Ele. Quando nós voltamos a Ele como a mulher com o vaso de alabastro, quando nós caímos aos seus pés em adoração e em submissão.
Essa misericórdia é uma janela. Não é uma autorização para estarmos atrasados. Agora é a hora divina para a misericórdia.
Então, Brasil, volte para o rei. Essa é a hora para que nós nos humilhemos, que nos arrependamos do pecado, que renovemos a nossa aliança e coroemos Jesus como rei sobre o Brasil e sobre todas as nações.
O Salmo 27 é lido todos os dias nesse tempo, porque destaca uma coisa:
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo.
Salmos 27.4
A reverenda Rosemary Schindler Garlow é diretora, em San Diego, na Califórnia, da organização Cristãos Unidos por Israel. Já fez 79 viagens a Israel, muitas delas liderando grupos em peregrinações espirituais, e mantém parcerias com o Museu Memorial do Holocausto Yad Vashem, o Museu do Holocausto dos Estados Unidos e outras instituições ligadas à memória judaica. É cofundadora, com o marido, da Sociedade Schindler, um grupo de judeus e cristãos que estudam as Escrituras Hebraicas no parlamento israelense em Jerusalém, e da Well Versed, ministério que auxilia líderes de governo em Washington e nas Nações Unidas a compreenderem os princípios bíblicos de governança. Sua família é parente de Oscar Schindler, e ela mantém o acervo da família, dando continuidade ao legado por meio da Arca de Schindler Internacional, cujo propósito é combater o antissemitismo. É casada com o Dr. Jim Garlow.

