O Novo de Deus Exige Raízes Fortes: A Lição de Neemias

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Existe uma diferença entre decorar a vida com novidade e deixar que o novo transforme as raízes. O devocional de hoje, baseado no livro Conversas Íntimas com o Espírito Santo, dos bispos Dirce Carvalho e JB Carvalho, começa com uma frase que resume tudo: o novo exige força nas raízes, não só na aparência. Não basta mudar a fachada. Não basta ajustar a rotina. Não basta repaginar o que já existia. É preciso que a raiz mude, porque é dali que vem a sustentação para o que Deus está construindo.

O texto base dessa reflexão está em Salmos 27.1, que diz:

O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem me recearei?

Salmos 27.1 (ACF)

Essa força da vida não vem de uma estrutura antiga preservada, vem de Deus como fonte. E é exatamente essa força que sustenta alguém quando o novo chega e exige passagem. Porque o novo não negocia espaço. Ele não se acomoda ao lado do que já está solidificado. Não há como conciliar o novo com o antigo. Essa é a questão central: quando Deus traz algo novo, ele exige que as estruturas antigas, aquelas com as quais já estamos ambientados, sejam removidas. E isso dói. Causa desconforto. Leva a um lugar de vulnerabilidade.

Neemias e o custo de sair do conforto

Para ilustrar essa verdade, o devocional traz a história de Neemias. Ele vivia num palácio, era copeiro do rei, tinha domínio total do seu ofício e todos os instrumentos necessários à disposição. Era bem aceito, confirmado na sua função. Um lugar confortável e previsível. E foi exatamente ali que o novo de Deus chegou: um convite para deixar a cozinha do palácio e se tornar reconstrutor dos muros de Jerusalém, uma cidade assolada, hostil, sem recursos.

Esse chamado está registrado em Neemias 2.17:

Então lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada, e as suas portas queimadas a fogo; vinde, pois, e edifiquemos o muro de Jerusalém, e não sejamos mais um opróbrio.

Neemias 2.17 (ACF)

Muitas vezes lemos essa passagem apressadamente, sem parar para avaliar quão profunda foi a transformação que Neemias precisou atravessar. Não foi apenas uma mudança de ambiente ou de agenda. Ele precisou reformular quem ele era. De copeiro a reconstrutor. E no meio do caminho, enquanto exercia essa nova atividade, foi confrontado pela voz de Sambalate e Tobias, vozes que surgem para dizer que não temos a habilidade necessária para realizar o novo de Deus.

Mas aquele que chama para o novo é o mesmo que conhece profundamente as estruturas que carregamos.

Neemias permaneceu firme. Cumpriu o novo, venceu as oposições e deixou uma obra realizada. E isso levanta uma pergunta que vale para cada um de nós hoje: você está restaurando ou apenas preservando o conforto antigo?

Todas as vezes que tentamos dar lugar ao novo, o velho tenta permanecer. E o grande erro é acreditar que é possível conciliar o velho com o novo. Não é possível. Será preciso se desfazer do antigo para que o novo entre com força, trazendo toda a vida que carrega.

O novo nunca se acomoda ao que já está pronto.

A oração que encerra esse devocional pede exatamente isso: que seja possível transicionar do velho para o novo, ser edificado e solidificado naquilo que Deus trouxe, abandonando o passado para que o propósito chamado se realize. Assim como foi com Neemias, pode ser também na vida de quem está lendo.

Assista ao devocional completo e deixe essa palavra fortalecer você para receber o novo que Deus está trazendo.