Ambiente Puro: Por Que a Luz de Deus Precisa Expor o Que Está Oculto
Existe uma frase que atravessa o devocional de hoje como um bisturi: ambiente puro é zona livre de ratos. Não há glória onde o lixo permanece oculto. Essa reflexão, trazida a partir do livro Conversas Íntimas com o Espírito Santo, dos bispos JB Carvalho e Dirce Carvalho, nasce de um texto conhecido de Isaías.
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti.
Isaías 60.1 (ACF)
Toda vez que a luz entra num ambiente, ela não chega sozinha. Junto com ela vem a sombra, o contraste, a revelação do que estava escondido. A luz não existe apenas para mostrar o que é bonito. Ela existe para expor o que precisa ser modificado e para alimentar aquilo que já é agradável aos olhos do Senhor. Não é sobre constrangimento. É sobre correção.
O que a escuridão alimenta
Quando vivemos em ambientes sujos, quando alimentamos julgamentos, maledicências e perversidades com as palavras que soltamos, não estamos apenas errando por acaso. Estamos atraindo companhia. A Palavra fala do deus deste mundo, aquele que se alimenta da podridão que permanece encoberta, longe da luz. Onde há espaço escuro, há espaço fértil para o que corrói.
Os ratos crescem no escuro. Sozinhos, pequenos, quase imperceptíveis, eles se instalam onde ninguém olha. Mas na ausência de luz, ganham espaço, se multiplicam e destroem os nutrientes que sustentam uma vida correta. Não é a sujeira que aparece de uma vez. É a que se acumula devagar, enquanto ninguém acende a luz.
Por isso, discernir importa. Discernir onde estamos plantados, com quem compartilhamos nossos sonhos, quem recebe de nós os recados do Senhor, e principalmente, o que temos alimentado dentro do próprio coração. As pessoas que estão perto de nós revelam muito sobre a atmosfera que carregamos. São pessoas que congregam da nossa fé ou pessoas que colocam essa fé em xeque?
A luz não vem para envergonhar, vem para restaurar
Jesus nos recebe exatamente como estamos. Às vezes num lugar sujo, às vezes repleto de impurezas que nem sabíamos nomear. Mas ele nunca nos deixa como nos encontrou.
Um encontro genuíno com o Senhor expõe as sujeiras.
E é justamente essa exposição que dá coragem para limpar os caminhos. Não é vergonha, é convite. Buscar em Cristo colocar luz sobre o que está oculto não é para humilhação, é para tratamento. Isso pode significar se confessar, pedir perdão a um amigo, mostrar às pessoas próximas que o coração está disposto a mudar. Significa viver a transição sabendo que, mesmo no meio dela, já se é aquilo que o Senhor sonhou. Um projeto concluído por Deus, ainda que em processo de acabamento.
A oração que encerra esse momento pede exatamente isso: que o Senhor sonde o coração, revele o que precisa ser ressignificado e traga uma nova instrução onde havia hábito velho. Não para acusação, mas para correção. Não para deixar cair, mas para não permitir o retorno ao caminho antigo depois de corrigido.
Só há glória onde o lixo oculto é eliminado.
Assista ao devocional completo para acompanhar essa reflexão na íntegra.
